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Full text of "Cronologia da Ciência Brasileira 1500-1945"

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APÊNDICE 1 
CRONOLOGIA DA CIÊNCIA BRASILEIRA 
(1500- 1945) 

Tjerk Guus Franken 



NOTA INTRODUTÓRIA 






Qualquer cronologia, do tipo que seja, é arbitrária e precária 
por definição, Arbitrária, porque implica decisões de inclusão/ ex- 
clusão sobre fenómenos fundamentalmente da mesma espécie, mas 
sempre selecionados a partir de critérios subjetivos de peso e 
relevância. Mesmo que esta relevância esteja submetida explícita 
ou implicitamente a uma teoria, a própria adoção desta ou daquela 
implica necessariamente a eliminação de outros critérios, prova- 
velmente tão válidos e consistentes quanto os efeti vãmente adota- 
dos. Precária, porque os dados são muitas ve2es precários e se 
encontram geralmente muito dispersos; porque o processo de coleta 
sofre limitações de fontes e de tempo, mas principalmente porque 
falta uma contextualização que lhes atribua sentido e lhes dê um 
valor operacional determinado. Apesar disso tudo, julgamos útil 
sua elaboração, principalmente quando encarada como peça com- 
plementar de um esforço interpretativo como este, sobre a forma- 
ção da comunidade científica no Brasil. 

A presente cronologia teve, na realidade, como ponto de 
partida, um conjunto de fichas que registravam eventos relaciona- 
dos direta ou indiretamente com a produção científica brasileira, 
desde os seus primórdios até os dias de hoje, resultado de um 
esforço coletivo por parte de todos os membros da equipe ligada 
ao Projeto História Social da Ciência no Brasil. 

De base serviu principalmente a obra As ciências na Brasil, 
coordenada por Fernando de Azevedo e editada por Leonídio Ri- 
beiro, completada, no entanto, pelas fontes bibliográficas consul- 
tadas no decorrer do Projeto. Este conjunto de dados teve uma 
primeira edição mimeografada, que recebeu, além de críticas, 
várias sugestões para ampliação e complementação. 

Da constatação das lacunas e deficiências desta primeira 
versão, decorreu a decisão de proceder a uma revisão completa e 



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sistemática da cronologia, desta vez por parte de uma única 

pessoa, favorecendo assim uma certa homogeneidade de critérios. 
Além disso, tomaram-se algumas decisões quanto à metodologia 
de trabalho. 

Em primeiro lugar foi feita a opção de enriquecer os ver- 
betes em termos de informação, indo-se um pouco além da data 
e do evento, pelo menos quando fosse possível. O que se buscava 
realmente era uma unidade de informação efetiva, se possível com 
indicações sumárias, quanto aos pontos de conta to com outros 
eventos ou, então, oferecendo um mínimo de contextualização. 

Segundo: as informações se restrigiam inicialmente a três 
categorias bem distintas. A primeira dizia respeito aos resultados 
concretos e imediatos da produção científica em forma de desco- 
berta ? artigo, livro, etc. A segunda se referia a eventos relaciona- 
dos com o "ambiente 1 * desta produção, como expedições, presença 
no Brasil de cientistas estrangeiros, realização de congressos, etc, 
A terceira dava conta do plano estritamente institucional deste 
ambiente, como a criação de institutos, academias, faculdades, 
cadeiras, etc, a fundação de revistas, a decretação de leis ou 
reformas referentes ao ensino e à pesquisa, etc. Esta tríplice 
divisão, considerada a mais adequada, foi abandonada aqui, por 
motivo de representação gráfica. Optou-se, assim, por uma apre- 
sentação em duas colunas: (I) A institucionalização da ciência; 
(II) A ativídade científica. 

Terceiro: o problema dos critérios de seleçao a que já nos 
referimos e que determinariam a inclusão ou exclusão de um 
evento é aparentemente um problema insolúvel f pelo menos se 
colocado em termos de normas claras e unívocas ou de classifica- 
ções mutuamente exclusivas. Em primeira instância se situa a 
questão geral da avaliação da relevância objetiva do dado, em 
confronto seja com o avanço daquela especialidade específica, seja 
com o campo da produção científica como um todo, e a conse- 
quente necessidade de proceder a um corte. Em cima disso, no 
entanto, põe-se, ainda, o problema mais sério: o das implicações 
de um julgamento externo em assuntos especializados, 

A opção final foi.de certa maneira drástica: não hã por que 
exercer o papel de juiz. O que se tentaria era incluir, sem exce- 
ção, todos aqueles eventos que cada autor-especialista considerou 
suficientemente importantes para figurarem como significativos em 



seu trabalho sobre a área. Esta opção teria uma dupla vantagem. 
A primeira é a de não introduzir mais uma etapa de julgamento. A 
segunda, a de não reforçar a concepção, por sinal muito criticada, 
da ciência como acúmulo cronológico, porém a-histórico» de "pon- 
tos altos" ou de "marcos notáveis", considerando o resto do 
trabalho científico como, na realidade, pré-cíentífico ou simples- 
mente irrelevante, embora necessário. A ideia aqui era dar, de 
alguma forma, uma noção, embora fatalmente incompleta, da 
ciência brasileira ou da ciência calcada sobre a realidade brasilei- 
ra 5 enquanto processo mais ou menos contínuo e "normal" de 
produção, para que pudéssemos estudar-lhe as variações e as 
constâncías, seja internas a cada campo, seja entre as diferentes 
especialidades, em termos de objeto.. de instituição, de intensida- 
de, etc. Nesta maneira de ver a ciência, o que importa menos são 
os grandes eventos, que acabam por eclipsar o esforço cotidiano 
do conjunto de cientistas nos seus laboratórios. É da constância 
e da intensidade e qualidade destes trabalhos que geralmente de- 
pende a possibilidade de surgirem vez ou outra os grandes feitos 
científicos, capazes de estabelecer um marco, internamente ou até 
em nível internacional. Mais do que o histórico dos grandes feitos, 
é o estudo deste fluxo mais ou menos constante de produção, 
suas inflexões e seus cortes, que interessa para quem está preo- 
cupado com uma história social da ciência. 

Além disso, há ainda outra distorção que com isso se procurou 
neutralizar, no que foi possível. Todos somos, consciente ou in- 
conscientemente, portadores de uma certa preferência quanto ao 
ramo da ciência que, mais do que os outros, representaria o lado 
da produção científica mais importante, mais nobre, mais relevante 
para o progresso da cultura humana, em suma, mais "científico". 
Assim, pode-se dar mais valor ã física do que à zoologia ou astro- 
nomia, preferir a genética à botânica, e assim por diante. Mesmo 
dentro de cada especialidade, existem preconceitos: os trabalhos 
descritivos ou classificatórios são frequentemente desvalorizados 
frente às atividades teóricas e nomológicas. Independente de qual- 
quer justificativa, por mais plausível que fosse, a favor desta ou 
daquela especialidade, optou-se por dar a cada campo o mesmo 
peso e lugar, e a cada ativídade dentro de cada um dos campos, a 
relevância que o autor lhe atribuiu. Assim, fica-se na dependência 
de trabalhos interpretativos posteriores, para detectar estruturas e 
precedências a nível da teoria ou da praxis, que fundamentariam 
um tratamento diferenciado e que certamente terão de ir além de 



336 



337 



um eventual consenso quanto aos preconceitos, ainda que com- 
partilhados pela própria comunidade científica. 

Enfim, o resultado do trabalho está aí. Seguramente haverá 
omissões, erros e imperfeições. Espera-se, no entanto, que sua 
publicação possa vir a ser útil para tantos quanto se interessam 
pelo estudo da produção científica brasileira. E, se assim for, terá 
sido alcançado o objetivo com que foi idealizado. 

Tjerk Guus Franken 



Institucionalização 



Produção científica 



— 1500 — 






1500 — Carta de Pêro Vaz de Ca- 
minha, escrivão da armada de Pedro 
Álvares Cabral, ao rei de Portugal, 
contendo os primeiros dados descri- 
tivos sobre a flora e a fauna do 
Brasil Publicada pela primeira vez 
na Corografia Brasílica, do Pe* Ma- 
nuel Aires do Casal, Impressão Ré- 
gia, Rio de Janeiro, 1817. 

— Primeiras observações astronómi- 
cas realizadas no Brasil registradas 
na carta de 28 de abril e I * de maio 
desse ano a D. Manuel, rei de Por- 
tugal, escrita peio físico e cirurgião 
Mestre João, que acompanhava a ex- 
pedição de Pedro Á vares Cabral. 

1500-03 — As expedições chefiadas 
respectivamente por André Gonçal- 
ves e Gonçalo Neto, tendo Américo 
Vespúcio participado em ambas, 
fornecem observações astronómicas e 
geográficas para o primeiro mapa 
da costa brasileira , elaborado por 
C anti no. 

1503 — Correspondência entre Amé- 
rico Vespúcío e Soderini, com refe- 
rências a fauna do Brasil, publicada 
em letra de forma nesse ano. 

1515 — Os cartógrafos Reinei, pai 
e filho, confeccionam em Lisboa ma- 
pa do Brasil, com dados colhidos 
por Juan Dias de Solis um ano 
antes e conservados em parte por 
Herrera. 

1530-31 — O Diário da Navegação 
da Armada que Foi â Terra do Bra- 
sil em 1550 sob a Capitania-mor de 
Martim Áffonso de Souza Escrito 
por seu Irmão Pêra Lopet de Souza, 
além de outras observações, inclui 
minuciosas referências astronómicas 
e geográficas. 



338 






339 



I n s ti tu cíon a liza ç lo 



Produção científica 



1549 — Fundada na Bahia, pelos 
jesuítas, a primeira escola "de ler e 
escrever" do Brasil, sendo seu pri- 
meiro mestre Vicente Rijo ou Rodri- 
gues. Após vinte anos, os jesuítas 
teriam mais cinco deste tipo: em 
Porto Seguro, Ilhéus, Espírito SantOi 
Sâo Vicente e São Paulo. 



1552 — Leonardo Nunes, jesuíta, 
funda em São Vicente um se min á- 
rio-escola (escola média), transferido 
mais tarde para Piratininga (São 
Paulo), em 1554, passando à catego- 
ria de colégio em 1556, novamente 
transferido para São Vicente em 
I5&1 e fixando-se definitivamente no 
Rio de Janeiro, em 1567, já oficia- 
lizado. 



1 553 — Primeira classe de latim, sob 
direção do irmão António Blasques, 
na Bahia. 



1537 — As observações astronómi- 
cas e geográficas de Pêro Lopes de 
Sousa, feitas na expedição de 1530- 
31, levam Pedro Nunes» nos anexos 
de seu Tratado da Spfhera (Lisboa, 
1537), a criticar as chamadas "car- 
tas de marear quadradas" e intro- 
duzir as "linhas de rumo", hoje de- 
nominadas loxodrômicas. 



1556 — Fundado na Bahia f pelos 
jesuítas, o Colégio de Todos os San- 
tos, para o ensino de retórica, filo- 
sofia e teologia. 



1557 — Criado pelos padres jesuítas 
o Colégio do Rio de Janeiro- 



1556 — Hans Staden publica o livro 
Duas Viagens ao Brasil, após viver 
vários anos no litoral da capitania 
de Sâo Vicente, onde durante muitos 
meses foi prisioneiro dos tu pinam- 
bás. Descreve vários animais, entre 
eles o "hicho-de-pé", cujo nome in- 
dígena, "tunga'\ é adotado defini- 
tivamente pela nomenclatura cien- 
tífica- 



340 



l n stitucionaJ ização 



Produção cientifica 



1558 — Criado pelos jesuítas o Co- 
légio de Olinda, a partir da escola 
elementar c residência anteriormente 
existente. 



1572 — Primeiro curso de artes 
(ciências) no Brasil, no Colégio da 
Bahia dos jesuítas. Constava de ma- 
temática, lógica, física, metafísica, 
ética. Tinha duração de três anos e 
se repetia de quatro em quatro anos- 

1575 — Concedidos os primeiros 
graus de bacharel aos formados pelo 
primeiro curso de artes do Colégio 
da Bahia. 



1578 — Conferidos os primeiros títu- 
los de mestre em artes, no Colégio 
da Bahia, mantido pelos padres je* 
suítas. 



1581 — Concedidos os primeiros 
graus de doutor no Colégio da Bahia, 
com festejos de que participa toda 
a população local ♦ 



1558 — André Thévet, missionário 
francês, publica Les Singular iíês de 
ía France Ántarctique, onde lista 
mais de vinte animais que conseguiu 
conhecer nos meses que passou na 
baía de Guanabara, 



1576 — Tratado da Terra do Brasil 
e a História da Província de Santa 
Cruz, de Pêro Magalhães Gandavo. 

1578 — André Lery, calvinista fran- 
cês, publica pela La Rochelle a 
Histoire d'un Vúyage Faií en ta 
Terre du BrêsH, Amremeni Dite 
Amêriquê, fruto de onze meses de 
observação na baía de Guanabara, 
duas décadas antes da data de pu- 
blicação. 



1582 — Publicada em italiano, par- 
cialmente, a Epistola Quamplurima- 
rum Rerum Naturalium quae S. V7- 
cerni (Nunc S- Pauli) Provinciam 
Incolunt, Sistens Descriptionem, do 
padre jesuíta Anchieta, escrita em 
1580 e somente em 1799 publicada 
na integra em Lisboa* 

15 87 — Gabriel Soares de Sousa 
publica Tratado Descritivo do Bra- 
sil, de cará ter enciclopédico, resul- 
tado de observações nos dezessete 
anos de estada do seu amor na 
Bahia. Pfimelra publicação In exten- 
su por Varnhagen, no Rio P em 1851. 



341 



j nsti tucion alizaçào 



Produção científica 

l 590 (ih) — O jesuíta Fernão Car- 
dim, reitor dos Colégios da Bahia e 
do Rio, procurador e provincial da 
Companhia de Jesus, escreve Clima 
e Terra do Brasil, do Principio e 
Origens dos índios do Brasil e Nar- 
rativa Epistolar de uma Viagem ã 
Bahia, Rio, Pernambuco (,>.)■ 



— 1600 — 



1615 (?) — Ciaude D'AbbevilIe es- 
creve sua H isto ire de la Mission des 
Peres Capucins en 1'lsle de Mara- 
gnan et T erres Circonvoisines, que 
somente em 1864 é publicada em 
forma de livro em Paris, 

1615 — Yves d J Evreux publica sua 
Sultte de VHistoire des Choses Me- 
morabíes Advenues en Maragnan ès 
Ànnées 1613 et 16)4. Evreux foi 
acompanhante de Ciaude d*Abbevíl- 
le, na sua viagem ao Maranhão. 

1618 — Escritos por autor desconhe- 
cido, os Diálogos das Grandezas dõ 
Brasil dão uma ideia das condições 
sociais e económicas do Nordeste; 
publicados pela primeira vez em 
forma de livro em 1930: atribuídos 
por Capistrano de Abreu e Ro- 
dolfo Garcia a Ambrósio Fernandes 
Brandão. 

1627 — Frei Vicente do Salvador 
escreve sua História do Brasil, pu- 
blicada em 1887 pela Imprensa Na- 
cional, por iniciativa de Capistrano 
de Abreu, com diversos capítulos 
tratando da vegetação do país. Teria 
sido a primeira história do Brasil, 

1633 — Joarmes de Laet, membro 
do grupo de cientistas e artistas tra- 
zidos ao Brasil por Maurício de 
Nassau, publica Novus Orbis, basea- 
do nas informações e exemplares de 
animais levados para a Europa pe- 
los holandeses. 



342 



I nst i t u ci o nalizaç a o 

1639 — George Marcgrave instala 
numa das torres do Palácio Friburgo 
de Maurício de Nassau, na ilha de 
António Vaz, o primeiro observatório 
astronómico do hemisfério austral. 



Produção científica 



1641 — Publicado em Madri o No- 
vo Descobrimento do Rio das Ama- 
zonas, do padre Cristobal de Acuna, 
de caráter geográfico, incumbido pa- 
ra tal por Cláusula da Provisão Real 
da Audiência de Quito em nome de 
sua Majestade, tendo para isto acom- 
panhado a Pedro Teixeira na volta 
de sua viagem a Quito (1637-1639) 
pelo rio Amazonas. 



1647 — Gaspar Barleus publica em 
Amsterdam. pela íoannis Blaeu T os 
doze volumes intitulados História 
dos Feitos Recentemente Praticados 
Durante Oito Anos no Brasil e Nou- 
tras Partes sob o Governo do Ilus- 
tríssimo João Maurício, Conde de 
Nassau (...), oito dos quais cons- 
tituem o legado científico de Geor- 
ge Marcgrave. 



1648 — Publicação de Historia Na* 
turalis Brasiíiae, escrita por George 
Marcgrave e Wílhelm Pies, médicos 
da missão holandesa trazida por 
Maurício de Nassau. 



1658 — No seu De indiae Utriusque 
Re Naiurati et Medica, publicado 
pela Elzeviers de Amsterdam, 
Wílhelm Pies (Piso) inclui, de Marc- 
grave, a obra Tractatus Topogra- 
phicus et Meieorologicus Brasiliae 
com Eclipsis Solaris. 



343 



Imú tuci Dualização 



Produção científica 

1672 — No seij Ttphys Lusitano ou 
Regimento Náutico Novo o Qual 
Ensina a Tomar as Aí t uras, Desco- 
brir os Meridianos e Demarcar a 
Qualquer Hora do Dia e da Noite, 
Com um Discurso Pratico sobre a 
Navegação de Leste a Oeste, Valen- 
tim Estancel apresenta ao príncipe 
de Portugal um novo tipo de astro- 
lábio, de interesse astronómico e 
náutico. 

1683 — Valentim Estancel {1621- 
1705), padre jesuíta que veio ao 
Brasil em 1663 e aqui faleceu, pu- 
blica em Praga seu Lega tus Uranicus 
ex Orbe Novo in Veterem ( . . . )j 
comentado nas Acta Erudiiorum de 
Leipzig de 1683. Outros trabalhos 
lhe mereceram comentários no four- 
naí des Savants de Paris de 1685, 
tomo IH, e uma referência de New- 
ton nos Principia Mathemaiica. 

1684 — A pedido do rei de Portu- 
gal e do padre António Vieira, o 
jesuíta Aloísio Conrado Pfeíl elabo- 
ra o mapa Grande Rio Amazonas. 
Participou também de uma série de 
explorações para determinar os li* 
mites das terras de Portugal com 
os das de Espanha e de Franca, no 
Norte do país, depois usados pelo 
barão do Rio Branco para a defesa 
dos direitos sobre o Amapá- 

1685 — Valentim Estancel publica 
sua Urano philus Coetestis Peregrinus 
(...) (Gandavi, 1685). 

1691 — O jesuíta Samuel Fritz, após 
percorrer o Amazonas em toda sua 
extensão, elabora o Mappa Geográ- 
fico dei Rio Maranon (Amazonas), 
baseado também nos mapas do je- 
suíta Aloísio Pfeih teve grande im- 
portância para a geografia do Norte 
do país. 



I nstitu cion ali zação 



1699 — Criação da Escola de Artes 
e Edificações Militares na Bahia. 






344 



Produção cientifica 

1698-99 — O astrónomo francês A. 
F. Couplel passa um período nu 
Norte do Brasil, fazendo medidas 
astronómicas e geográficas ligadas as 
teorias gravítacionais. 

1699 — O astrónomo inglês Haíley 
passa por vários pontos do litoral 
brasileiro, determinando a declina- 
ção magnética, para testar uma teo- 
ria sua. 



_ 1700 — 



1709 — O brasileiro padre Bartolo- 
meu Lourenço de Gusmão consegue 
em Portugal fazer subir um balão 
cheio de ar quente, precedendo as- 
sim as famosas experiências dos ir- 
mãos Mofitgolfier. 



1710 — Publicado em Lisboa Cultu- 
ra e Opulência do Brasil por Suas 
Droga* t Minas, de autoria do padre 
jesuíta João António Andreoni, sob 
pseudónimo de André João AntoniL 
As descrições se referem basicamen- 
te ao séc, XVI I. 



1730 — Editada em Lisboa a Histó- 
ria da América Portvgueza, de Ro- 
cha Pita, que, além dos dados his- 
tóricos não tão relevantes, dedica 
parte às plantas de cultura, 



1730-37 — Os padres jesuítas Do- 
mingos Capassi e Diogo Soares, ma- 
temáticos e astrónomos régios no* 
meados por D. João V, fazem o 
primeiro levantamento das latitudes 
e longitudes de grande parte do Bra- 
sil. Além de mapas, elaboram uma 
Tabuada das Latitudes dos Princi- 
pais Portos, Cabos e Ittias do Mar 
do Sui *na América Austral e Por- 
tuguesa, 



345 



Institucionalização 



Í758 — Criação de uma "Aula de 
Artilharia" no Rio de Janeiro. 



1739 — Criado, por provisão do bis* 
po D. Frei António de Guadalupe, o 
Seminário dos órfãos de São Pedro, 
mais tarde chamado de São loaquim. 
Posteriormente transformado em casa 
de artesãos, em 1837 dará origem ao 
Colégio D. Pedro ífi 



Produção científica 

Í735 — Publicados em Londres os 
Histórica! Account s oj the Discove- 
ry of Golã and Diamonds in Minas 
Gerais, de Jacó de Castro Sarmento. 



1745 — Charles Marie de la Conda- 
mine» astrónomo francês, publica sua 
Rêlation Abrégêe d'un Voyage Fait 
dans llntêrieur de VAmerique Me- 
ridionaíe {. . .) avec une Carte du 
Maragnon , ou de ía Ri vière des 
Amazones (Paris* Veuve Pissot), 
dando com bastante exatidão o curso 
do rio e um mapa das regiões 
vizinhas. 



1746 — Luís António Vemey publi- 
ca suas dezesseU cartas sob o tftuío 
de Verdadeiro Método de Estudar, 
que colocaram em questão toda a 
pedagogia autoritária e escolástica 
dos jesuítas, predominante em Por^ 
tugal 3té sua expulsão em 1759 por 
Pombal, 



1749 — Alexandre de Gusmão, co- 
mo principal organizador, elabora o 
Mapa dos Confins do Brasil com as 
Terras de Espanha na América Me- 
ridional, em verdade a primeira carta 
oficial do Brasil, e que serviu de 
base para as negociações do Trata- 
do de Madri 



346 



! nstitucion aliza ção 



Produção científica 



1759 — Expulsão dos jesuítas de 
Portugal e colónias, desorganizando 
o sistema de ensino eclesiástico, 

1768-72 — Reforma da Universidade 
de Coimbra (Portugal) pelo marquês 
de Pombal, criando faculdades de 
filosofia e matemática e o sistema 
de "aulas régias", 

1771 — Fundada no Rio de Janeiro 
a Academia Científica, primeira dedi- 
cada à ciência, sob auspícios do vice- 
reí marquês do Lavradio e por pro- 
posta de seu médico, José Henriques 
Ferreira. Com nove membros* pre- 
tendia dedicar-se à física, química e 
história natural e também à medici- 
na, cirurgia, farmácia e agricultura. 
Fechou em 1779, por falta de mem- 
bros. 



1772 — Introduzido pela primeira 
vez no ensino superior de Portugal 
o ensino da química, na Universida- 
de de Coimbra. 

1773 — Criado em Coimbra o Curso 
de Matemática, de quatro anos, per- 
mitindo aos alunos travar conheci- 
mento com as ideias de Descartes, 
Newton, Leibnitz, Antes havia ape- 
nas uma cadeira de matemática, en- 
quadrada na Faculdade de Medicina, 



1752-59 — Em função do Tratado 
de Madri, de 1750, que visava de- 
limitar as fronteiras entre as terras 
portuguesas e espanholas, vêm ao 
Brasil sucessivas missões de astró- 
nomos, entre eles Miguel Ângelo 
BI asco, Bartolomeu Panigai S. [«, 
íosé Fernandes Pinto Alpoim, Antó- 
nio de Veiga e Andrade, Manuel Pa- 
checo de Cristo, José Custódio de 
Sá e Faria, Miguel Cierâ e João 
Bento Python, 



347 



Institucionalização 



Produção científica 



1779 — Introduzido o cálculo dife- 
rencial e integral nos programas da 
Academia Real de Marinha em 
Lisboa. 



1784 — Criação, no Rio de Janeiro, 
de um gabinete de estudos de histó- 
ria natural, conhecido como Casa dos 
Pássaros que, juntamente com a Co- 
lega o Mineralógica Werner, serviu 
de base para a criação do Museu Na- 
cional, em 1818. Extinto em 1810, 
seu acervo passa ao Arsenal do 
Exército, que o passa, jã desfalcado, 
em 1816 à Academia Militar, in- 
do em 1818 para o Museu Nacional. 



1785-1792 — Alexandre Rodrigues 
Ferreira, médico baiano formado em 
Coimbra, viaja do Pará ao Mato 
Grosso, pelos rios Amazonas, Negro, 
Branco, Madeira e Guapo ré, Teve 
suas coleções botânicas e zoológicas 
transportadas para Lisboa, Os resul- 
tados de suas pesquisas, reunidos na 
Viagem Philosophica, só foram pu- 
blicados bem^depois. Antes, este ma- 
terial foi apropriado em 1808 por 
Geoffroy de Saínt-Hilaire, por oca- 
sião ás invasão napoleônica em Por- 
tugal. 



1775 — Publicados os mapas que 
Filipe Sturn elabora da região do 
Rio Branco (Amazónia). Do mesmo 
ano são os mapas de Gronfeld, am- 
bos resultado dos trabalhos de de- 
marcação decorrentes do Tratado de 
Madri (1750). 



1781 — Em função do Tratado de 
São Ildefonso, de 1777, chega ao 
Brasil expedição de astrónomos e 
geógrafos para determinar os limi- 
tes com as colónias espanholas, no 
Sul, distirsguindo-se três brasileiros: 
António Pires da Silva Pontes, Fran- 
cisco José de Lacerda e Almeida e 
Ricardo Franco de Almeida Serra, 



348 



I nst itucíonalizaçao 



Produção científica 



1786 — Organizada a Sociedade Li- 
terária do Rio de Janeiro, com apro- 
va ção do vi cerei Luís de Vasconce- 
los, sucedendo à Sociedade Cientí- 
fico, fundada pouco antes por Ma- 
nuel Inácio da Silva Alvarenga, mas 
dr curta duração. A Sociedade Lite- 
nirm fechou em 1794 por motivos 
políticos. 



1791 — Criação dos cursos de botâ- 
nica e agricultura, zoologia e mine- 
ralogia, física, química e metalurgia 
na Faculdade de Filosofia da Univer- 
sidade de Coimbra. 



1788-89 — Sanches Dor ta realiza 
uma séríe de observações astronó- 
micas e meteorológicas em São Pau- 
lo* posteriormente publicadas sob tí- 
tulo de Observações Astronómicas 
e Meteorológicas Feitas na Cidade 
de São Paulo, América Meridional 
— 1788-89. Outro artigo, da mesma 
época, tem o titulo de "Diário Phy- 
sico-meteorológico de Outubro, No- 
vembro e Dezembro de 1788 da Ci- 
dade de São Paulo", publicado nas 
Memórias da Academia Real das 
Ciências de Lisboa. Ill (1812), 



1790 (?) — Frei José Mariano da 
Conceição Veloso (1741-1811) elabo- 
ra sua Flora Fluminensis, que reúne 
1700 espécies. Este trabalho caiu 
nas mãos de Geoffrey de Saint-Hi- 
laire, em 1808, junto com os H traba- 
lhos de Alexandre Ferreira Rodri- 
gues, Do mesmo autor é o Aviário 
Brasílico. A Flora veio a público em 
1S27, 



1792 — Criada a Real Academia de 
Artilharia, Fortificação e Desenho da 
Cidade do Rio de Janeiro. 



1792 — José Bonifácio de Andrada 
e Silva (1763-1838) publica nos 
Annales de Ckimie de Paris a sua 
" Memória sobre os diamantes do 
Brasil". 



349 



I nstirucionalizsçao 



Produção científica 



Institucionalização 



Produção cientifica 



1797 — Publicado nas Memórias da 
Academia Real das Ciências de Lis- 
boa, tomo 1, o trabalho "Observa- 
ções Astronómicas Feitas Junto ao 
Castelo da Cidade do Rio de Janei- 
ro para Determinar a Latitude e a 
Longitude da Dita Cidade tt i de San- 
ches Dor ta, a partir de observações 
feitas entre 1781 e 1783. 



1798 — Organizada a primeira car- 
ta compreensiva de todo o Brasil e 
uma parte da América meridional, 
pelo mineiro António Pires da Silva 
Pontes (1 7507-1805), formado em 
Coimbra, tendo participado como 
astrónomo da Comissão de Demar- 
cação de Mato Grosso e de outros 
trabalhos de exploração e estudos, 
sendo nomeado íente da Academia 
dos Guardas-marinha em 179L 

— Com a memória de José Vieira 
do Couto, intitulada Memória sobre 
a Capitania de Minas Gerais, Seu 
Território, Clima e Produções Me- 
tálicas, sobre a Necessidade de Res- 
tabelecer e Animar a Mineração De- 
cadente (..,), aparecem as primei- 
ras notas sobre as condições geoló- 
gicas do país. O mesmo autor escre- 
ve uma segunda memória em 1801, 
publicada somente em 1842 + 

— Manuel Jacinto Nogueira da Ga- 
ma traduz para o português as Re- 
flexões sobre a Metafísica do Cálcu- 
lo Infinitesimal, de Carnot, e a 
Teórica das Funções Analíticas , de 
Lagrange, este último, um ano após 
o original francês. 



1799 — Nas Memórias da Academia 
Real das Ciências de Lisboa, Bento 
Sanches Dorta publica suas * Obser- 
vações Meteorológicas Feitas na Ci- 
dade do Rio de Janeiro", realizadas 
entre 178I-B5 de hora em hora, 



_ 1800 — 



1800 — Em função da política de 
segregação do Brasil, adotada por 
Portugal» o naturalista alemão Von 
Humboldt é proibido de vir para cá. 

— Traduzidos para o português, por 
Manuel Ferreira de Araújo Guima- 
rães, o Curso Elementar e Completo 
de Matemáticas Puras, de Lacaille, 
e a Explicação da Formação das Tá- 
buas Logarítmicas t do abade Mane. 



1807-10 — O naturalista inglês John 
Mawe realiza viagem pelo interior 
do Brasil, de que resultaram valio* 
sas contribuições para a geografia 
do país. 



— 1808: Transferência da Corte portuguesa para o Brasil — 

1 80S *- Vinte e cinco dias após de- 
sembarcar na Bahia, D, João VI cria 
o Colégio Médíco-Cirúrgico da Bahia, 
no Hospital Militar. A iniciativa cou- 
be a José Correia Picanço, pernam- 
bucano formado em Montpellier, Lis- 
boa e Paris, catedrático de Coimbra 
c cirurgião-mor do Reino e da Casa 
Reah Primeiros oito anos de funcio- 
na mento rudimentar, com dois pro- 
fesso res, quatro anos de duração. A 
partir de 1816, passa a funcionar efe- 
it vãmente. 

Criação da Escola Médíco-Cirúr- 
ftlCfl do Rio de Janeiro, instalada no 
Hospital Militar em moldes análogos 
h riu Bahia, 

J u n to com a vinda da Corte 
puiuguesa para o Brasil, o prínci- 
pe D. João VI transfere para o Rio 
<!>< Janeiro a Companhia dos Guar- 
duai-rnurinha, com seu diretor e boa • 

f>IUrlG dos lentes e professores da 
A endemia Real da Marinha. 



350 



351 



Instíructon ali zaç ão 

— Criado por D. João VI, na Fa- 
zenda da Lagoa de Rodrigo de Frei- 
tas, o Real Horto, mais tarde Jardim 
Botânico do Rio de Janeiro, desti- 
nado a princípio, como jardim de 
aclimação, à introdução no Brasil da 
cultura de especiarias das Índias 
Orientais. 

— É fundada no Rio de Janeiro, 
por D, Joio VI, a Impressão Régia, 

1S09 — Criado no Rio de Janeiro 
um observatório astronómico e me- 
teorológico para uso da Companhia 
dos Guardas-mariuha. 



Produção cientifica 



IS 10 — Criada no Rio de Taneiro a 
Academia Real Militar, com o pri- 
meiro ff curso completo de Sciencias 
Mathem atiças, de Sciencias de Obser- 
vação, quaes a Physica, Chymica, Mi- 
neralogia, Metallurgia e Historia Na- 
tural, que comprehenderá o Reino 
Vegetal e Animal e das Sciencias Mi- 
litares em ioda a sua extensão, tanto 
de Táctica como de Fortificação e 
Artilharia" (Carta de Lei de 04-12- 
18í0> + Criada por D, João VI, foi 
transformada em 1&5Í5 em Escola 
Central P de tendência civil e em 1874 
em Escola Politécnica. Inicialmente 
seu curso tinha duração prevista pa- 
ra sete anos. 

— Criado na Academia Real Mi- 
litar, do Rio de Janeiro, um Cur- 
so de Matemática de quatro anos* 
composto de quatro cadeiras e aulas 
diárias de hora e meia. Seus com- 
pêndios se baseavam nas obras de 
Euier, Bezout, Monge, Legendre, La- 
croix, Laplacé* iFrancoeur, Prony, 
Delambre, Lacaillè, Delandre, Hauy 
e Brisson. 



1809 — Traduzidos para o português 
e dois anos depois adofados para o 
Curso de Matemática da Academia 
Real Militar os Elementos de Geo- 
metria e o Tratado de Trigonome- 
tria, de Legendre, e os Elementos 
à l Álgebrã % de Leonardo Euler. A 
partir de 1815 T a tradução de livros 
estrangeiros se torna cada vez me- 
nos frequente. 

1810 — Publicadas, pela Impressão 
Régia no Rio de Janeiro, Ephemeri- 
des Náuticas ou Diário Astronómico 
para o Ânno de 1811, Calculado pa- 
ra o Meridiano do Rio de Janeiro, 
por Joaquim Moreira Dias, primeira 
publicação do género no pafs. Pu- 
blicação anual, com antecedência, 
até 1S20. 



i 



352 



Institucionalização 

— Criada na Academia Real Militar 
ít cadeira de Química para ser dada 
no quinto ano, Seu lente daria * to- 
jos os métodos docimásticos para. o 
conhecimento das minas, servi ndo-se 
das obras de Lavoísier, Vauquelin. 
Jouveroi, de la G range j Chaptal". 

— Fundada no Río de Janeiro a 
primeira Biblioteca Pública do país. 

- Organizado o Real Gabinete de 
Mineralogia por Wilhelm Ludwig 
von Eschwege (1777-Í855), engenhei- 
ro de minas e geólogo alemão, a ser- 
viço da Coroa portuguesa a partir 
de 1803* Trata da imediata instalação 
da Coleçao Warner de mais de 3 mil 
amostras, comprada na Alemanha. 
Mais tarde esta coieção formaria o 
núcleo inicial do Museu Imperial, 
fundado em ISIS. 

— Formada a Real Sociedade 
Bahiense dos Homens de Lettras. 
Seu principal promotor, Luís Antó- 
nio de Oliveira Mendes, sócio da 
Academia das Ciências de Lisboa , 
consegue atrair como membros Do- 
mingos Vandelli e José Bonifácio, 
entre outros, também da Academia. 



Produção científica 



1811-21 — Wilhelm Ludwig von Es- 
chwege realiza suas pesquisas em 
mineralogia, principalmente em Mi- 
nas, a serviço da Corte portuguesa 
no Brasil, cuidando também do apro- 
veitamento económico dos minerais. 
Os principais resultados de suas pes- 
quisas foram publicados em Geog- 
nostisches Gemãlde von Brasilien e 
principalmente em Pluto Brasil iensis 
(1833), 



353 



1 nsti turionalbação 



Produção científica 



1812 — Criado pelo príncipe-re gente 
o Laboratório Químico- Prático no 
Rio de Janeiro, para proceder a ope- 
rações químicoindustriais, tendo, no 
entanto, suas a tiv idades se degenera- 
do rapidamente para ligeiros exames 
de produtos e drogas farmacêuticas. 

— Criado o cargo de diretor dos 
Estudos Médicos-Cirúrgicos da Corte 
e Estados do Brasil, sendo nomeado 
Manuel Luís Alves de Carvalho para 
ocupá-lo, 

— Criado um Curso Publico de 
Agricultura, para ser dado de dois 
em dois anos, e nomeado professor 
de Agricultura o diretor do Jardim 
Botânico, Domingos Borges de Bar- 
ros, formado em Coimbra. 



1812 — J. Mawe publica em Lon- 
dres seu relato sobre Traveis trt the 
Interior of Brazií (._>). 

— Publicado por Manuel Ferreira 
de Araújo Guimarães, para uso na 
Academia Real Militar, o folheto 
Variação dos Triângulos Esféricos, 
impresso na Impressão Régia. 



1813 — Fundado, no Rio de Janeiro, 
O Patriota, jornal literário, político 
e mercantil do Rio de Janeiro, diri- 
gido por Manuel Ferreira de Arauto 
Guimarães* Aparece somente entre 
1813 e 1814, tendo nele colaborado 
entre outros José Bonifácio e Silves- 
tre Pinheiro, 

— Primeira reforma do ensino mé- 
dico do Brasil, empreendida por Ma- 
nuel Lufs Alves de Carvalho, diretor 
dos Estudos Médicos-Cirurgicos da 
Corte e Estados do BrasiL Esta re- 
forma, ao contrário da tentativa de 
1812 de Navarro de Andrade, é me- 
díocre e sem visão. Prevê um curso 
de cinco anos. Falhou, no entanto, 
pelas resistências a ela opostas. 



1813 — Manuel Ferreira de Araújo 
Guimarães publica em O Patriota, 
jornal que dirige, suas "Reflexões 
sobre as Derrotas de Estima e Suas 
Correlações*. 



1813-14 — Publicadas em Londres, 
na revista Patriota Brasileiro, obser- 
vações meteorológicas feitas no Rio 
de Janeiro, na época. 



354 



Institucionalização 

1814 — O príncípe-regente D. Joio 
abre ao público a Biblioteca Real, 
com 60 mil volumes, que em 1808 
trouxera de Portugal, inslalando-a no 
Hospital dos Terceiros do Carmo, 
dando assim origem à Biblioteca im- 
perial, transformada em 1889 em Bi- 
blioteca Nacional. 



Produção científico 

1814 — Apresentada na Academia 
Real Militar, por foâo dos Santos 
Barreto, pequena memória intitula- 
da Memória de Trigonometria, pu- 
blicada somente em 1823, pela Ti- 
pografia Nacional. 

— Publicados no Rio de Janeiro, 
pela impressão Régia, os Elementos 
de Astronomia para Uso dos Alum- 
nos da Academia Real Militar Or- 
denado por Manoel Ferreira de 
Araújo Guimarães, Embora sem ori- 
ginalidade, mostra estar perfeitamen- 
te a par dos progressos na astrono- 
mia até então. 



1815 — Francisco Vilela Barbosa, 
futuro marquês de Paranaguá, pu- 
blica, às custas da Academia Real 
das Ciências de Lisboa, seus Elemen- 
tos de Geometria, de grande popu- 
laridade no Brasil e ern Portugal, 

— Apresentado â Academia Real 
Militar do Rio de Janeiro o traba- 
lho Ensaio Trigonométrico, por Ma- 
nuel José de Oliveira, Junto com os 
opúsculos de João dos Santos Barre- 
to e Manuel Ferreira de Araújo 
Guimarães, foram esses os primeiros 
e ao mesmo tempo os mais interes- 
santes escritos no país, até a Inde- 
pendência, segundo Oliveira Castro. 

— Publicados peta Impressão Régia 
no Rio de Janeiro os Elementos de 
Geodêsia para Uso dos Discípulos 
da Academia Real Militar Desta 
Corte Ordenados por Manoel Fer- 
reira de Araújo Guimarães. 



355 



Institucional ízaçâo 



Produção científica 



18 15-17 ^ — Viagem do príncipe Maxi- 
miliano von Wied-Neuwíed, natura- 
lista de grandes recursos, para ob- 
servações zoológicas, botânicas e 
etnológicas na região entre Rio de 
Janeiro e Salvador* com grande in- 
cursão no interior da Bahia até as 
fronteiras com Minas. Resultados 
publicados em Reise nach Brasilien 
(1820-21), e Beitràge zur Naturges- 
chlchte Brasiliens (1825-32). 

181 5-3 1 — O naturalista Fnedrich 
Sellow, cuja vinda se deve a Langs- 
dorff, viaja pelo interior de Espírito 
Santo e Bahia, acompanhado por 
Freyreiss e pelo príncipe Ma xi mi lia- 
no von Wied-Neuwied; por São 
Paulo e Minas, com Von Olfers; e 
pelo Sul, Mato Grosso e Goiás, Seu 
material foi o mais utilizado para a 
Flora Brasil iensis de Von Martius, 



1816 — O Colégio Médico-Cirúrgico 
da Bahia é obrigado a se enquadrar 
na Reforma Alves de Carvalho, de 
1813, e passa a funcionar de modo 
efetivo. 



1816 22 — Permanência no Brasil 
do botânico Auguste de Sainf-Hilai- 
re t tendo viajado peíos estados de 
Espírito Santo, Rio de Janeiro, Mi- 
nas, Goiás t São Paulo, Santa Cata- 
rina e Rio Grande do Sul. Enviado 
pelo Museu de París, junto com 
Pierre Antoine Delalande, que ficou 
poucos meses. Resultados publicados 
em Flora Brasiliae Meridíortalis (Pa- 
ris, 1824-33) e relatórios de viagem, 
como a Viagem à Província de São 
Paulo e Resumo das Viagens ao Bra- 
sil. Província Cís platina e Missões 
do Paraguai. 



ISI7 — Criada no Colégio Médico- 
Cirúrgico da Bahia uma cadeira de 
Química, sendo nomeado para rege- 
la Sebastião Navarro de Andrade, 
doutor pela Universidade de Coim- 
bra. Destinava-se ao ensino de me- 
dicina, cirurgia, farmácia, agricultu- 
ra e diversos outros fins úteis. Ao 
contrário das instruções, era teórica 
e funcionou muito precariamente. 



1817 — Chega ao Brasil a missão 
cultural e científica austríaca; acom- 
panhando a arquiduquesa Leopoldi- 
na d 'Áustria, trazendo os zoólogos 
J. C Mikan, fohan von Natterer, 
lohan Baptist Spíx, Gíuseppe Raddi, 
o botânico Karl Philipp von Mar* 
tius, os naturalistas Schott e Pohl 
e o desenhista Ender, 



356 



Institucionaliza çio 



Produção Científica 



1818 — D. João VI (1797-1826) fun- 
da no Rio de fanei ro o Museu Real, 
posteriormente Museu Imperial e 
depois Museu Nacional, por suges- 
ino de Tomás de Vila Nova Portu- 
gal* "para propagar o conhecimento, 
promover estudos nas ciências ■ natu- 
rnis e conservar material digno de 
observações". Seu primeiro diretor 
Ini o franciscano Fr, José da Costa 
A /.e vedo, falecido em 1822. Após um 
uno de interina to de João de Deus 
t- Muitos, é nomeado para o cargo 
íp ijuímíco Joio da Silva Caldeira, 
UMimklo em Edimburgo, 



— Publicada a Corografia Brasílica 
ou Relação H istârico-úeogrâfica do 
Reino do Brasil, do padre Manuel 
Aires de Casal, primeiro manancial 
de notícias sobre o conjunto do país, 

— Francisco de Borja Garção Sto- 
ckler, no Rio de Janeiro, escreve a 
ultima nota para seu Ensaio Histó- 
rico sobre a Origem e os Progressos 
das Matemáticas em Portugal, publi- 
cado em Paris em 1819. Stockler 
permanece no Brasil até 1820, sendo 
membro da junta de direção da Aca- 
demia Real Militar desde 1815 até 
aquela data, 

— Francisco Vilela Barbosa publica 
seu Breve Tratado de Geometria 
Esférica, em aditamento à primeira 
edição de seus Elementos de Geo- 
melria. 



1817-35 — Permanência no país do 
zoófogc Joban von Natterer, da mis- 
são científica austríaca, cuja remessa 
de espécimes do Rio de Janeiro, 
São Paulo, Paraná, Minas t Goiás, 
Mato Grosso, Amazonas e Pará ali- 
menta anos afora os cientistas do 
Museu de Viena, Na remessa se des- 
tacara 1J46 mamíferos, 12.295 aves 
e 2 mil vidros de helmintos. 



357 



Institucionalização 

1819 — È ampliado e aberio^ao pú- 
blico, por D. João VI, seu criador, 
o antigo Real Horto, agora sob nome 
de Real Jardim Botânico, mantendo 
sua função original de jardim de 
aclimação. É anexado ao Museu Na- 
cional, ficando assim sob direção de 
alguns cientistas ilustres, como frei 
Custódio Serrão, César Burlamaqui 
e P, G, Pais Leme, 



1820 - Instituída, pelo príncipe-re- 
gente, uma pensão de 600$000 ao 
naturalista Frederico Sellow, "a fim 
de se occupar em algumas viagens e 
explorações philosophlcas por diver- 
sas partes do Brasil", com obrigação 
de repartir as coleções. Esta comis- 
são foi confirmada e regularizada por 
D, Pedro I em 1821. 



3821 — Por ato do então regente D. 
Pedro I t é decretada a entrada fran- 
ca de livros no pais. 



Produção científica 

1819 — Publicado em Roma Di 
Alcune Specie Nuové di Rèttili i 
Pi ante drasifiane, por De Raddu in- 
tegrante da missão científica aus- 
tríaca, 

í 8 1 9-20 — Expedição hidrográfica 
francesa para o mapeamento deta- 
lhado do litoral brasileiro. 



182G — O barão Von Langsdorff, 
nomeado cônsul da Rússia, é encar- 
regado por esse pais de organizar 
uma comissão científica, da qual 
fazem parte Freyreíss* Riedel, botâ- 
nicos: Christian Hasse, zoólogo; e o 
naturaltstacolecionador Eugène Mé- 
nétriès. O herbárío de 60 mil exem- 
plares foi levado para São Peters- 
burgo. 

— Frei Leandro do Sacramento pu- 
blica sua Nova Plantafum Genera e 
Brasil ia. 

— Publicado em. Viena o Detectas 
Florae et Faunae Brasiliensis t de J, 
C Mikan, como primeiro resultado 
da missão científica e cultural 
austríaca, 

J82M3 — Publicadas as Zoológica! 
I ilustrai tons, de William Swainson, 
resultado de sua permanência em 
Recife e no Recôncavo Baiano em 
1816*17, durante a qual remeteu 760 
espécies de aves e 20 mil espécies 
de ínsetos. 



— 1822: Independência do Brasil — 



1822 — José de Sá Bittencourt Câ- 
mara oferece ao ministro José Boni- 
fácio de Ándrada e Silva uma Me- 
mória Mineralógica do Terreno Mi 
neiro da Comarca de Sabará, 



358 



institucionalização 



Produção científica 



— Wílhelm Ludwíg von Eschwege 
publica seu Geognostisches Gemàlde 
von Brasilietit em que descreve os 
vários terrenos de Minas Gerais. 



1823-51 — Publicado em Munique 
Reise in Brasilien* de Johan Baptist 
von Spix e Cari Friedrich von Mar- 
tios, resultado de suas viagens pelo 
Brasil entre 1817 e 1820, Quase si- 
multaneamente publicam Nova Ge- 
nera et Species Plantaram Brasilien- 
sis r sua Historia Naturatis Palma- 
ram, cujo último volume sai em 
1850, e ícones Selectae Plantar um 
C ryptogam tear um . 



1824 — Criação, no Museu Nacional, 
do primeiro Laboratório de Física e 
Química, organizado pelo seu dire- 
tor João da Silva Caldeira, médieo- 
químicú formado em Edimburgo e 
tendo trabalhado em Paris com Vau- 
quelin, Laugier e o mineralogista 
Hauy. Nesse Laboratório eram mi- 
nistradas as primeiras aulas práticas 
de física e química das escolas mé- 
dicas e militares do Rio, O Labora- 
tório eclipsou entre 1866-74 (gestão 
Freire Alemão). Retoma impulso com 
Ladislau Neto (1874-93). A partir de 
meados do século, franqueado, por 
ordem do imperador* ao chefe da 
Polícia da Corte para análises medi- 
co-legais, 

— Criada, no Colégio Médico-Cirúr- 
gíco da Bahia, a cátedra de Farmá- 
cia, regida por Manuel Joaquim Hen- 
riques de Paiva, existindo já a partir 
iIl* 1820 de modo irregular. 

1824.29 — O Jardim Botânico do 
Rio de Janeiro, na gestão de frei 
Lcnndro do Sacramento, passa a 
assumir características de estabeleci- 
mutuo científico. 



1824 — Q preceptor de D. Pedro II, 
frei Pedro de Santa Mariana, ^publi- 
ca pela Tipografia Nacional o fo- 
lheto Memória sobre à Identidade 
dos Produtos que Resultarão dos 
Mesmos Fatores Diversamente Mul- 
tiplicados entre Si. Embora visivel- 
mente incorre to, representa uma das 
primeiras tentativas de pesquisa ma- 
temática no país. 



359 



I ns tít u cion ali sacio 



Produção cientifica 

1825 — Publicado por Silveira Cal- 
deira o primeiro compêndio sobre 
assuntos químicos escrito no Brasil: 
Nova Nomenclatura Chimica Portu- 
gueza> Lai irra e Franceza (Rio de 
Faneiro» Tip. Imperial e Nacional). 

— Publicado em Londres Wande- 
rings in South Atnerica, de C. Wa- 
terton, biólogo, contemporâneo de 
Swainson em Pernambuco (1816- 
1817). 



1825-29 — Viagem pelo Brasil do 
naturalista inglês WÍIliam John Bur- 
chell, resultando cm rico her bário 
de 50 mil exemplares, incorporado 
em 1863 ao herbárío de Kew, Suas 
descrições, no entanto, ficaram iné- 
ditas. Além disso» enquanto astró- 
nomo, fez inúmeras observações, en- 
tre outras, sobre a variabilidade de 
certas estrelas. 



1825-80 — Presença no Brasil de 
Peter Wilhelm Lund, naturalista di* 
namarquês, que fixa residência a 
partir de 1833 em Lagoa Santa (Mi- 
nas). No seu período mais produtivo 
(1825-48), autor de inúmeras publi- 
cações na área paleontológica, zooló- 
gica, biológica e botânica, entre as 
quais A Fauna Extinta das Cavernas 
e Sur VÀntiquitê de ia Race Ameri- 
caine. Conta to obrigatório para inú- 
meros cientistas* entre eles f, Rei- 
nhardt, Riedel, Peter Claussen e prin- 
cipalmente Eugenius Warming, que 
publica sua famosa obra ,4 Lagoa 
Santa e é considerado o pai da fitoe- 
cologia. 



I nst i t udon alizaç ao 



360 



1827 — O Museu Nacional recebe 
pela primeira vez uma coleçao de 
museu estrangeiro, no caso o de Ber- 
lim. Esta coleção ornitológica era 
uma retribuição de dezessete caixas 
com objetos naturais enviados daqui 
dois anos antes, 

— O governo imperial decide criar 
um Observatório Astronómico no 
Rio de Janeiro, ligado à Academia 
Real Militar, para orientar os estudos 
geográfico-geodésico-osíronômicos do 
país, sem efeitos práticos, no entanto. 
Somente em Í848, após receber seus 
regimentos definitivos, íniciam-se 
efetivaménte os trabalhos. 



Produção científica 

1826 — Publicado em Paris, pela 
tmpnmerie Royale, o trabalho de 
Roussjn La Pilote du Brésii, com 
cartas pormenorizadas e precisas do 
litoral brasileiro, resultado dos do- 
cumentos colhidos durante a expedi- 
ção hidrográfica francesa de 1819-20, 

— Permanência no Brasil do médi- 
co-naturalista genovês Libero Bada- 
ró, que se dedicou especialmente aos 
estudos botânicos das convolvuláceas 
e filicínias, 



1 827-31 — Publicados dois volumes 
de Plantaram Brasil iae ícones et 
Descri ptiones, de Johann Emmanuel 
Pohl, médieo-naturalista que esteve 
entre nós de 1817 a 1821, participan- 
do da missão científica austríaca. 



1831-32 — Poeppig se dedica espe- 
cialmente ao estudo da flora ama- 
zonica, tentando completar as ob- 
servações fítogeográficas de Von 
Martíus, descobrindo espécies novas, 
basicamente de orquídeas, publica- 
das em Nova Genera ac S pedes 
Plantamm quas in Regno Chitensis, 
Peruviana et in Terra Amazanica ab 
Annis 1827-32 et cum Stephano En* 
dlicher Descri psit Icombusque Ilhts- 
travit. 



361 



J ns ti tu cíon allz aç Io 

1832 — Segunda reforma do ensino 
médico, transformando os cursos de 
medicina da Bahia e do Rio em es- 
colas ou faculdades de medicina, 
aumentando o curso de cinco para 
seis anos, com catorze catedráticos 
em três seções: ciências acessórias, 
médicas e cirúrgicas, e dando gran- 
de autonomia à congregação, Apa- 
rentemente nunca foi realmente 
implementada. 

— Criação do curso de Farmácia da 
Faculdade de Medicina do Rio de 
Janeiro. 

— É criada a cadeira de Física nos 
cursos médicos do país, 

— Primeira tentativa de criação de 
uma Escola de Minas, em Vila Rica 
(Ouro Preto) , por lei expedida pela 
Regência. Ficou» no entanto, sem 
efeito prãtíco. 

— Reunidas, numa só instituição, a 
Academia de Marinha e a Acade- 
mia imperial Militar, antiga Aca- 
demia Real Militar, com novo re- 
gulamento, incomparavelmente infe- 
rior ao anterior No ano seguinte, as 
duas academias se separam nova- 
mente. 



J833 — Separadas novamente as 
Academias da Marinha e a Imperial 
Militar, após somente um ano de 
fusão, 

— É concedida permissão aos civis 
de frequentar os cursos da Academia 
Real Militar, conjuntamente com os 
mi li tares. 



Produção cientifica 

1832 — Publicado cm Viena Viagem 
no interior do Brasil \ de Johann 
Emmanuel Pohl, que, além dos es- 
tudos botânicos, fez pesquisas geo- 
lógicas nos estados do Rio de Janei- 
ro, Mínas t Goiás, Mato Grosso, nos 
anos 18 17-2 L 

— Presença no Brasil de Charles 
Darwin j naturalista inglês, partici- 
pante da expedição científica com 
o navio "Beagle". Passagem pelas 
ilhotas São Pedro e São Paulo (16- 
2) pela Bahia e pelo Rio de Janeiro 
(de 4-4 a 5-7). 

— Ultima e mais prolongada das 
três permanências de Gaudichaud no 
Rio de Janeiro, sendo a primeira de 
dois meses, em 1817, e a segunda 
também curta; em 1820. Na última, 
estudou principalmente plantas me- 
dicinais. Incumbido pelo governo 
brasileiro de classificar o herbário 
do Museu imperial, em troca das 
duplicatas, tendo levado as melhores, 

— Wilhclm Ludwíg von Eschwege 
publica em Berlim Beitrãge zwr, G&- 
hirgskunde Brasiíiens, contendo suas 
observações colhidas no Brasil em 
termos geológicos. 

— Cândido Batista de Oliveira pu- 
blica seu Compêndio de Aritmética, 
uma das primeiras obras didãtícas 
produzidas no país para uso nas es- 
colas primárias e em que se faz um 
apelo para a adoçâo legai do siste- 
ma métrico- 

1833 — Publicado em Berlim, pela 
G. Reimer, o Píuto Brasiliensis: ei- 
ne Rethe von Abhandlungeh úber 
Brasiltens Golddiamantcs und ande- 
rem mineraltechetn Reichtum {...), 
de Von Eschwege, contendo os prin- 
cipais resultados de suas pesquisas 
no Brasil, no âmbito da geologia, 
mineralogia e metalurgia. 



362 



Institucionalização 



Produção científica 



— Publicadas no Rio de Janeiro, 
pela Tipografia Imperial e Nacional, 
as Lições de Chimica e Mineralogia, 
de frei Custódio Alves Serrão, con- 
sideradas o primeiro tratado (e não 
compêndio) da matéria, tendo o au- 
tor recorrido a autores ingleses e 
germânicos. 

183+47 — Publicada na França 
Voyage dans VAmêrique Meridional t 
em sete volumes, como resultado da 
expedição francesa de Alcides d J Gr- 
bigni, entre 1826 e 1832, na região 
centro ocidental. 

1835 — Criado em São Paulo o Ga- 
binete Topográfico, por Rafael To- 
bias de Aguiar, prevendo uma escola 
de "engenheiros de estradas n + Esta 
chegou a funcionar durante dois anos 
(1836-38). Reaberta em 1842 com 23 
alunos, extinguiu-sc em 1849. 

1835-81 — Publicação do Auxiliador 
da indústria Nacional, "ou coieção 
de memórias e notícias interessantes- 
aos fazendeiros, fabricantes, artistas 
e classes industriais do Brasil, tanto 
originais, como traduzidas das melho- 
res obras que neste sentido se publi- 
cam nos Estados Unidos, França, 
Inglaterra, etc/' Até 1SSI tinham-se 
publicado 48 volumes. Era órgão ofi- 
cial da Sociedade Auxiliadora da 
indústria Nacional, fundada em 1825 
pelo abastado negociante Inácio Ál- 
vares Pinto de Almeida. 

1836 — Começa a ser montado, com í83ô — De Raimundo José da Cunha 



material trazido da Europa por Ma- 
nuel Rodrigues da Silva, o Labora- 
tório de Química da Escola de Me- 
dicina do Rio* 



Matos, publicada no Rio de janeiro 
a Chorographia Histórica da Provín- 
cia de Coyas, datada de 1824, em 
dois volumes. No mesmo ano e lugar 
aparece do mesmo autor o Itinerário 
do Rio de Janeiro ao Para e Mara- 
nhão (,..). 

— Segunda visita de Charles Darwin 
ao Brasil. Passa por Bahia e Per- 
nambuco. 



363 



institucionalização 



1837 — Por decreto de Bernardo Pe- 
reira de Vasconcelos, regente inte- 
rino, é criado no Río de Janeiro o 
Colégio D. Pedro \l t a partir de 
uma reforma radical do Seminário de 
São Joaquim, transformando -o em 
instituto de ensino secundário. Entre 
seus primeiros professores; Justinia- 
no José da Rocha, Joaquim Caetano 
da Silva, Manuel Aratíjo Porto Ale- 
gre e Gonçalves de Magalhães. 



1838 — Aprovados os estatutos do 
Colégio D. Pedro II, que entre ou- 
tros determinava fosse concedido o 
título de bacharel em letras a quem 
terminasse o curso, que o dispensava 
de exames para entrar nas acade- 
mias. 

— Criação do Instituto Histórico e 
Geográfico Brasileiro, no Rio de Ja- 
neiro. Contava com apoio do impe- 
rador, que pessoalmente presidiu inú- 
meras secões* fazia-Ihe doações e, 
pouco antes de sua morte, em 1891, 
legou-lhe sua biblioteca particular e 
uma coleçáo preciosa de retratos, 
gravuras e mapas antigos. 

1839 — Início da publicação da Re- 
vista do Instituto Histórico e Geo- 
gráfico Brasileiro t de aparecimento 
regular. 



Produção científica 

183641 — Permanência no Brasil do 
botânico inglês Gardner, coletando 
material nos estados do Rio de Ja- 
neiro, Pernambuco, Bahia, Alagoas, 
Ceará, Piauí» Goiás e Minas» levan* 
do consigo um herbário de 6 mil 
espécies, muitas de regiões não per- 
corridas por Spbt e Von Martius, 
contribuindo por isso com muitas 
espécies e descrições novas para a 
Flora Brasiliensis. Desta viagem re- 
sultou a publicação da obra Viagem 
ao Brasil. 

1837 — Publicado no Rio de Janeiro 
Compêndio para o Curso de Chi- 
mica da Escola de Medicina do Rio 
de Janeiro, de Joaquim Vicente Tor- 
res Homem, formado em medicina, 
ciências físicas e naturais em Paris 
e primeiro catedrático de Química 
e Mineralogia da Faculdade de Me- 
dicina do Rio de Janeiro. 

— A Revista Médica do Rh de Ja- 
neiro publica algumas séries de ob- 
servações meteorológicas feitas por 
Freire Alemão. 

1B3& — Ezequiel Correia dos Santos 
(180t-64) obtém a pereirina das cas- 
cas do Geissospermwn vellosii. 

— Publicada por Pedro d' Alcântara 
Bellegarde, no Rio de Janeiro, a 
obra para fins did áticos Compêndios 
de Matemáticas Elementares. 

— A Sociedade Literária do Rio de 
Janeiro manda imprimir a sua custa 
uma nova edição dos Elementos de 
Geometria, de Francisco Vilela Bar- 
bosa, publicados pela primeira vez 
em 1S15> 



364 



I nstitucíon aJizaçao 



Produção científica 



— A Academia Real Militar do Rio 
de Janeiro passa a denominar-se Es- 
cola Militar, sendo submetida a um 
rigoroso regime de disciplina militar, 
que tornou os cursos pouco atrativos 
para civis, 

— Fundação da Escola de Farmácia 
de Ouro Preto, Minas Gerais, a mais 
antiga do Brasil, Um ano depois foi 
anexada ao Colégio de Ouro Preto 
tendo inicialmente dois professores. 
Sofreu no início animosidade tanto 
do governo central quanto provin 
ciai. Em 1854, incorporada ao Li 
ceu Mineiro. 



1840 — Criada no Colégio D. Pedro 
U do Río de Janeiro a cadeira de 
Alemão, a primeira no país, cujo 
titular era o barão de Planitz. 



1840 — Sob os auspícios do impera- 
dor da Áustria e o rei da Baviera, 
convencidos por Metternich, é pu- 
blicado em Munique o primeiro 
fascículo da Flora Brasiliensis por 
Von Martius, auxiliado por Endlí- 
cher h À partir de 1850, publicados 
nove fascículos, obteve de D, Pedro 
II subvenção que continuou até o 
último fascículo, de 1906. Ao todo 
foram 130 fascículos em quarenta 
volumes in folio, com mais ou me- 
nos 20 mil espécies (6 mil novas) 
e 3 mil estampas. Colaboraram 65 
botânicos de diversos países. 



1840-84 — Fixa residência no Brasil 
o médico-bo fanico Regnell, de origem 
sueca, realizando trabalhos em bo- 
tânica e subvencionando a vinda de 
diversos botânicos, entre eles Lõf- 
gren> Após sua morte, os Fundos 
RegnelUanos garantem a continuida- 
de da vinda de cientistas, entre eJes 
Lindman e Malme, 



365 



I nsrituc ional ização 



Produção cientifica 



1841 — Primeira modificação dos es- 
tatutos do Colégio D. Pedro H, no 
Rio de Janeiro, mudando seu plano 
de estudos c fixando em sete anos o 
curso completo, com latim nos sete 
e grego nos últimos quatro. 



1842 — Primeira reforma do Museu 
Nacional, sob direção de Alves Ser- 
rão» criando quatro seções: Minera- 
logia» Geologia e Ciências Físicas; 
Anatomia Comparada e Zoologia; 
Botânica* Agricultura e Artes Mecâ- 
nicas; Numismática, Artes Liberais, 
Arqueologia, Usos e Costumes das 
Nações Antigas e Modernas» Previ a- 
se para cada seçlo um curso anual 
dado pelo seu diretor, Os efeitos da 
reforma, no entanto, foram reduzidos 
e de muito curta duração. 

— Reforma da Escola Militar, facul- 
tando um curso de Engenharia Civil, 
com curso completo de sete anos. 
Ficou instituída também a prática de 
defesa de tese para obtenção do grau 
de doutor. 



1841 — O geólogo francês A. Pissis 
apresenta, após viagem ao Brasil, 
uma memória com mapa geológico, 
cuja preocupação primordial são os 
movimentos oro gémeos, que serviria 
de base para a obra volumosa de 
Emanuel Liais, diretor do Observa- 
tório Nacional, denominada Géoto* 
gie, publicada em 1872. 



1842-43 — O príncipe Adalberto da 
Prússia, trazendo entre outros o con- 
de de Bismarck, realiza excursões 
pelo país, cujos resultados, com 
gravuras e mapas, aparecem publi- 
cados em Berlim quatro anos depois, 
em forma de diário. 

— Barker e Morais Sarmento rea- 
lizam no litoral de Pernambuco uma 
série de observações meteorológicas 
sobre as chuvas. 



366 



Institucionalização 



Produção cientifica 



\Mb — Decreto imperial dá ao Ob- 
f rvíiEório Astronómico do Rio de 
|juiciro o nome de imperial Observa- 
rei u do Rio de Janeiro, transferin- 
do u para o Ministério da Guerra e 
;iini?uindo-lhe um regimento defini- 
am Soulier de Sauve, lente da Aca- 
<li iniii Real Militar, é nomeado para 
< ttfttiir de sua organização. Para tal, 
i ntii lidado concluir o torreão da 
At utltimia, a ele destinado- 



1842-48 — Gardner, botânico Inglês, 
tendo estado aqui entre 1837 e 1841, 
publica no London Journal of Bo- 
tany, dirigido por Hooker suas Con- 
íributiom towards a Flora of Brazil. 

184347 — Grande expedição geo- 
gráfica francesa, chefiada por Fran- 
cis Castelnau, no Brasil central e 
ocidental Relato da viagem com ba* 
se no abundante material reunido 
por Émíle Devi IH naturalista-eole- 
cionador da expedição, publicado 
sob título Expêdition dans les Par- 
ties Central es de VAmêrique du Sud, 
além de monografias à parte ♦ 

1845 — Cristiano Benedito Ottoni. 
num opúsculo intitulado Juízo Críti- 
co nobre o Compêndio de Geometria 
A dotado .pela Academia de Mari- 
nha do Rio de janeiro, critica a obra 
de Francisco Vilela Barbosa* 

— Publicados pela Tipografia Na- 
cional no Rio de Janeiro os Elemen- 
tos de Astronomia e Geodésia, de 
José Saturnino da Costa Pereira 
(1773-1863), da Academia Real Mi- 
litar. 

1846 — Publicada a Carta Choro- 
graphica do império do Brasil, da 
autoria de Conrado Jacob de Nie- 
meyer. 



1 847 — Pu blicado somente neste 
ano o Diário de uma Viagem Mine- 
ralógica peia Província de São Pauto 
no Ano de I805 t da autoria de Mar- 
ti m Francisco Ribeiro de Andrada, 
inspetor de minas e matas da capi- 
tania de São Paulo e irmão de José 
Bonifácio. Do mesmo autor, Jornais 
das Viagens de 1803 a 1804. 



367 



Institucionalização 



Produção científica 



I n s t i tu ci o n a W i z a cão 



Produção científica 



1848 — O Gabinete de Física da 
Escola de Medicina do Rio começa 
a adquirir os .primeiros aparelhos, 
com auxílio de verba modestíssima. 

— Começam a aparecer as primei- 
ras dissertações para o doutoramen- 
to pela Escola Militar, posteriormente 
Escola Politécnica do Rio de Janeiro, 
em função do regulamento de 1842, 
que insistiu nesta prática. 



1847-1912 — O botânico alemão 
Theodor Peckolt fixa residência no 
Rio de Janeiro. De sua biografia 
constam 124 itens de trabalhos pu- 
blicados aqui e no exterior. É autor 
de Análise de Matéria Médica Bra- 
sileira (1868) e História das Plantas 
Medicinais e Úteis do Brasil. 



1848 — Joaquim Gomes de Sousa 
(1829-63) apresenta à Escola Militar 
(Escola Politécnica) sua tese Disser- 
tação sobre o Modo de Indagar No- 
vos Astros sem Auxílio das Observa- 
ções D ire tas, talvez a única de certa 
originalidade na época, visivelmente 
influenciada pela descoberta, dois 
anos antes, de Netuno t a partir dos 
cálculos de Leverrierv 

— Com um Compêndio de Monta- 
msiica e M et aliar gia t o diretor do 
Museu Nacional e químico Frederico 
Leopoldo César Burlamaqui inicia 
a publicação de monografias de- 
monstrando as vantagens da explo- 
ração de certos saís e minerais. Se- 
guem Riquesas mineraes do Brasil 
(1850) t Memoria sobre o Salitre, a 
Soda e a Potassa (1853), Manual dos 
Agentes Fertilizadores (1858), Arte 
de Fabricar o Vinho (1861) e inú- 
meros artigos no Auxiliador da in- 
dústria Nacional, de que foi redator 
único a partir de 1854 



1 848-59 — Presença no Brasil do 
naturalista Henry Walter Bates* che- 
gado de Liverpool, para exploração 
do Amazonas, Como resultado pu* 
blica Um Naturalista no Rio Amazo- 
nas. Em função de suas observações, 
descreve pela primeira vez o meca- 
nismo do mimetismo. Junto com ele, 
Alfred Russel Wallace, que explorou 
o rio Negro- Wallace voltou à Eu- 
ropa em J 852* tendo se perdido sua 
coleção em naufrágio. 



rK'il) - Fundada no Rio de Janeiro 
<i revista mensal artística, científica 
t libraria Guanabara, sob direção 
<lr Araújo Porto Alegre* Gonçalves 
Mins e Manuel de Macedo. 



1849 — Otto Wucherer e John Li- 
gertwood Paterson, com auxilio de 
José Francisco da Silva Lima* 
rden ti ficam a febre amarela na 
Bahia, trazida pelo navio ameri- 
cano "Brazir. 

— Presença no Brasil do botânico 
inglês Spruce, dedicando-se ao estu- 
do da flora do Pará e Amazonas. 
Interesse especial em musgos. Pu- 
blica também sobre hepáticas ama- 
zônicas, além de plantas superiores. 

1850 — Miguel Joaquim Pereira de 
Sá apresenta à Escola Militar tese 
de doutoramento intitulada "Disser- 
tação sobre os Princípios da * Estáti- 
ca", precedida de um pensamento 
de Comte. Segundo Teixeira Men- 
des, o primeiro vestígio da influên- 
cia positivista no Brasil. A partir 
desta data são cada vez mais fre- 
quentes os trabalhos de orientação 
positivista na Politécnica. 

— Joaquim Gomes de Sousa (1829- 
63) publica no tomo primeiro da 
Revista Guanabara dois trabalhos: 

— Resolução das Equações Numéri- 
cas 1 ' e "Exposição Sucinta de um 
Método de fntegrar Equações Dife- 
renciais Parciais por Integrais De- 
finidas", 

1850-52 — Conferências publicas so- 
bre química no Museu Nacional, por 
Francisco Ferreira de Abreu, intro- 
duzindo uso de fórmulas e equa- 
ções químicas no Brasil, seguindo a 
concepção de Berzelius (l 779-1 848 )♦ 

1850-57 - — Aparecem em Paris os 
quinze volumes da obra Expedição 
â$ Regiões Centrais da América do 
Sul, do Rio de Janeiro a Lima e de 
Uma ao Pará. como resultado da 
exploração científica iniciada em 
T842 por Francis de Castelnau, A. 
Weddell? Eugène d J Osery e Êmile 
Déville. 



368 



369 



Institucionalização 



Produção cientifica 



1851 — Início da publicação dos 
Annaes Meteorológicos pelo Imperial 
Observatório do Rio de [arteiro. Esta 
publicação vai até o ano 1867. 



1851-55 — Período em que circulou 
a revista Biblioteca Guanabarense, 
em que publicou, entre outros, o 
emâo diretor do Museu imperial, 
Frederico Leopoldo César Burlama- 
qui. 



1852 — Realização do Curso Livre 
de Medicina Legai do Museu Nacio- 
nal h por Francisco Ferreira de Abreu, 
introduzindo novos conhecimentos 
na matéria. 



1852 — Publicadas no Rio de lanei- 
ro, pela Tipografia Nacional, as 
Ephemerides do imperial Observató- 
rio Astronómico para o Anno de 
1853, primeiro anuário astronómico 
publicado no Brasil, tendo os cálcu- 
los executados por António Manuel 
de Melo, seu diretor, e Francisco 
Duarte Nunes, íosé Francisco de 
Castro Leal Jerónimo Pereira de 
Lima Campos e Francisco de Cunha 
Galvão. 

— Duarte Ponte Ribeiro publica seu 
Dicionário Topográfico do Aí to 
Amazonas* Este mesmo autor escre- 
ve até l#53 t enquanto exerce impor- 
tante funçio na Secretaria dos Ne- 
gócios Estrangeiros, nada menos de 
45 memórias sobre a geografia das 
fronteiras, 



1852-54 — Encarregado pelo gover- 
no imperial, o engenheiro e geógrafo 
Henrique Guilherme Fernando Hai- 
feld explora o rio São Francisco de 
Pi rapo ra ao oceano, resultando em 
relatório escrito em 1858, 



370 



1 ns ti t ucio nauzaçao 



Produção científica 



1852-97 — Chega ao Brasil, para se 
fixar definitivamente, o naturalista 
Frite Miiller (Johann Fríederich 
Muller), abandonando a Alemanha 
por motivos políticos, Aqui se esta- 
belece como professor secundário e 
médico, no interior do estado de 
Santa Catarina, Principais trabalhos: 
a descoberta do mimetismo recípro- 
co (ou mulleriano) e a obra Fúr 
Darwin. 

1853 — O naturalista inglês Alfred 
Russel Wallace publica Viagens pe- 
lo Amazonas e Rio Negro, 



1 S54 — Reforma reorganizando todo 
o ensino superior do Brasil elaborada 
por Luís Pedreira de Couto Ferraz, 
ministro do Império. Não teve apli- 
<:;iyão. 

- Criado no âmbito do Museu Na- 
cional o cargo de naturalísta-viajan- 
lis, ocupado pela primeira vez pelo 
naturalista francês J. T, Deseourtik, 
umitólogo e artista que trabalhava 
no museu desde 1851 e morre em 
1855. Ocuparam também o cargo 
Iní2 Muller, Emílio Goeldi, Her- 
nmnn von Ihering e outros. 



1854 — Francisco Bonifácio de 
Abreu, médico nomeado catedrático 
para a recém-criada cadeira de Quí- 
mica da Faculdade de Medicina do 
Rio, após breve curso com Adolphe 
Wurtz em Paris, introduz no Brasil 
a nova notação atómica e as ideias 
do sistema unitário em química. 

— Virgil von Helmretchen, geólogo 
a serviço das companhias britânicas 
de mineração, pelas quais viajou ex- 
tensamente por Minas Gerais, tendo 
encontrado a morte por febre ama- 
rela na Bahia em 1851, publica em 
Viena memória descrevendo a região 
de Grão-Mogol, onde foi encontrado 
diamante do mesmo nome. 



1855 — Criação da Escola de Apli- 
< ■ihjjío do Exército, desligando da Es- 
"'l.i Militar o ensino teórico e prá- 
[jfit de assuntos militares. 



1855 — Wucherer, Paterson e Silva 
Lima identificam na Bahia a Cholera 
morbus, importada de Vigo. 

— Joaquim Gomes de Sousa (1829- 
63) apresenta a Academia de Paris 
dois trabalhos seus: Memória sobre 
a Determinação das Funções Incóg- 
nitas que Entram sob o Sinal de 
Integração Definida e Memória so- 
bre o Som, Embora examinados por 
Liouville, Lamc, Bienaymé e depois 
Cauehy, mão houve pronunciamento 
sobre eles. 



371 



Institucionalização 



1856 — Sob auspícios da Sociedade 
Palestra Científica, e com assistência 
pessoal do imperador o Museu Na- 
cional (na época Imperial) abriu uma 
série de conferências públicas sobre 
botânica, zoologia, antropologia, fi- 
siologia, etc-, cujos conferencistas 
eram os cientistas da instituição. 

— Início da publicação da Revista 
do Instituto Arqueológico, Histérico 
e Geográfico de Pernambuco. 



1856-59 — Período de circulação da 
Revista Brasileira, em que aparece- 
ram alguns artigos de mineralogia da 
autoria de Frederico Leopoldo César 
Burlamaquú diretor do Museu Impe- 
rial, 



1857 -— Fundada no Rio de Janeiro 
a Revista da Sociedade Physico-Chi- 
mica f sob direção de Gregório Pe- 
reira de Miranda Pinto e Francisco 
Portela, principal redator. Teve exis- 
tência curta. 



Produção científica 

=— Iniciadas em Congonhas de Sa- 
bara" e em Nova Lima séries de 
observações meteorológicas respecti- 
vamente de temperatura do ar e de 
chuvas, pela então chamada Empre* 
sa de Mineração Morro Velho, e 
continuadas até hoje. 

'. — Henrique Halfeld, a partir de 
seus trabalhos de exploração do rio 
São Francisco, organiza uma car- 
ta de Minas Gerais, na escala 
de 1:2.000.000. 

1856 — Joaquim Gomes de Sousa 
(1829-63) lê perante a Academia de 
Paris um aditamento a sua memória 
apresentada no ano anterior. Logo 
depois, aqui chegado, enviou novo 
resumo, considerado muito extenso 
para publicação nos Comptes 
Rendas. 

— Stokes apresenta à Sociedade 
Real de Londres um resumo da Me- 
mória sobre a Determinação das 
Funções Incógnitas que Entram sob 
o Sinai de Integração Definida , de 
Joaquim Gomes de Sousa (1829-63), 
apresentada por este um ano antes 
para a Academia de Paris. 

— Publicado em Berlim SystemQtiu* 
che Ueberskht der Thiere Brasiíiens t 
de Hermann Burmeister, baseado em 
observações que fez em 1850-52, em 
viagem realizada pelos estados do 
Rio e de Minas, relatada minuciosa- 
mente em sua Retse nach Brasilien, 
de 1853. 

1857 — Chega a São Paulo frei 
Germano de Annecy, francês de Sa- 
bóia, astrónomo, e que ficou por 
mais de trinta anos ensinando mate- 
mática, física e astronomia. Amigo 
pessoal de D. Pedro II, foi convida- 
do várias vezes para dirigir o Ob- 
servatório do Rio de Janeiro, sem 
aceitá-lo, no entanto, 



372 



Institucionalização 



Produção científica 



IK54S — Completa remodelação da 
íncola Militar, que passa a ter o no- 
itiê de Escola Central, e da Escola 
Je Aplicação do Exército, que passa 
ji K&cola Militar e de Aplicação. A 
r;í.ola Central continua sujeita ao 
H-y.ime militar e destinada ao ensino 
di( + s matemáticas e ciências físicas e 
neurais e também ao das doutrinas 
•!.' engenharia civil. Além do ensino 
preparatório, há dois cursos; um, su- 
plementar, de engenharia civil (dois 
Ktíõp) e outro* básico, de matemáticas 
t dêucias físicas e naturais {quatro 

IINUS)- 



1858 — António Manuel de Melo, 
diretor do imperial Observatório As- 
tronómico, organiza expedição cien- 
tífica para observar eclipse solar em 
Paranaguá. A pedido de D. Pedro II, 
que facilitou todos os trabalhos, foi 
adido ã expedição Emanuel Liais, 
recêm-chegado da França» Por su- 
gestão deste, é utilizada pela primei- 
ra vez a fotografia para fins astro- 
mé tricôs, 



1858-71 — O geógrafo e astrónomo 
francês Emanuel Liais explora Mi- 
nas, Bahia e Pernambuco, tendo co- 
mo auxiliares técnicos Eduardo José 
de Morais e Ladislau Neto, tendo 
os resultados gerais dos trabalhos si- 
do publicados em 1865. Além disso, 
faz inúmeras observações astronómi- 
cas. Em 1870 é nomeado diretor 
do Imperial Observatório de Astro- 
nomia. 



í 858 75 — Permanência de Glazlou, 
naturalista bretão, na qualidade de 
diretor das Matas e jardins do Rio 
de Janeiro, para que foi convidado 
pelo próprio imperador. Foi o cria- 
dor do Jardim da Aclimação, da 
Quinta da Boa Vista, e botânico da 
Comissão Cru Is, do planalto Central 
do Brasil . 



1859 — Início dos trabalhos da Co- 
missão Científica proposta pelo Ins- 
tituto Histórico e Geográfico em 
1856, encarregada de explorar o in- 
terior de algumas províncias do 
Brasil, sendo que o relatório da se- 
ção de Botânica foi redigido por 
Freire Alemão (17974874) e seu 
sobrinho 'Manuel Freire Alemão de 
Cisneiros (1834*63). 



373 



institucionalização 



1860-90 — O Jardim Botânico do 
Rio de Janeiro fica sob a direção do 
Instituto Fluminense de Agricultura. 



Produção científica 

— Emanuel Liais, em artigo nos 
Comptes Rendus (voL 48), publica 
os resultados das observações do 
eclipse solar do ano anterior, obser- 
vado em Paranaguá em expedição 
do Imperial Observatório Astronô 
mico, e comunica a descoberta da 
existência de uma terceira atmosfera 
do SoL 



1860 — Emanuel Liais, em artigo 
publicado no n.° 1.248 dos Astro- 
nomische Nachrichten, discute as 
opiniões de Leverrier acerca das per- 
turbações produzidas sobre Mercúrio 
por planeias intvamercuriaís. 



1861 — Wucherer, da Escola Tropi- 
calista da Bahia, realiza trabalhos de 
taxonomia ofiológica, considerados 
por Afrânio do Amaral como os pri- 
meiros do Brasil. 

— Expedição científica ao Ceará, 
chefiada por Freire Alemão, da qual 
resultaram, entre outros, um herbã- 
rio de 20 mil espécimes e o breve 
relatório da parte zoológica elabora- 
do por Manuel Ferreira Lagos, inti- 
tulado Trabalhos da Comissão Cien- 
tifica de Exploração, Esta expedição 
foi a primeira e única organizada 
pela Comissão. Além de Freire Ale- 
mão, participou da expedição, como 
botânico, Capanema, 



I86L62 — Beringer realiza em Per- 
nambuco sérje de observações me- 
teorológicas. 



1861-68 — A Comissão do barão de 
Ladárto registra extensa série de ob- 
servações meteorológicas na região 
amazônica. 



1 



* 



In s ri tuc ton ai izaç ão 

1862 — Adotado oficialmente no 
Brasil o sistema métrico, por lei de 
26-6-1862. 

1863 — Fundada a Biblioteca do 
Museu Nacional, com 5 mil volumes, 
dos quais a metade pertencia à extin- 
ta Comissão Científica do Ceará. 



1865 — Início das reuniões cientí- 
ficas, promovidas por Paterson, na 
Jlahia, e das quais participavam íní* 
cialmente, além dos outros dois líde- 
res (Wucherer e Silva Lima), mais 
quatro ou cinco médicos. Dessas 
icLrníóes resultou a fundação da Ga- 
zeta Médica da Bahia, um ano de- 
pois. Este grupo ficou conhecido 
como Escola Tropicalista da Bahia. 



Produção científica 



1863 — Publicados em Londres A 
N ar r ative oj Traveis on the Amazon 
and Rio Negro, de Alfrcd R, Walla- 
ce, e The Naturaítet on the River 
Amazon, de Henry Walter Bates, 
resultado das pesquisas de ambos na 
região amazômca. a partir de 1348, 
Wallace voltou à Inglaterra em 1852, 
enquanto Bates permaneceu até 1859. 
Este último aqui observa e descreve 
pela primeira vez o fenómeno do 
mimetismo. Wallace, em 1S58, publi- 
ca junto com Darwin On the Ten- 
deney of Species to Form Variei ies: 
and on the Perpetuation of Varie- 
lies and Species hy Natural Means 
of Selection. 

— José Vieira Couto de Magalbães 
publica sua Viagem ao Araguaia, 
contendo o reconhecimento do rio, 
além de observações sobre o comér- 
cio e o desenvolvimento económico 
da região. 

1864 — Fritz MillJer (fohann Frie- 
drich Theodor Múller, 1822-97). na- 
turalista do Museu Nacional, escre- 
ve Fúr Darwin, imediatamente tra- 
duzido para o inglês por iniciativa 
de Darwin e editado sob título de 
Facts and Arguments for Darwin, 

1 865 — Realização de grande expe- 
dição científica norte-americana. fi- 
nanciada por Nathaniel Thayer e 
chefiada pelo suíço J", L, R. Agassiz. 
principalmente preocupada com a 
geologia e a paleontologia, mas tam- 
bém com a ictíologia. Eram da co- 
mitiva: o geólogo Frederico Hart t o 
conquiliologista f. S. Anthony, o 
ornitólogo J. A. Allen, Th. Ward, E> 
Copei and c o brasileiro João da Sil- 
va Coutinho. O material colhido foi 
para o acervo do Museum of Com- 
parai ive Zoology {Museu Agassiz). 



374 



375 



institucionalização 



Produção científica 



— Ladislau Neto (3 837-98}, botânico 
alagoano, é nomeado diretor da 
Seção de Botânica do Museu Impe- 
rial- 



1866 — Criação do Museu Arqueo- 
lógico e Etnográfico da Sociedade 
Fílomática do Pará, do qual se ori- 
ginará, em 1894, o Museu Paraense* 
sob direção de Emílio Goeldi. 

— Fundada era Salvador a Gazeta 
Médica da Bahia t onde vêm publi- 
cados os trabalhos da chamada Es- 
cota Tropicalista, primeiro núcleo 
significativo de medicina experimen- 
tal no Brasil, da qual participavam 
entre outros Otto Wucherer, ]osê 
Francisco da Silva Lima e [ohn Li- 
gertwood Paterson. A publicação da 
Gazeta termina em 19€8 t 



— António Manuel de Melo, diretor 
do Imperial Observatório Astronó- 
mico, chefia expedição para obser- 
vação do eclipse solar naquele ano, 
cm Camboriú, Santa Catarina. 

— Gama Lobo descreve, uma sín- 
drome, a oftalmia brasiliana, poste- 
riormente identificada com a avita- 
minose A,e a vincula à deficiência 
de alimentação. 

— Publicados os resultados dos tra- 
balhos de exploração da bacia do 
São Francisco, chefiados pelo cien- 
tista francês Emanuel Liais, auxilia- 
do por Eduardo José de Morais e 
Ladislau Neto. 

1865-72 — Publicado em três volu- 
mes Configuração e Estudo Botânico 
dos Vegetais Seculares da Provín- 
cia do Rio de fanei ro e Outros Pon- 
tos do País, de Saldanha da Gama 
(1839-1905), Além disso publicou 
Ciassement Botanique des Plantes 
Atimentaires du Brêsií (1867) e, jun- 
to com Cogniaux, um trabalho sobre 
melastomãeeas, 

1866 — Wucherer inicia na Gazeta 
Médica da Bahia série de artigos so- 
bre a doença vulgarmente chamada 
"opilaçao" ou "cansaço*', mostrando 
sua ligação com a infestação anci- 
lostomótica. 

1866-69 — Série de publicações, re- 
editadas pela Gazeta Médica da 
Bahia em 1872, da autoria de íosé 
Francisco da Silva Lima, sobre a 
sintomatologia, as lesões e fornias* 
clinicas do beribéri,, identificando-o 
definitivamente com as manifesta- 
ções da doença na índta, Náo tem, 
no entanto, ideia clara da etiologia. 

1867 — José Francisco da Silva Li- 
ma, da Escola Tropicalista da Bahia, 
descobre uma nova doença, o "ai- 
nhum", peculiar à raça negra, e apre- 
senta sua descrição clínica e anato- 
mo-patológica, 



376 



Institucionalização 



Produção científica 



— Vem ao Brasil a expedição orga- 
nizada pelo Smíthsonfan Instítute de 
Washington, da qual participam, en^ 
tre outros, Ia mes Orton e os irmãos 
H,M,eP,V. Myers, 

— Sob os auspícios do governo bra- 
sileiro, Emanuel Liais publica em 
Paris, pela Garnier, o complemento 
de seus estudos, intitulado Trai tê 
d' Astronomie AppUquée et de Géo* 
deste Pratique, 



1868 — O Museu Nacional passa 
para a esfera do Ministério da Agri- 
cultura, que detinha maiores recur- 
sos e era mais disposto a apoiar 
novos empreendimentos, A transfe- 
rencia foi obra de Ladislau Neto, na 
gestão de Freire Alemão. 



1868 — Expedição do Imperial Ob^ 
serva tório Astronómico à Paraíba, 
para estudo do eclipse anular do Sol, 
chefiada por Cruvelo d^víla. 

— Ao pesquisar a quíiúría endémica 
na Bahia, Wucherer descobre na 
urina dos doentes as microfiíárias, 
forma larvar do parasita que depois 
recebeu o nome de Wucherer ia bati- 
crofti (Cobboid, 1877). 



1869 — Eduardo José de Morais pu- 
blica sua Navegação Interior do Bra- 
sil, com uma classificação das bacias 
hidrográficas brasileiras segundo sua 
importância para a navegação e sua 
distribuição geográfica. 

— loaquim Pereira Moutinho publi- 
ca sua Notícia sobre a Província de 
Mato Grosso. 



]870 — Harry Rosenbusch, conside- 
rado o pai da petrografia alemã, pu- 
blica sua Minerai ogische und geo- 
gnosttsche Notízen von einer Reise 
in Sud-Brasilien. Antes (1857-62) ti- 
nha estado no Brasil, contratado co- 
mo professor particular da família 
Viana Bandeira, em Salvador. 



377 



Institucionalização 



Produção científica 



— Primeira das cinco visitas ao Bra- 
sil de Herbert Smith, naturalista-co- 
lecionador americano, inicialmente 
interessado em geologia e posterior- 
mente dedicado exclusivamente à 
zoogeografia, O material cojetado foi 
para o American Museum de Nova 
York, o que permitiu a J". A. Allen 
publicar extenso trabalho sobre a 
nossa ornitologia, em 1892. 

— Nomeado pelo imperador para 
dirigir o Imperial Observatório As- 
tronómico o astrónomo e geógrafo 
francês Emanuel Liais, do Observa- 
tório de Paris, onde havia trabalha- 
do com Leverríer, Faye e outros . 
Vindo ao Brasil em missão científica 
do governo francês em 1858; fixou- 
se no país a convite de D. Pedro 'II, 

— Publicação de Geohgy and Phy- 
sical Geography of BraziL de Char- 
les Frederick Hartt, resultado de 
suas observações colhidas como 
membro da Expedição Thayer Í1S65- 

66); 



1871 — Por sugestão de Emanuel 
Liais, o Imperial Observatório As- 
tronómico é desmembrado da Escola 
Central (futura Politécnica), condi- 
ção para que assumisse a direção 
que exerce até 188L Entre 1871 e 74, 
Liais passa período na Europa para 
aquisição de aparelhagem. 



1870-72 — Realização da Expedição 
Morgan, chefiada por Charles Fre- 
derick Hartt, que já tinha estado 
aqui com a Expedição Thayer (1865- 
66), Participam também o botânico 
Prentis e os estudantes Orville Der- 
by e [ohn Casper Branner. 



1871 — Manuel de Morais e Vale, 
catedrático na cadeira de química 
mineral e mineralogia da Faculda- 
de de Medicina do RÍo t substituto 
de Torres Homem, dá pela primeira 
vez no Brasil um curso completo e 
sistemático baseado na doutrina uni- 
tária. Até 1884 foi o grande refor- 
mador do ensino de química do país, 
formando toda a próxima geração 
de catedráticos. 



378 



Institucionalização 



Produção científica 



Criada a Diretoria Geral de Esta- 
Iblioo. 

D Pedro IX, como Pedro de Al- 
umiara (1825-91), 6 eleito .membro 
dít Royal Society de Londres. 



1872 — Na École des Mines de Pa- 
ris, D. Pedro 1T entra em contato 
com o Prof. Daubrêe, que indica o 
l*rof. Gorceix para dirigir uma esco- 
In similar em Ouro Preto. 



1873 — O Ministério de [osé Maria 
da Silva Paranhos, visconde do Rio 
Branco, decreta a lei n,* 2.261, de 24 
de maio de 1873, autorizando a re- 
forma do regulamento das Escolas 
Militar e Central e a transferência 
da Escola Central do Ministério da 
Guerra para o Ministério do Impé- 
rio. Isto significa a separação efetiva 
do ensino da engenharia civil da 
militar. 



— Publicado em Leipzig o livro 
Handhuch der Geographie und Sta- 
úsiik des Kaiserreichs Brasilien, da 
autoria de L E. Wappaus. 

1871-88 — Publicada, pela E + & H. 
Laemmert do Rio de Janeiro, a obra 
em cinco tomos de Theodor Peckolt 
História das Plantas Alimentares e 
de Gozo do Brazil, Contendo Gene- 
ralidades sobre a Agricultura Brasi- 
leira, a Cultura, Uso e Composição 
Chimica de Cada uma Delias (..♦). 

1572 — Publicada em Stuttgart, 
Alemanha, a obra GrundzQge der 
allgemeinen klinischen Thermome- 
trie, uma das primeiras monografias 
em alemão sobre o assunto, de au- 
toria do médico brasileiro P* F. da 
Costa Alvarenga, traduzida por Wu- 
cherer. 

— Publicado por Emanuel Liais o 
trabalho Clintats. Géologie, Faune et 
Geographie Botanique du BrêsiL se- 
veramente criticado por Orville 
Derby, 

— Primeiros registros meteorológi- 
cos para o estado da Bahia» a partir 
de observações efetuadas em São 
Bento das Lages, na Escola Imperial 
de Agricultura. 

1573 — Publicado no Rio de Janei- 
ro, em dois volumes. Noções Ele- 
mentares de Chimka Médica, Apre- 
sentadas em Harmonia com as Dou- 
trinas Chi micas Modernas, de Ma- 
nuel de Morais e Vale, sendo o 
principal veículo de divulgação do 
sistema moderno da química* 

— Publicado o trabalho Elementos 
de Anatomia. Physiologia e Morpho- 
logia Vegetal, de António Mariano 
de Bonfim, talvez um dos primeiros 
compêridios de botânica publicados 
no Brasil, 



379 



Ifistituci onalização 



Produção científica 

— Pub) içado o Dtccionario de Botâ- 
nica Brasileira, de Almeida Pinto, 
coordenado e redigido em grande 
parte sobre manuscritos de Arruda 
Câmara e revisto por uma comissão 
da Sociedade Vellosiana. 

— Elaborada por Henrique de Beau- 
repaire-Rohan a Carta Geral do Bra- 
sil, organizada para figurar na Ex- 
posição Universal de Viena e con- 
siderada a melhor, até a Carta do 
Brasil, feita pelo Clube de Engenha- 
ria do Rio de Janeiro em 1922* 



1874 — Transformação da Escola 
Central em Escola Politécnica, de 
caráter inteiramente civil, comple- 
tando definitivamente a separação 
da instrução militar da civil. Esta 
mudança, de iniciativa do visconde 
do Rio Branco, primeiro-ministro, 
engenheiro formado pela própria Es- 
cola e seu professor de Mecânica, 
visava torná-la também um centro 
de difusão dos mais elevados conhe- 
cimentos teóricos das ciências exatas. 



1873-1907 — O naturalista Schwa- 
cke, alemão de nascimento, nomea- 
do naturalista-víajante do Museu 
Naciona!, fixa-se definitivamente no 
Brasil. Realizou diversas excursões 
pelo interior, inclusive com Ladls- 
lau Neto (1880) e com Glaziou e o 
botânico Arechavalleta (1884). Pu- 
blicou, entre outros Ein Àusflug 
nach der Serra do Caparão U890) + 
Diretor da Escola de Farmácia de 
Ouro Preto de 1891 a 1904, para 
onde foi levado por Costa Sena. 



1874 — O farmacêutico alemão 
Theodor PeckohVformado pela Uni- 
versidade de Rostock e tendo chega- 
do ao Brasil em 1847, é encarregado 
por Ladislau Neto de reorganizar o 
Laboratório de Química do Museu 
Nacional, realizando aí suas pesqui- 
sas fitoquímicas da flora brasileira, 
sendo por elas condecorado com o 
oficialato da Ordem da Rosa, por D, 
Pedro ti 

— Sinfrònio Olímpio César Couti- 
nho (1832-87) descreve no Journal 
de Therapêutique, de Paris, as pro- 
priedades terapêuticas do jaborandú 
Para vencer ceti cismo, fez Coutinho 
demonstrações no homem, em Paris, 
confirmadas por Gubler, 



380 



Institucionalização 



Produção científica 



— O antigo curso matemático da ex- 
Escola Central, agora transformada 
cm Escola Politécnica do Rio de la- 
nei ro, é desdobrado em dois cursos 
científicos: curso de ciências físicas 
c matemáticas e curso de ciências 
físicas e naturais, No primeiro in- 
duiu-se a cadeira de Mecânica Ce 
[(.-ste e Física Matemática e uma de 
complementação, que incluía "cálcu- 
lo de probabilidades, sua aplicação 
ta tábuas de mortalidade., aos pro- 
blemas mais complicados de juros 
compostos, às amortizações pelo 
sistema Price, ao cálculo das socie- 
dades denominadas Tontínas e aos 
seguro 5 de vida", 

— Passam a ser conferidas cartas 
de bacharel e de doutor em ciên- 
cias físicas e matemáticas e em 
ciências físicas e naturais» na Escola 
Politécnica do R.io de Janeiro (ex- 
Fsccla Central), independentemente 
dos profissionais de engenharia. 

— Gorceix chega ao Rio e começa 
preparativos para organização da 
Fscola de Minas e Metalurgia de 
Ouro Preto, 

1374-76 — Domingos José Freire, em 
comissão científica do governo, reali- 
za viagem pela Europa, incluindo 
Paris, Londres, Bruxelas, Alemanha, 
Áustria, Suíça , províncias alemãs da 
Kússia, Itália, para estudo da orga- 
nização universitária, do ensino mé- 
<Ièco e dos laboratórios. 



— Domingos José Freire, em substi- 
tuição a Bonifácio de Abreu, assume 
a cadeira de Química Orgânica e 
Biológica da Faculdade de Medici- 
na do Rio com a tese Estudo Ana- 
íytico e Comparativo dos Principaes 
Ácidos Orgânicos, Permanece na ca- 
deira até 1895, 



1874-76 — Trabalhos da Comissão 
da Carta Geral do Império, de que 
participam Liais e Cruls. 



1874-79 — Contratado para o ensino 
de Física e Química Industrial da 
Escola Politécnica do Rio de Janeiro 
o francês Ernest Guignet, repetidor 
da Écoíe Lavoisier em Paris. Guignet 
volta para a Europa para assumir a 
direção da Station Agronomiquc de 
la Somme em Amiens. 



1874-1918 — Fíxa-se no Brasil o bo- 
tânico sueco Albert Lõfgren, para ex- 
plorar São Paulo e Minas, na com- 
panhia de Mosén, que logo regressa. 
Inicia como engenheiro- arquheto da 
Companhia Paulista de Estradas de 
Ferro, depois passa a botânico e me- 
teorologista da Comissão Geográfica 
e Geológica de Sao Paulo. Funda aí 
o Serviço de Meteorologia e do lar- 
dim Botânico, Em 1916 vai para o 
Rio de Janeiro. 



1875 — Ladíslau Neto (1357-98). bo- 
tânico alagoano, assume a Diretoria 
licral do Museu Nacional. 



1875 — João Martins Teixeira . pro- 
fessor de Física Médica da Faculdade 
de Medicina do Rio + realiza um cur- 
so popular de química na Escola 
Normal de Niterói, para divulgar no- 
vas doutrinas na química, Apesar de 
não ter realizado nenhum trabalho de 
pesquisa original, Teixeira foi o 
grande divulgador da química da 
época. 



381 



I ns ti tucion af 1 zação 

— Início da publicação dos Arqui- 
vos do Museu imperial (depois Na- 
cional), no dizer de Roquette-Pinto 
"a única publicação que durante 
longos anos o mundo científico rece- 
beu do Brasil "\ Sua tiragem superava 
os mil exemplares. 

— Criação da Comissão Geológica 
do Império do Brasil, dirigida por 
Charles F. Harrt. Além dos elemen- 
tos nacionais , Hartt conseguiu reunir 
geólogos como Orville A. Derby, Ri- 
chard Rathburn, John Casper Bran- 
ner. Nos seus dois anos de existência, 
reuniu 500 mil amostras, até hoje 
lalvez o maior acervo do Museu Na- 
cional em geologia. Extinta em 1877. 

— Assinado em 6-11-1875 o decreto 
imperial criando definitivamente a 
Escola de Minas e Metalurgia de 
Ouro Preto, inaugurada oficialmente 
um ano depois, tendo como diretor 
Henri Gorceix. 



1876 — Segunda reforma do Museu 
Nacional sob a direção de Ladislau 
Neto, esta de efeitos duradouros e 
impacto significativo. Previstas três 
seções: Antropologia, Zoologia Ge- 
ral e Aplicada, Anatomia Comparada 
e Paleontologia Animal; Botânica Ge- 
ral e Aplicada e Paleontologia Ve- 
getal; Ciências Físicas: Mineralogia, 
Geologia e Paleontologia Geral A 
Numismática, Arqueologia e Etno- 
grafia ficariam como seção anexa 
enquanto não se criasse estabeleci- 
mento para este fim. 



Produção científica 

— João Martins Teixeira, professor 
de Física Médica da Faculdade de 
Medicina do Rio, publica seu Noções 
de Chimicã Geral, o livro d ida tico 
mais utilizado até o fim do século. 

— Silva Araújo, da Escola Tropica- 
lista da Bahia, publica trabalhos so- 
bre a Filaria dermathermica, 

— ■ Realização das primeiras pesqui- 
sas fitoquímicas da flora brasileira, 
por Peckolt. 

— Cruls publica seu primeiro traba- 
lho no Brasil: Discussion sur tes Mé* 
thúdes de Rêpêtition eí de Reitera- 
tion Empfoyêes em Gêodêsie pour 
Mesure des Angies, publicado em 
Gant, na Bélgica, 



1875-88 — Domingos José Freire, ca- 
tedrático de Química Orgânica e Bio- 
lógica na Faculdade de Medicina do 
Rio, publica, na fahreshericht der 
Cherttie (3875:997 e 1887:2224) e na 
Bericht der deutschen Çhemischen 
Gesetschaft (8, 1347, 1875 e 21 , III, 
60, 1888), artigos onde relata a des- 
coberta do alcalóide grandiflorina, 

1876 — O químico industrial francês 
Ernest Guignei publica nos Com pies 
Rendus de VAcadémie des Sciences 
de Paris dois trabalhos: *Sur un fer 
Météorique Três Riche en Niekel 
(. )"t com G. Ozono de Almeida, e 
"Composition Chimique des Eaux de 
la Baie de Rio de Janeiro'*, com A. 
Teles, apresentados à Academia pelo 
imperador. 



382 



[ n sti tucion alizaç ão 



Produção científica 



— Instituído no Museu Nacional, 
pela Reforma de 1876, o título de 
"Membro correspondente do Museu, 
aos nacionais e estrangeiros que se 
tornarem dignos desta distinção por 
seu reconhecido mérito literário e 
cientifico e serviços prestados ao 
estabelecimento 1 '. 

— Início da publicação dos Anais da 
Biblioteca Imperial (agora Nacional), 
correspondendo o último volume a 
1938, editado em 1940. 

— Inaugurada no dia 15-10-1876 a 
Escola de Minas e, Metalurgia de 
Ouro Preto, organizada segundo mo- 
delo da École des Mines de St. Étien- 
ne por Henri Gorceix, seu diretor 
até 1891 e também seu professor de 
Química, 

— Fundada no Rio de Janeiro a So- 
ciedade Positivista, tendo entre os 
seus sete fundadores Álvaro de Oií^ 
veira, professor de Química da Poli 
técnica, e Benjamim Constant, ambos 
se desligando em ISfil. 



— Batista Lacerda, no primeiro volu- 
me da revista Arquivos do Museu 
Nacional, publica vários artigos, en- 
tre os quais um sobre o curare e uma 
tese de concurso sobre os centros 
motores encefálicos. 

r— Doze anos depois da obra Fur 
Darwin , Fritz Mulier é nomeado na- 
turalista-viajame do Museu Nacional 
Em Í891 pede demissão do cargo 
por não se dispor a mudar-se para 
o Rio de Janeiro, Ao morrer, em 
1897, tinha publicado mais de 248 
artigos e livros, 

— Lcônidas Damásio (1854-1922), 
um dos fundadores da Escola de Mi- 
nas de Ouro Preto, é nomeado pro- 
fessor de botânica da Escola e in- 
centiva para a botânica, entre outros: 
Costa Sena, Álvaro da Silveira, Baeta 
Neves e os irmãos Magalhães Gomes. 

— Publicado no Rio de Janeiro Les 
Travaux de la Mesure d*un Are de 
Mêridlen au Brêsil sous la Direction 
de M> Emm. Liais, Directeur de 
1'Observatoire Imperial de Rio de ja- 
neiro, de Louis Cruls, com a colabo- 
ração de Liais. 



1876-78 — Publicação, em seis exten- 
sos relatórios, dos resultados das ob- 
servações da viagem em comissão 
científica de Domingos José Freire 
em 1874-76, O terceiro, com descri- 
ção detalhada dos laboratórios de 
Leipzig, Marburgo T eic. T serviu para 
orientar a instalação dos laboratórios 
de sua cadeira de Química Orgânica 
e Biológica, 



1876-82 — O explorador e cientista 
francês Juies Nico! as Crévaux em- 
preende vários estudos e explorações 
de caráter geográfico ao Norte do 
Brasil , resultando na publicação de 
um livro póstumo, Voyages dans 
1'Amérique du Sud, 



1876-96 — Otávio de Freitas realiza 
sua importante série de observações 
meteorológicas para o Recife, 



1877 — Dissolução da Comissão 
Geológica do Império por falta de 
verbas. 



1877 — Início da colaboração de F. 
Mu!Ier f para os Arquivos do Museu 
Nacional. 



383 



I fisti íucíon a 1 i za ç a o 



Produção científica 

— Publicado por Joaquim Gaídino 
Pimentel, lente da Escola Politécnica 
do Rio de Janeiro, o livro didático 
Lições de Mecânica Celeste t conside- 
rado por Oliveira Castro como de 
elevado nível, 

— Joaquim Monteiro Camínhoá 
(1836-96) publica no Rio de Janeiro 
seus Elementos de Botânica Geral e 
Médica, em três volumes, considera- 
dos , até meados deste século, com- 
pêndio básico para quem no Brasil 
quisesse estudar botânica. 

— Manuel Vitorino Pereira, da Es- 
cola Tropicalista da Bahia, pela pri- 
meira vez formula e tenta provar a 
transmissão da Tilaria medinensis pe- 
la água potável 

— Artur Fernandes Campos da Paz 
publica seu Estudo sobre a Nomen- 
clatura Chimtca, sua única obra co- 
nhecida sobre química, 

— Cruls publica no Rio de Janeiro., 
pela Tipografia Nacional, sua obra 
Organisation de la Carte Gêographl- 
que et de 1'Histoire Physique et Poli- 
tique du Brésil, que atraiu especial 
atenção do governo, 

— Henrique E, Bauer publica seu 
trabalho sobre As Minas de Ferro de 
jacupiranga. 

— Orvilte A. Derby publica nos Ar- 
quivos do Museu Nacional do Rio 
de janeiro, v. II, sua "Contribuição 
para a Geologia do Baixo Amazo- 
nas . 

— Henrique de Beaurepaire-Rohan 
publica seu Estudo acerca da Orga- 
nização da Carta Geográfica e da 
História Física e Politica do Brasil 



Institucionalização 



1878-79 — O ministro Leôncio de 
Carvalho assina duas reformas refe- 
rentes ao Colégio D, Pedro II- A pri- 
meira dá nova distribuição às maté- 
rias, torna livre a frequência ao ex- 
ternato e tira às aulas de religião o 
caráter obrigatório, A segunda esten- 
dia em determinadas condições as 
prerrogativas do Colégio a estabele- 
cimentos com o mesmo programa de 
estudos, 



1879 — Decretada a reforma de ensi- 
no que leva o nome do ministro 
Leôncio de Carvalho, instituindo no 
ensino superior do país o chamado 
"ensino livre", a partir de inspira- 
ção ideológica do liberalismo eco- 
nómico europeu e calcado nos mo- 
delos universitários estrangeiros. Ge- 
rou grande resistência política e a 
queda do ministro. Entre outras me- 
didas, abolia a presença obrigatória 
e as sabatinas, facultava a abertura 
de faculdades livres e inteira liber- 
dade de cátedra. 



Produção cientifica 

1877-79 — Ernest GuigneL químico 
francês da Escola Politécnica do Rio 
de Janeiro, publica nos Comptes 
Rendus artigos sobre ferro niquela- 
do, argilas e hulhas do Brasil, consi- 
derados sem valor original, mas de 
enorme avanço metodológico. 



1878 — Chega ao Brasil, contratado 
pelo governo imperial para cursos de 
Biologia Industrial na Escola Poli- 
técnica do Rio de Janeiro, o fisiolo- 
gista francês Louis Couty, discípulo 
de Vuipian. Até 1881 íntimo cola- 
borador de J. B. de Lacerda» sem, 
no entanto, publicar cientificamente. 
Morre em 1884, com 34 anos de 
idade. 

— Publicadas no Rio de Janeiro as 
Noções de Chimica Inorgânica, de 
João Martins Teixeira, da Faculdade 
de Medicina do Rio, 

— Cruls, do Imperial Observatório 
Astronómico do Rio de Janeiro, pu- 
blica peia Tipografia Nacional sua 
Mêmoire sur Mars: Taches de la 
Planeie et Durêe de Ba Rotation, 
chegando a um resultado considera- 
do muito bom. 



1879 _ Orville A. Derby (1851-1915) 
é nomeado diretor da Seção de Geo- 
logia do Museu Nacional. Salvou 
grande parte das coleçoes, classifican- 
do, numerando e catalogando, reme- 
tendo para estudos no estrangeiro 
copioso material, cujos resultados 
eram publicados nos Arquivos do 
Museu NacionaL Afasta-se em 1890 T 
apôs acusação pelo diretor de desvio 
de material ao estrangeiro t que co- 
lhia nas incursões. 



384 



385 



institucionalização 



Produção científica 



Insii í íicion alização 



Produção científica 



— Cruls publica nos Comptes Ren- 
dus de janeiro desse ano trabalho 
seu intitulado Sur les Diamètres du 
Solei h et de Mercure, Dêduiís du 
Passage du 6 Mai 1878. 

— Jorge Tibiriçá Piratininga defen- 
de tese de doutoramento em química 
pela Universidade de Zurique sobre 
a reaçâo do óxido de carbono com 
álcalis cáusticos. Seus trabalhos, sob 
orientação de Merz e Weíth. leva- 
ram Goldschmidt em 1894 à criação 
do processo para fabricação de for- 
miato de sódio e ácido fórmico, ain- 
da hoje o único usado. Levaram» 
além da tese, a duas publicações jun- 
to com Merz no Berichie der deuts- 
chen chemischen Gesellschajt. em 
1877 e 1880. De volta ao Brasil, no 
entanto, nunca mais realizou traba- 
lho científico, dedícando-se basica- 
mente às ativídades públicas, chegan- 
do a presidente do estado de São 
Paulo, 



1879-81 — Primeiras séries isoladas 
de observações meteorológicas reali- 
zadas por Gardis no Mato Grosso e 
publicadas em revistas alemãs. 



1 879- í 909 — Estudos de João Batista 
de Lacerda sobre a presença de en- 
zimas proteolíticas e li políticas em 
diversos venenos, coroados com a pu- 
blicação das conclusões definitivas 
na monografia De Variis Plantis Ve- 
neni feris, de grande importância pa- 
ra a farmacologia e a fisiologia. 



1880 — Criação oficial do Labora- 
tório de Fisiologia Experimental, 
anexo ao Museu Nacional, com orga- 
nização independente do regulamen- 
to geral do Museu e dotado de verba 
especial. Organizado por Louis Cou- 
ty, seu diretor, e João Batista de La- 
cerda, vice-diretor a contragosto do 
diretor Ladislau Neto, mas contan- 
do com a proteção do imperador. Em 
1899 passou a ser chamado de La- 
boratório de Biologia. 



1881 — Emanuel Liais, após fracasso 
de seus pedidos para ampliação e 
melhor localização (morro de Santo 
António) do Observatório, deixa a 
direção, tendo sjdo indicado para 
substituí-lo o astrónomo belga Louis 
Cruls. 






1882 — Criação do que seria futu- 
ramente o Laboratório Nacional, su- 
bordinado ã cadeira de Higiene da 
Faculdade Nacional de Medicina. Em 
1 886, as análise para os Serviços Sa- 
nitários Ficaram no Laboratório de 
Higiene e as perícias toxicológicas 
no Laboratório da cadeira de Far- 
macologia, 



1880 — Publicado, em fascículos. Li- 
ções de Chimica Orgânica, de Do- 
mingos Freire, livro didático para os 
alunos de medicina. Deste mesmo 
ano data seu Recuei! deu Travaux 
Chimiques Suivie des Recherches sur 
la Cause, Nature et Traitement de 
la Fièvre faune, em que figuram do- 
ze trabaJhos químicos* três sobre al- 
calóides. 



1881 — foio Batista de Lacerda ve- 
rifica a açáo destrutiva do perman- 
ganato de potássio sobre a peçonha 
in vi trio, sem obter, no entanto, re- 
sultados clínicos significativos. No 
mesmo ano se dá a separação do 
seu colaborador Couty. 

— Publicada no Rio a obra Noções 
de Chimica Geral, Destinadas a Ser- 
vir de Prolegômenos ao Estudo de 
Chimica Especktt, de Morais e Vale. 

— Publicada a Phytographia ou Bo* 
tânica Brasileira Applicada à Mediei* 
na t às Artes e à Indústria, do botâ- 
nico alagoano Melo Morais. 

— W, Michler e A. Sampaio, seu 
discípulo doutorando em Zurique, 
publicam no Berichie der deutschen 
chemischen Gesellschaft artigo sobre 
compostos de diamidoditolyL 



1882 — O governo brasileiro publi- 
ca em Leipzig alguns dos trabalhos 
matemáticos de Joaquim Gomes de 
Sousa (1829-63), sob título de Mé~ 
langes de Catcul Integral, precedido 
por um prefácio de Charles Henry. 



386 



387 



Institucionalização 

— Realizado no Rio de Janeiro o 
Congresso de instrução, 

— Jnício da publicação dos Annales 
de VObserva{oire imperial de Rio de 
Janeiro. 



Produção cientifica 

— - Publicado nos Annales de VQbser- 
vato ire Imperial de Rio de Janeiro 
artigo de Liais intitulado "Révision 
des TabJes de Mercure et des Mas- 
ses des Planeies Inférieures ,> , onde 
discute os resultados de Leverrier. 

— Organizadas por Cruls as observa- 
çôes da passagem de Vénus pelo dis- 
co solar, em três lugares diferentes, 
levando a resultados altamente sa- 
tisfatórios, publicados antes dos de 
qualquer outra comissão estrangeira, 
em 1887, nos Annates de 1'Observa- 
toire imperial de Ria de Janeiro, in- 
teiramente dedicados ao assunto. A 
apresentação dos resultados à Acade- 
mia de Ciências de Paris mereceu 
grandes elogios de H. Faye. 

— Henri G orcei x publica, no En- 
gineering and Mining Journal de 
Nova York, artigo intitulado *The 
Diamond Deposits of the Province 
of Minas Gerais, Brazil". 

— Cruls, do Imperial Observatório 
Astronómico do Rio de Janeiro, pu- 
blica nos Comptes Rendus e nos A$- 
tronomhche Nachrichten suas cuida- 
dosas observações sobre um cometa 
que recebeu seu nome. Este trabalho 
lhe valeu a Medalha Valz da Aca- 
demia de Ciências da França. 

— Domingos Freire publica seu li- 
vro Lições Elementares de Chimtca 
Orgânica com Applicaçôes à Medici- 
na e ã Pharmacia* enfatizando a teo- 
ria atómica e a da valência, ainda 
multo pouco em uso no país. 



1882-83 — Engelberg realiza nova 
série de observações meteorológicas 
na região amazônica. 



Institucionalização 



1883 — Criação da Sociedade de 
Geografia do Rio de Janeiro (mais 
tarde Sociedade Brasileira de Geo- 
grafia). 

— Virgfíio Damázio, da Escola Tro- 
picalista da Bahia e antecessor de 
Nina Rodrigues na cátedra de Medi- 
cina Legal, parte para missão de 
dezoito meses na Europa e apresenta 
relatório propondo reforma do en- 
sino médico, na base da pesquisa e 
do trabalho experimental, porém sem 
resultado. 






Produção científica 

1882-89 — Wilbelm Michler, pesqui- 
sador e lente da Escola Politécnica 
Federal e da Escola Veterinária, am- 
bas de Zurique, reequipa os labora- 
tórios de química da Escola Politéc- 
nica do Rio de janeiro, realiza inú- 
meras pesquisas, publica diversos 
trabalhos aqui e forma grande núme- 
ro de alunos. Morre subitamente no 
Rro. 



1883 — Álvaro Joaquim de Oliveira, 
positivista, catedrático de Química 
Mineral da Escola Politécnica, pu- 
blica seu Apontamentos de Chimica, 
considerado por Rheinboldt a me- 
lhor e a mais original obra brasileira, 
só não tendo tido grande influência 
por ter sido escrita em português. 

— Feito o primeiro levantamento 
magnético da bacia do São Francisco 
pelo holandês Van Ryckevorsel. 

— Michler e A. Sampaio publicam 
na Revista de Engenharia do Rio de 
Janeiro suas "Investigações Chimicas 
dos Produtos Naturaes do Brasil'*. 

— Cruls publica trabalho sobre o 
meridiano do Observatório do Rio 
de Janeiro, até então controvertido, 
dando origem a críticas de Manuel 
Pereira Reis e à formação de uma 
comissão nomeada pelo governo pa- 
ra estudar a questão. Ambas foram 
refutadas por Cruls. 



1883-1915 — Ule (1854-1915) é con- 
tratado naturalista-vlajante do Mu- 
seu Nacional, passando em 1895 a 
assistente da seção de Botânica. Além 
de estudos descritivos e de fitogeo- 
grafia e ecologia, estudou turfeiras, 
plantas produtoras de borracha, epí- 
fitas, formigas da Amazónia. 



388 



389 



I j i s i i tuc ion a li zaçao 

1884 — Cruls, diretor do Imperial 
Observatório As trono mico, represen- 
ta o Brasil na conferência em Was- 
hington, que estabelece para meri- 
diano universal o de Greenwich 
(com abstenção de voto do Brasil e 
da França) e adota uma hora uni- 
versal, 

— Reforma do ensino médico (Sa- 
bóia) que esteve em vigor até o fim 
da monarquia. Procurou desenvolver 
o ensino prático, concedeu ampla 
liberdade de frequência, suprimiu as 
sabatinas, obrigando os alunos a pro- 
vas práticas e a apresentação de pre- 
parados feitos durante o curso; abo- 
liu a jubilação por reprovação con- 
secutiva, criou a Revista dos Cursos, 
permitiu realização de cursos livres 
e fundação de faculdades livres* etc t 

— Criação do Observatório de Curi- 
tiba, pela Repartição dos Telégrafos. 



1885 — Início da publicação da Re" 
vista da Sociedade de Geografia do 
Rio de Janeiro* 



Produção científica 

1884 — Karl von den Stein chefia 
expedição ao Brasil central, de que 
faz parte, entre outros, Otto Clauss, 
cujos trabalhos meteorológicos e 
geográficos foram publicados em 
1886 no Pettermanns Geographische 
Mitteilungen, O relatório da expedi- 
ção também foi publicado em 1886. 

— Exploração da praia de Armação 
por Miilier, em estudos de campo. 

— João Batista Kossuth Vínelli, da 
Faculdade de Medicina, escreve um 
trabalho sobre a "descortícaçáo ce- 
rebral de macacos". 



1884-89 — Revistas alemãs publicam 
as séries de observações meteoroló- 
gicas realizadas no Mato Grosso, 
primeiro por Carstens (1884 85) e 
posteriormente por este e Vogel 
(1887-89). 



1885 — João Paulo de Carvalho, da 
Faculdade de Medicinai publica so- 
bre fibras vasomotoras no simpático 
cervical, 

— F, l. Ferreira publica no Rio de 
Janeiro seu Dicionário Geográfico 
das Minas do Brasil, conca te nação de 
notícias, informações e descrições 
sobre as minas, extraídas de do- 
cumentos oficiais, memórias, etc, 



1885-89 — Adolfo Lutz, em função 
de seus trabalhos clínicos no inte- 
rior de São Paulo* publica série de 
artigos no Zeitschrift fur Dermatolo- 
gie, contribuindo, entre outros, mas 
significativamente, para a descrição 
do bacilo da lepra, o que o leva a 
Honolulu, em comissão do governo 
inglês, a convite do professor Unna, 
de Hamburgo. 



390 



l n s ti tucion a Ih ac ao 



Produção científica 



1886 — Instalação da Comissão Geo- 
gráfica e Geológica do Estado de São 
Paulo, dirigida por Orville A + Derby, 
contando com a colaboração do pe- 
trógrafo austríaco Eugen Hussak e 
dos geólogos brasileiros Gonzaga de 
Campos e Francisco P + Oliveira, for- 
mados ambos pela recém-criada Es- 
cola de Minas de Ouro Preto. Em 
1904 Derby pede demissão do cargo. 

~ Tniciada a publicação da Revh* 
ta do Observatório, periódico men- 
sal de divulgação e informação cien- 
tífica do Imperial Observatório As- 
tronómico do Rio de Janeiro. 



1886 — António Pimenta Bueno ela- 
bora o Mapa do Território das 
Missões* 



1887 — Fundação da Imperial Es- 
tação Agronómica, posteriormente 
Instituto Agronómico de Campinas, 
por iniciativa do Conselheiro Antó- 
nio Prado, para estudar lodos os pro- 
blemas referentes à agricultura na- 
cional. Para fundar e dirigi-la, foi 
convidado o jovem químico F. W. 
Dafert, assistente de Kreusler» da 
Academia de Agricultura Bonn-Po- 
pelsdorf, e para vice-diretor, E, Leh- 
mann, da Academia de Agricultura 
Weibstephan da Ba varia. Junto vie- 
ram outros cientistas alemães. 

— Escola Politécnica da Bahia. Fun- 
dada em 1887, só foi instalada em 
março de 1897 e equiparada em 
maio de 1898 pelo decreto de n* 
2.893. 

— Cruls, diretor do imperial Obser- 
vatório Astronómico, representa o 
Brasil no Congresso AstTanômico pa- 
ra a Carta Topográfica do C*u, com 
a presença de 37 astrónomos de 
quinze países. Na ocasião, acompa- 
nha D< Pedro II na visita do impe- 
rador a Flarnmarion. 



1887 — Pedro Severino de Maga- 
lhães, da Escola Tropicalista da Ba- 
hia, descobre uma filaria do coração 
humano, a Filaria magalhaensi. Além 
disso, descreve nematóides da água 
potável e é o primeiro a assinalar 
hematozoários no homem. Substituto 
na Faculdade de Medicina do Rio 
de Janeiro em 1891, é catedrático 
em 1914. 

— Domingos Freire, catedrático de 
Química Orgânica e Biológica da 
Faculdade de Medicina do Rio, pu- 
blica um Manual de Trabalhos Prá- 
ticos de Chimica Orgânica. Suas pu- 
blicações incluem assuntos de higie- 
ne, bacteriologia, bromatologia, me- 
dicina, etc, além de estudos sobre 
fitoquímica. 

— Jordano da Costa Machado, cm 
lena, orientado por Eugen Hussak, 
apresenta tese intitulada Beitrag zur 
Tetrographie der súdwestliche Gren* 
zb zwischen Minas Gerais und São 
Paulo. Foi este contato com o jovem 
brasileiro que levou Hussak a aban- 
donar a docência em Bonn e em 

1888 vir para o Brasil, 



391 



I ri si i t uc io na lização 



1888 — Cruls, diretor do Imperial 
Observatório Astronómico, é agracia- 
do pelo governo francês com a Cruz 
de Oficial da Legião de Honra e 
nomeado membro correspondente do 
instituto de França, 

— O Ministério da Marinha cria sua 
Repartição Central Meteorológica, 
competindo de certa forma com o 
Observatório do Rio de Janeiro, 



Produção científica 

— Tibúrcio Valeriano Peeegueiro do 
Amaral, aluno de Morais e Vale, pu- 
blica o Estudo Chi mico do Mercúrio 
e Seus Compostos, tese para doutor 
em medicina, muito elogiada por 
Campos da Paz. 

— António Pimenta Bueno constrói 
sua Carta Geral das Fronteiras do 
Brasil, cuja parte relativa ao Mato 
Grosso foi principal fonte de infor- 
mação até os trabalhos de Rondon 
nos primeiros decénios do século 
XX. 

1887-88 — Segunda expedição che- 
fiada por Karl von den Stein. acom- 
panhado desta vez por Peter Vogel, 
cujas observações foram publicadas 
sob o título de Reisen nach Matio 
Grosso — 1887-1888* 

1888 — João Paulo de Carvalho, da 
Faculdade de Medicina, publica so- 
bre a excitabilidade do córtex. 

1888-1911 — Presença no Brasil, on- 
de falece, do mineralogisia e petró- 
logo Franz Eugen Hussak, de origem 
austríaca. Descreveu neste tempo 
uma dúzia de minerais novos, obti- 
dos quase todos pessoalmente. Em 
função de dificuldades iniciais, foi 
nomeado professor de mineralogia e 
geologia do neto de D, Pedro II. 
D. Pedro Augusto. Trabalhou com 
Orvílle Derby na Comissão Geográ- 
fica e Geológica de São Paulo e, 
depois, no Serviço Geológico e Mi- 
neralógico do Brasil, 



Institucionalização 



— 1889: Proclamação da República — 



1889 — No livro Observariam et 
Mémoires Astronomiques, publicado 
no Rio de Janeiro pela Tipographia 
Lombaerts, acham-se, entre outros, 
os resultados dos estudos de Líaís e 
Cruls sobre a passagem de Mercúrio 
pelo disco solar em 1878. 



392 






1890 — Criação, no Rio de Janeiro, 
do Pedagogium, por Benjamim Cons- 
tam, corno órgão central de coorde- 
nação das atividades pedagógicas do 
país. Foi posteriormente transferido 
para a jurisdição do governo do Dis- 
trito Federal, perdendo seus fins na- 
cionais. Seria a!go nos moldes do 
Bureau of Educaiion dos EUA. 

— Sob o | regime \ do | governo \ provi- 
sório, a primeira tentativa, desta vez 
infrutífera, de supressão dos cursos 
científicos da Escola Politécnica do 
Rio de Janeiro. 



Produção científica 

— Nos Annales de VObservatoire 
Imperial de Rio de Janeiro são pu- 
blicados os estudos de Liais e Cruls 
sobre os planetóides* Nos mesmos 
Annales, Cruls tem publicado seu 
trabalho resultante das observações 
sistemáticas de estrelas duplas, reali- 
zadas entre 1879 c 1880. 

— Torquato Tapajós publica seus 
Apontamentos pára o Clima do Va- 
te do Amazonas, considerados por 
Sampaio Ferrai ainda muito prematu- 
ros: 



1889-93 — Publicados os cinco vo- 
lumes da História das Plantas Medi- 
cinaes e Úteis do Brazit {* contendo 
a descrição botânica, cultura, partes 
usadas, composição chimiça, seu em- 
prego em diversas mo té si i as , doses, 
usos industriais, etc"), de Teodor 
Peckolt, em colaboração com seu fi- 
lho Gustavo. Em 19 i 4 foram publi- 
cados mais três volumes póstumos. 



1890 — Com a expedição Meyer, 
veio ao Brasil o botânico alemão 
Piíger. Estudou principalmente a ve* 
getação do Mato Grosso, do ponto 
de vista sistemático e fítogeogrãfico* 

— Lõfgren, botânico sueco radicado 
no Brasil, publica Contribuição para 
o Conhecimento da Flora Paulista. 

— Henrique £, Bauer publica seu 
trabalho sobre As Minas de íporan- 



393 



Institucionalização 

— Decretada a terceira reforma do 
Museu Nacional, determinando o Fu- 
turo destacamento do Laboratório de 
Fisiologia, eliminando a acumulação 
de cargos fora do Museu e aumen- 
tando o poder do diretor geral. J?a 
época ainda Ladislau Neto. A refor- 
ma provocou a revolta dos técnicos 
e cientistas e determinou o afasta 
mento, entre' outros, de Schwacke e 
Derby e a saída de Lacerda da dire- 
ção da seção de Zoologia, para ficar 
no Laboratório de Fisiologia. 

— Barbosa Rodrigues é nomeado di- 
retor do fardim Botânico do Rio de 
Janeiro» cargo que ocupou até 1909, 
quando morreu. Teria sido o melhor 
diretor que o Jardim Botânico teve. 
Além de coletar em muitos estados 
brasileiros, classificou as plantas do 
Jardim e ampliou suas coleções. Au- 
tor de inúmeras publicações, entre 
elas o Ser í um Palmar um Brasilien- 



1891 — Reforma Benjamim Cons- 
tam, primeira do Brasil República, 
modificando o ensino cm todos os 
seus níveis. De fortes influências po- 
sitivistas, mas de cunho enciclopédi- 
co, procurou romper com o ensino 
humanístico tradicional, Teve pouco 
efeito prático, principalmente pelas 
reformas que a sucederam. 

— O estado de São Paulo recebe 
o acervo do Museu Sertório, antes 
pertencente ao CeL Joaquim Sertó- 
rio, comprado e doado pelo conse- 
lheiro Francisco de Paula Mayrinck- 
Para organizar o material, é nomea- 
do o naturalista Albert Lòfgren. Em 
1S93 é transformado no Museu Pau- 
lista. 



Produção científica 

1890-93 — Henrique E* Bauer, en- 
genheiro de minas alemão, publica 
monografia em três partes intitulada 
Mineralogische und Petrographische 
Nachrichten aus dem Thale de Ri- 
b eira de íguape in Sud*R rasillen , 
Bauer morou de 1872 a 1896 no ser- 
tão da Ribeira de Iguape, numa casa 
de taipa e palha, que transformou em 
laboratório, Morre em Si o Paulo* 
em 1896. 



1891 — Hermann von Ihering pu- 
blica As Árvores do Rio Grande do 
Sul. 

— Henrique Morize publica seu Es- 
boço duma Climatologia da Brasil. 
origem de grande polemica entre o 
Observatório e o Serviço Meteoroló- 
gico da Marinha, em torno da meteo- 
rologia unificada no país, 

— Luís F. Gonzaga Campos publica 
no Rio de Janeiro sua obra intitula- 
da Jazidas Diamantíferas de Água 
Suja ( Bagagem), Estado de Minas 
Gerais. 



394 



I n s titucionaliza cão 



Produção ckntííica 



■— = Com o início dos Cursos Supe- 
riores e de Ciência Pura e Aplicada, 
no âmbito da Escola Americana, é 
fundada em São Paulo a Escola de 
Engenharia Mackenzie (Maekcnzie 
College). que em 1895 recebe Carta 
de Privilégio da Universidade do Es^ 
tado de Nova .York, sendo equipa- 
rada em 1923 aos estabelecimentos 
congéneres federais. 

— Criada a Comissão de Exploração 
Geográfica de Minas Gerais, trans- 
formada no ano seguinte na Comis- 
são Geográfica e Geológica. 



1892 — Criação do Instituto Vaci- 
nogênico de São Paulo, cuja direção 
é entregue a Arnaldo Vieira de Car- 
valho, Incorporado ao Instituto Bu- 
tanta em 1925. 

— À Comissão de Exploração Geo- 
gráfica de Minas Gerais, criada no 
ano anterior, é transformada em Co- 
missão Geográfica e Geológica nos 
moldes da de São Paulo. Extinta em 
1899. 

— Transformação da Estação Agro* 
nòmica de Campinas cm Instituto 
Agronómico do Estado, passando a 
jurisdição estadual, 

— Conforme plano extensivo do 
barão de Capanema, a Repartição 
dos Telégrafos instala um posto me- 
teorológico em Porto Alegre. 

— Por sugestão de Alberto Lõfgren, 
membro da Comissão Geográfica e 
Geológica do Estado de São Paulo, 
í criado um Serviço Meteorológico 
no eslado, cuja direção é entregue a 
E C. J, Schneidcr, Possuía inúmeras 
estações espalhadas pelo estado, ten- 
tio seu trabalho sido elogiado por 
|ulius Hahn no Meteorologische 
y.citschrift. 



1892 — Cruls, a partir de observa- 
ções meteorológicas sistemáticas, 
mantidas desde 1851, publica seu 
trabalho O Clima do Rio de Janeiro, 

— João Pandiá Calógeras publica O 
Ferro Niquelado de Santa Catarina. 



1 892-94 — Presença entre nós do bo- 
tânico sueco Lmdman, às expensas 
dos Fundos Regnellianos, em viagem 
com Malme, resultando na publica- 
ção de Vegetação do Rio Grande do 
SuL traduzido para o português por 
Albert Lófgren. cm Í906, 



395 



Institucionalização 



Produção científica 



— Instituída uma Comissão de Ex- 
ploração do Planalto, com objetivo 
de demarcar a zona de implanta- 
ção de uma nova capital e estudar 
sua orografia, hidrografia» condições 
climáticas, etc. Para chefe foí no- 
meado Louis Cruls, que ainda con- 
tou com a colaboração de Lacaille e 
f-L Mortze, 

— Conferido a Orville A, Derby o 
prémio Woílaston, pela Sociedade 
Geológica de Londres, pelos seus nu- 
merosos trabalhos de repercussão 
internacional, que somavam na épo- 
ca de sua morte (1915) 173 trabalhos 
de pesquisa. 



1891 — Regulamentação do Instituto 
Bacteriológico de São Paulo, operan- 
do desde o ano anterior. Seus obje- 
tívos; o estudo de problemas bacte^ 
riológicos e microbiológicos quanto 
à etiologia de doenças epidêmicas, 
endémicas e epizoóticas encontrada 
ças no estado, produção de vacinas 
e soros e realização de análises clíni- 
cas e microscópicas. Seu primeiro 
diretor, indicado por Pasteur, é Fé- 
lix Le Dantec e logo depois Adolfo 
Lutz, Em 1925 é extinto e incorpora- 
do ao Butantã. 

— Fundação do Museu Paulista, a 
partir do acervo do Museu Sertório. 
Até início de 1894 ficou sob cuidados 
da Comissão Geográfica e Geológica, 
sob direção de Orville Derby. Em 
janeiro de 1894 foi nomeado seu pri- 
meiro diretor: Hermann von lhering. 
Destina va-se ao estudo da história 
natural da América do Sul, princi- 
palmente o Brasil, e também á his- 
tória do Brasil e especialmente a 
c oleei o na r e arquivar documentos 
relativos ao período da nossa inde- 
pendência política. Durante muito 
tempo foi o centro mais ativo em 
zoologia. 



1893 — Adolfo Luiz, diretor do Ins- 
tituto Bacteriológico de São Paulo, 
identifica no prazo de um dia a có- 
lera na Hospedaria dos Imigrantes. 
Há fortes resistências por parte dos 
médicos paulistas em aceitar o diag- 
nóstico, Outros diagnósticos da mes- 
ma doença em 1894 c 1895, 

— Emílio Goeldi publica Mamífe- 
ros e, um ano depois, Aves do Bra- 
sil, doís pequenos livros para efei- 
tos de vulgarização, 

— Publicação do livro Os Minérios 
de Ferro do Brasil* de João Pandiã" 
Calógeras, 

— Hermann von lhering publica O 
Território da Flora Neotropical e 
Sua História. 



396 



Institucionalização 



Produção científica 



— O governo do estado funda em 
Manaus o Observatório Meteoroló- 
gico, cuja direção é entregue a Luís 
Friedmann. 



1894 — Inaugurada a Escola Poli- 
técnica de São Paulo, criada nos 
anos antecedentes por três leis suces- 
sivas (11 de maio e 17 de agosto de 
1892 e 24 de agosto de 1893, que 
expe d iu o primeiro reg ul am en to, 
prevendo o Curso de Engenheiros 
Civis e o de Engenheiros Indus- 
triais). 

— Fundação do Museu Paraense, por 
reorganização do antigo Museu Ar- 
queológico e Etnográfico da Socie- 
dade Filomática do Pará, sendo seu 
primeiro diretor o suíço Emílio Goel- 
di, Com a volta deste para a Euro- 
pa em 1907, assume a direção Jac- 
quês Huber, que em 1910 é substi- 
tuído pela Dra. Emile Snethlage, A 
partir de 1900 passa a ser chamado 
de Museu Goeldi. 

— Início da publicação da Revista 
do Instituto Histórico e Geográfico 
da Bahia. 



1894 — Paul Ferrand, engenheiro da 
Escola de Minas de Paris e desde 
1882 professor da Escola de Mmas 
de Ouro Preto, publica seu estudo de 
dois volumes intitulado VOr à Mi- 
nas Gerais. 



Í894 98 — Luís Friedmann, diretor 
do Observatório Meteorológico de 
Manaus, realiza uma série de ob- 
servações meteorológicas, avida- 
mente recebidas pelos especialistas 
estrangeiros, especialmente Julius 
Hann que, baseado nessas informa- 
ções e nas obtidas pelo Museu Goel- 
di do Pará, pôde traçar o primeiro 
ensaio sobre meteorologia equatorial, 
até então muito pouco conhecida. 



1895 — João Batista de Lacerda é 
nomeado diretor do Museu Nacio- 
nal, em substituição a Ladislau Neto, 
e reintegra o Laboratório de Fisiolo- 
gia ao Museu, 

— Publicado o primeiro número da 
Revista do Museu Paulista, mantida 
durante longos anos quase que ex- 
clusivamente por Hermann von lhe- 
ring, assistido nos últimos tempos 
por seu filho, Rodolfo. Pela Reforma 
de 1939 o museu perdeu suas carac- 
terísticas, com a transformação da 
seção de Zoologia do Museu no De- 
partamento de Zoologia da Secreta- 
ria da Agricultura do Estado de Sfio 
Paulo. 



1895 — Adolfo Lutz começa seus 
estudos sobre o que era conhecido 
como "febres paulistas" e as identi- 
fica como febre tifóide, por inter- 
médio dos agentes causais, o que 
gera grande controvérsia, 

— O botânico suíço Huber vem tra- 
balhar no Museu Paraense, com 
Goeldi, para organizar a seção de 
Botânica e instalar um horto. Dedi- 
ca-se, também, ao estudo de plantas 
produtoras de borracha, da vegeta- 
ção do Marajó e da associação entre 
certas ptantas e formigas. Huber foi 
aluno de VÔchting, Klebs e Chodat 
e mestre de Ducke. 



397 



Institucionalização 



Produção científica 



— Início da publicação da Revista — Henrique E. Bauer publica uma 
do Instituto Histórico e Geográfico nota sobre p Die KrystaUstrucktur 
de São Paulo. des Anatas". 

— Taubert publica sua Contribuição 
para o Conhecimento da Flora do 
Brasil Centrai (Gotas), que explorou 
em companhia de Ule. 

— Publicada a obra de João Pandiá 
Calógeras intitulada As Jazidas Dia- 
mantí feras de Água Suja. 

— Abreu Lacerda publica, no Bole- 
tim n,' 2 da Comissão Geográfica e 
Geológica de Minas Gerais, seu tra- 
balho intitulado "Subsídios para o 
Estudo do Clima de Minas Gerais". 



1895-98 — Publicação de Ensaio pa- 
ra uma Synonimia dos Nomes Poptt* 
lares de Plantas Indígenas do Estado 
de São Paulo, de Alberto Lofgren, 
botânico sueco radicado em São 
Paulo. £m 1896, Ensaio para uma 
Distribuição das Vegetações nos Di- 
versos Grupos Florísticos do Estado 
de São Paulo; em 1897. Flora Paulis- 
ta Composilaei e em 189&, Cucurbi- 
taçeae, Valer ianaceae, Calyceraceaet 
Campunulaçeae. 



1896 — Início da publicação do Bo- 
letim do Museu Paraense a centrado 
na história natural da Amazónia, 
mas abrangendo-lhe todas as especia- 
lidades. Até a volta de Coeldi à Eu- 
ropa (1907), publicados quatro to- 
mos. A partir daí, a edição se torna 
cada vez mais espaçada, acompa- 
nhando o declínio da instituição. 



1895-1915 — Osvaldo Weber reali- 
za, durante vinte anos ininterruptos^ 
séries climatológicas em Quixeramo- 
bim, a partir das quais se definiu o 
clima do sertão cearense* 



1896 — Ule (1854-1915) publica em 
português e alemão seu Relatório de 
uma Excursão Botânica Feita na Ser- 
ra áo Itatiaia. 



398 



J nst i tucional izaçâo 

I nndada a Escola Livre de Far- 

Hu l- Químka Industrial de Porto 

Mvyjc. Resultado da disposição esta- 
mh.lh;i da União Farmacêutica de 
IH'>4. junto com um curso de par- 
KM dn Santa Casa de Misericórdia 
.Ir 1897, é a base para a Faculdade 
l ,ivic de Medicina e Farmácia fun- 
♦W;i neste Tnesmo ano. 

Escola de Engenharia de Pernam- 
buco. Fundada pelo governador Bar- 
hmu Lima, a 12-2-1896. Extinta em 
iM04 pelo governador Segismundo 
i .unealves por motivos financeiros. 
Os professores, postos em disponibí- 
litludu, organizam em 1905 a Escola 
Livre de Engenharia, com um curso 
ia engenharia civil Passou a ser 
subvencionada pelo governo esta- 
dual. A primeira turma diplomou-se 
cm 1908. 

- Fundada a Escola de Engenharia 
*le Porto Alegre, reconhecida por 
decreto estadual em 1900. Em 1934 
é incorporada è Universidade de 
torto Alegre. 

— Organização dos Serviços de Me- 
< ci urologia no Observatório Astronó- 
mico Nacional, por Henrique Mo- 
riie, 

— A Congregação da Escola Poli- 
técnica do Rio de Janeiro aprova 
reforma extinguindo os cursos cien- 
tíficos, apesar da oposição de muitos 
lentes , principalmente Paula Freitas. 



1897 — Faculdade Livre de Medi- 
cina e Farmácia de Porto Alegre. 
Resultou de um curso de farmácia 
que começou em 1896 e um curso 
de partos que iniciou em 1 897* am- 
bos na Santa Casa de Misericórdia. 
Equiparação concedida em 1900. 
Com a reorganização de 1911* pas- 
sou a Faculdade de Medicina. 



Produção científica 

— Francisco Ferreira Ramos, primei- 
ro professor de Física da Politécnica 
de São Paulo, apenas decorrido um 
ano da descoberta dos raios X por 
Roentgen, tira radiografias em seus 
laboratórios. 

— Draenert, reunindo esboços ini- 
ciais publicados na Revista de Enge- 
nharia entre 1885 e 1888, publica sua 
,obra O Clima do Brasil , primeiro 
trabalho a descrever e discutir o 
clima brasileiro em seu conjunto. 

— Huber publica sua Contribuição 
à Geographia Botânica do Littoral 
da Guyana entre o Amazonas e o 
Rio Oyapoc. 

— Pecegueiro do Amaral, com a te- 
se Estudos Chimicos dos ChloruretQS 
ftíetallicos, passa a lente de Química 
da Faculdade de Medicina do Rio 
de Janeiro, 



1896-98 — Medeiros Raposo realiza 
uma série de medidas meteorológicas 
sobre chuvas, na Paraíba. 



1897 — Começam a aparecer os pri- 
meiros trabalhos de matemática de 
Oto de Alencar na Revista da Escota 
Politécnica, entre eles "A superfície 
de Riemann de Geratriz Circular" 



399 






Institucionalização 

— Fundada a Revista da Escola Po- 
litécnica no Rio de Janeiro, que teve 
cinco anos de duração, 

— Nina Rodrigues tem sua ''Memó- 
ria Histórica da Faculdade da Ba- 
hia" negada para ' publicação por 
conter veemente apelo, considerado 
inoportuno, para transformação do 
ensino médico e baseá-lo na pesqui- 
sa experimental e no trabalho do 
professor em seu laboratório de pes^ 
quisas. 



1898 — Fundação da Escola de Far- 
mácia de São Paulo, sendo um dos 
organizadores Batista de Andrade. 
Equiparada em 1905. 

— Fundação da Escola Superior de 
Agricultura e Medicina Veterinária 
em Niterói, depois transferida para 
o Rio de Janeiro. 

— João Batista de Lacerda preside 
a seção de Fisiologia do Congresso 
Médico Pan- Americano em Washing- 
ton. 



Produção científica 



1898 — Henrique Morize publica na 
Revista da Escoía Politécnica artigo 
intitulado "Novo Método para a De- 
terminação dos Projetis pela Radio- 
grafia", 

— Henrique Morize, como profes- 
sor da Politécnica do Rio de Ja- 
neiro equipa o Laboratório de 
Física de equipamentos completos 
de raios X + 

— Oto de Alencar, na Revista Poli- 
técnica t publica nova demonstração 
da fórmula de Stokes, republicada 
em 1903 na revista L Enseignement 
Mathêmatique, de Laisant* além do 
artigo "Alguns Erros de Mathemati- 
ca na Synthese Subjectiva de Au- 
gusto Comie*, que, segundo Amoro- 
so Costa, produziu no momento al- 
guma sensação. 

— Henrique Morize apresenta à Es- 
cola Politécnica do Rio de Janeiro 
tese para concurso intitulada Des* 
carga Elé trica nos Gases Rarefeitos, 
assunto na época atualíssimo, Mo rize 
é responsável pela introdução das 
práticas experimentais na Escola Po- 
litécnica, 



400 



Institucionalização 



Produção cientifica 



l^qg — Criado por Emílio Ribas, 
.mída como dependência do Institu- 
to Bacteriológico, o Instituto Serun- 
terápico de Buí anta h para o preparo 
díi vacina contra a peste bubônica 
t|uc grassava em Santos, Adolfo 
Luiz, diretor do Bacteriológico, foi 
encarregado de sua organização. 



1899 — Adolfo Lutz identifica como 
sendo peste a epidemia que assola 
o porto de Santos, confirmada logo 
após pela comissão formada por 
Lutz, Vital Brasil e Oswaldo Cruz. 



— 1900 — 



[900 — Emílio Ribas, diretor do Ser- 
vido Sanitário do Estado de São 
P;julo, toma conhecimento dos resul- 
ludos da Comissão Reed em Havana 
*obre a febre amarela e imediata- 
mente reorienta todo o programa de 
saneamento do Estado nesta direção. 

Criado no Rio de Janeiro o Jns~ 
liluto Soroterápico Municipal de 
Manguinhos para a fabricação de 
vacinas e soros, principalmente 
cm função da peste. Nomeado dire- 
tor o barão Pedro Affonso, diretor 
do Instituto Vacínico do Distrito 
Kederalj com grande experiência no 
preparo da vacina antivariólica. Seu 
principal assistente; Oswaldo Cruz, 
indicado por Émile Roux, vice-dire* 
íor do Instituto Pasteur de Paris. 

- Início das atividades práticas do 
Gabinete de Resistências de Mate- 
riais, da Escola Politécnica de São 
Paulo, transformado em 1925 em Ga- 
binete de Resistência e Ensaios t am- 
pliando as funções antes exclusiva- 
mente didáticas, que dará origem ao 
Instituto de Pesquisas Tecnológicas 
de São Paulo (IPT), anexo à Uni- 
versidade de São Paulo. 

— O Museu Paraense passa a se 
denominar Museu Goeldt, em home- 
nagem ao seu fundador e diretor. 



1900 — Feeegueiro do Amaral publi- 
ca as Noções Elementares de Chimi- 
ca Orgânica, livro d id ático classifi- 
cado por Rheinboldt de "aceitável". 
Este e muitos outros mais de sua au- 
toria foram por mais de duas déca- 
das os compêndios quase exclusivos 
de química no Brasil. Premiado peio 
governo, teve larga divulgação. 

— John Casper Branner, membro da 
Comissão Geológica do Império, pos- 
teriormente presidente da Leland 
Stanford University, publica neste 
ano Diamonds in Brazil\ Goíd in 
Brazii e The Manganese Deposits of 
Bahia and Minas. 



401 



Institucionalização 

1901 — Decretada a reforma de en* 
sino que leva o nome de Epitácio 
Pessoa, 

— Oficializado o Instituto Butantã 
e nomeado seu õjretor Vital Brasil; 
assistente e colaborador de Adolfo 
Lutz no Bacteriológico. Passa a ser- 
viço autónomo, tendo Vital Brasil 
ampliado suas funções gradativamen- 
te, até sua saída em 1919. 

— O Instituto Soroterápico Munici- 
pal (Manguínhos) passa à alçada fe- 
deral, com o nome de Instituto So- 
roterápico Federal. 

— Criação da Escola Superior de 
Agricultura Luiz de Queiroz, em 
Piracicaba. 

- — Criada comissão para a demar- 
cação de limites entre o Brasil e a 
Bolívia, subordinada ao Ministério 
das Relações Exteriores, sendo no- 
meado para chefiá-la Louis Cruls. 

— Reorganizado o Observatório Na- 
cional* dando-se a instituição uma 
estrutura mais moderna. 



Produção cientifica 

1901 — Oto de Alencar publica, no 
I ornai d& Ciências Matemáticas e 
Astronómicas do Porto* uma memó- 
ria chamada "Sor LAction d'une 
Force Accelerairice sur la Propaga- 
ticn du Son". onde encontra, por ca- 
minho diverso, resultados obtidos 
por Joaquim Gomes de Sousa 
(1829-65). 

— Oto de Alencar publica no Bui 
teíin de Sciences Mathêmatiques* di- 
rigido por Darboux, Pícard e 
Tannery, artigo seu "Sur 1'Equaiion 
de Riccaíi". 

— Chega em missão científica o bo- 
tânico austríaco Wettsrein, que per- 
corre o estado de São Paulo, colhen- 
do 20 mil exemplares de plantas. 
Como resultado, publica em 1901, 
com Schiffner, Ergebnisse der bota- 
níschen Expedition der Kaiserlichen 
Akademie der Wissenschaften nach 
SudSrasilien. Em 1904 publica Vege- 
taiionsbiíder aus Súd-Brasitien. 



1901-05 — Vem da Suécia, como as- 
sistente da seção de Botânica do Mu- 
seu Nacional, o botânico sueco Du- 
sén. 






402 



Institucionalização 

1902 — Criada a Comissão de Es- 
tudos das Minas de Carvão de Pe- 
dra do Brasil, dirigida por I. C. 
White, auxiliado por Francisco de 
Paula Oliveira (1857-1935). Os resul- 
tados dos estudos se encontram no 
Relatório da Comissão, ainda hoje 
base da geologia do Sul do Brasil 

*~ Em dezembro deste ano, o barão 
Pedro Affonso deixa a diretoria do 
Instituto Soroterápico Federal (Man- 
guínhos) por divergências, Assume 
seu principal auxiliar, Oswaldo 
Cruz, que reorganiza o Instituto. 
Primeiros auxiliares: Ismael da Ro- 
cha, Henrique de Figueiredo Vascon- 
celos e Ezequiel Dias, Frequentam 
o Laboratório: Miguel Couto, Carlos 
Chagas, Eduardo Rabelo, H. Mar- 
ques Lisboa, Henrique da Rocha 
Lima, Alcides Godoi. 



1903 — Oswaldo Cruz toma posse 
no cargo de diretor da Diretoria de 
Higiene do governo federal, indicado 
por E. Sales Guerra, que, convidado 
para o cargo, não o aceita. 



Produção científica 

1902 — Publicação do livro Os Ser- 
tões, de Euclides da Cunha. 



1903 — Um grande surto de febre 
amarela no Rio de Janeiro laz Os- 
waldo Cruz* enquanto diretor de Hi- 
giene* promover ampla campanha, 
envolvendo ativa mente Manguínhos 
e gerando violentas resistências por 
parte da população. 

— Adolfo Lutz repete as experiên- 
cias da Comissão Reed de inoculação 
experimental da febre amarela em se- 
res humanos, com permissão do go- 
verno do estado, concedida em 1901. 
Os resultados incentivaram Oswaldo 
Cruz a deslanchar a sua campanha 
no Rio de Janeiro no mesmo ano. 

— Publicado pelo governo brasileiro, 
por empenho de Miranda de Azeve- 
do» o Ser t um Palmaram Brasilien- 
sium, de Barbosa Rodrigues, O Ser- 
tum Orchidacearutn, do mesmo au^ 
tor, ficou inédito, 



403 



1 ns ti tu cíonali z a ç ã o 



Produção científica 



Institucionalização 



Produção cientifica 






1904 — Fundada a Revista dos Cur- 
sos da Escoia Politécnica, no Rio 
de lanei ro, que se destinava a divul- 
gar trabalhos científicos dos profes- 
sores, conforme o Código dos Insti- 
tutos Oficiais de Ensino Superior o 
Secundário de 190L O último nu- 
mero apareceu em 1909. 



— Dusén, botânico sueco do Museu 
Nacional, publica $ur ta Flore de 
la Serra do Itatiaia en BrésiL Neste 
ano visita Curitiba, voltando depois 
a seu país de origem. 

— Franz Katzer publica em Leipzig 
sua s G ru ndztige der Geologie des 
unteren Amazonas Gebiets (des 
Staates Para in Brasilien). 

— Francisco Bebring, antigo discípu- 
lo de Manuel Pereira Reis, tendo tra- 
balhado no Observatório de Paris sob 
orientação de Mouchez. publica no 
Anuário da Escola Politécnica (de 
Sâo Paulo) seu trabalho "Levanta- 
mento Astronómico (...)", Behring 
é o iniciador da Astronomia na Es- 
cola Politécnica de São Paulo. 



1904 — Revolta popular, com apoio 
de parte da Escola Militar e instiga- 
ção positivista, contra o diretor de 
Higiene* Oswaldo Crua, e sua cam- 
panha de combate à febre amarela. 

— Oto de Alencar, na Revista dos 
Cursos da Escola Politécnica, publica 
trabalho intitulado "Aplicações Geo- 
métricas da Equação de Ríccati". Em 

1905 segue-se, na mesma revista, um 
" Suplemento à Memória Aplicações 
Geométricas da Equação de Riccati'\ 

— Tasso Fragoso, introdutor do mé- 
todo de Zinger no Brasil, que diz 
respeito à determinação da hora, pu- 
blica pela Imprensa Nacional sua 
Determinação da Hora por Alturas 
Iguaes de Es t relias Diversas, 

— Pecegueiro do Amaral publica as 
Lições de Chimica Inorgânica Medi- 
ca, professadas naquele ano na Fa- 
culdade de Medicina. 



ÍS05 — Realizado no Rio de Janei- 
ro o Terceiro Congresso Científico 
Latino-Americano. 






1905 — Rocha Lima, do Instituto 
Oswaldo Cruz, descreve pela primei- 
ra vez as lesões histopatolófiicas do 
fígado, decorrentes da febre amare- 
la. Os resultados de sua pesquisa, no 
entanto, só foram publicados em 
1911, na Alemanha, 

— Carlos Chagas, do Instituto Os- 
waldo Cruz, elabora a doutrina da 
infecção domiciliar da malária, em 
Função de suas pesquisas sobre a 
doença* A doutrina irá ser a base 
de todo o combate à doença. 



1906 — Henrique de Beaurepaire 
Aragão, do instituto de Manguinhos. 
descobre o ciclo evolutivo do haJte- 
rídio do pombo, Haemoproteus co* 
lumbae, de grande importância para 
a continuidade dos estudos de proto- 
zoologia e parasitologia, principal- 
mente da malária, Segundo Stepan, 
esta foi a primeira comunicação de 
Manguinhos a ganhar atenção inter- 
nacíonaL 

— OrviHe A. Derby publica no Jour- 
nal of Geology, vol. XIV, m n 3, seu 
artigo "The Serra do Espinhaço". 

— Oto de Alencar publica uma co- 
letânea de notas e memórias sob o 
título FÍ$íC£t e Eletrotécnica* 

— Oto de Alencar publica sua Me- 
mória sobre a Detertninação da Hora 
(Rio de Janeiro, Besnard), em que 
discute o método de Zinger, a partir 
de um trabalho de Tasso Fragoso 
sobre o assunto. 

— Oto de Alencar publica no Rio 
de Janeiro seu Estudo da Lua. Lati- 
tude e Raio Vector, que fazia parte 
do seu curso de Astronomia na Es- 
cola Politécnica. 



404 



405 



I nstí tu cionalizaçao 



Produção cientifica 



Institucionalização 



Produção cientifica 



1907 — Criação do Serviço Geoló- 
gico e Mineralógico do Brasil, orga- 
nizado e dirigido por Orville A. 
Derby. 

— Reorganização da amiga Direto- 
ria Geral de Estatística, 

— A 12 de dezembro deste ano F ofr- 
cialíza-se o Instituto de Medicina 
Experimentai de Manguínhos, antes 
Instituto Soroterápico Federal, ga- 
nhando amplas atribuições de pes- 
quisa científica, além do direito de 
vender soros e vacinas, Quadro: Os- 
waldo Cruz, diretor; Figueiredo Vas- 
concelos e Rocha Uma, chefes de 
serviço; Alcides Godoí, Cardoso 
Fontes, Chagas, Artur Neiva, Eze- 
quiel Dias, Aragão, assistentes. To- 
tal: 28 funcionários. 

— Brasil, como único pafs latino- 
americano convidado, participa da 
XII Conferência Internacional de 
Higiene em Berlim, tendo sido con- 
ferido o principal premio, a meda- 
lha de ouro» ao então ainda insti- 
tuto de Medicina Experimental de 
Manguinhos, pelas suas contribui- 
ções para o avanço das ciências da 
higiene. 



— Teodoro Sampaio* da Comissão 
Geográfica e Geológica de Sio Paulo, 
publica seu trabalho O Rio Sao 
Francisco e a Chapada Diamantina, 

— Lúcio Martins Rodrigues, astró- 
nomo da Escola Politécnica de Sao 
Paulo, publica no Anuário- da Escola 
Politécnica trabalho seu intitulado 
"Um Problema de Astronomia: De- 
terminação da Órbita de um Plane- 
la ou Cometa por Três Observações 
Completas Geocêntricas'". 

1907 — Publicação em Leipzig do 
livro Archeienis e Ar chino tis, por 
Von Jhering, que culminou na teo- 
ria Archelenis sobre moluscos da 
América do Sul 

— Pecegueiro do Amaral publica 
seu Elementos de Chimica Inorgâni- 
ca, julgado de utilidade pela Con- 
gregação, premiado por autorização 
do Congresso Nacional, com larga di- 
vulgação por mais de três décadas. 
Considerado por Rheinboldt como 
rigorosamente "péssimo". 






406 



— Organizada a Comissão de Li- 
nhas Telegráficas e Estratégicas do 
Mato Grosso ao Amazonas, chefia- 
da pelo marechal Rondon. A Comis- 
são publicou várias dezenas de tra- 
balhos e cenetou uma grande varie- 
dade de materiais, 

— início da publicação da Revista 
Didática da Escola Politécnica, no 
Rio de faneiro, sob responsabilidade 
do Diretório Académico, destinada a 
circular com material elaborado pe- 
lo corpo docente. De publicação ir- 
regular, saíram ao todo 36 números, 
o último em 1930- 

— Fundação da Escola Livre de 
Odontologia de Belo Horizonte, cal* 
cada na Escola de Odontologia do 
Rio- 



1908 — A 19 de março deste ano, o 
Instituto de Medicina Experimental 
de Manguinbos passa a se chamar 
instituto Oswaldo Cruz. por suges- 
tão direta dos discípulos deste, 

— Desencantado com as perspecti- 
vas e as limitações do Bacteriológico 
de Sao Paulo, Adoifo Lutz aceita 
convite de Oswaldo Cruz e passa a 
trabalhar em Manguinhos, Formal- 
mente só deixa a direção da insti- 
tuição paulista em 1913, 



1908 — Manuel Pirajá da Silva, dis- 
cípulo de Wucherer, da Escola Tropi- 
calista da Bahia, faz a primeira des- 
crição satisfatória do Schistosoma 
tnansoni Sambon, agente causador da 
esquistossomose. Em 1912-13 segue 
cursos no Instituto Pasteur e no de 
Doenças Tropicais de Hamburgo. 

— Adolfo Luiz descobre a micose 
blastomicóide, hoje conhecida como 
doença ou micose de Lutz. 

— Chegam ao Brasil os cientistas 
alemães Stanislas von Prowazek e G. 
Giemsa, que, no curto período que 
permaneceram trabalhando no Insti- 
tuto Oswaldo Cruz, exerceram gran- 
de influência sobre os protozoólogos 
brasileiros, como Henrique Aragão e 
Aristides Marques da Cunha. É tal- 
vez a primeira vez que cientistas es- 
trangeiros vêm ao país para estagiar, 
além de transmitir conhecimentos. 



407 



1 nstitucionalizaçâo 



Produção científica 

— Álvaro da Silveira, discípulo de 
Leônidas Damásio e pertencente ao 
grupo dos botânicos mineiros, publi- 
ca  Flora e Serras Mineiras. 

— [ohn Casper Branner publica sua 
Geologia Económica da Bahia c, em 
colaboração com [. A. Lustosa. AÍíwi- 
ganese Deposit of Morro da Mina. 

— Publicado o Relatório Final da 
Comissão de Estudos das Minas de 
Carvão de Pedra, da autoria de I. C. 
Whíte. 

— Gomes de Faria e Alcides Godoi, 
do Instituto Oswaldo Cruz, comuni- 
cam ao 6-° Congresso de Medicina e 
Cirurgia um novo método de vacina- 
ção contra o carbúnculo sintomático, 
vulgarmente conhecido como "peste 
da manqueira". 



1909 — Pelo decreto n. a 7.672 é 
criada, no Ministério da Agricultura, 
a Diretoria de Meteorologia e Astro- 
nomia, com duas seções distintas, 
sediada no Observatório Nacional. 

— Realizado o primeiro Congresso 
Brasileiro de Geografia, sob os aus- 
pícios da Sociedade Brasileira de 
Geografia* 

— Infcio da publicação das Memó- 
rias do instituto Oswatdo Cruz, que 
serve de veículo para as publicações 
de todos os cientistas do Instituto. 



190S — O professor John Casper 
Branner publica The Diamond Bear- 
mg High Lands of Bahia. 

— Henrique da Rocha Lima, pesqui- 
sador de Manguinhos, é convidado 
por Duerck para ser seu assistente 
na Universidade de Viena e, logo 
depois, por Prowazek para organizar 
e dirigir a recém-criada Divisão de 
Anatomia Patológica do Institui fur 
Schíffs-und-Tropenhygiene de Ham- 
burgo, mais tarde conhecido por 
Tropeninstitut. 

— Carlos Chagas, do Instituto de 
Manguinhos, verifica a existência de 
uma tripanossomiase humana e con- 
segue estudar e descrever o ciclo 
completo no organismo do transmis- 
sor e dos vertebrados, ò que lhe va- 
le a aclamação da Academia Nacio- 
nal de Medicina, que o nomeia mem- 
bro titular, mesmo contrariando os 
estatutos. Trata-se da moléstia hoje 
conhecida como Doença de Chagas. 



408 



Institucionalização 



Produção científica 



1910 — Sob a direção de Batista 
Lacerda (1895-1915), o Museu Na- 
cional passa por completa reforma, 
inclusive do prédio do Palácio Im- 
perial, para onde passou em 1892. 
Sai do Ministério da Justiça para o 
recém-criado Ministério da Agricul- 
tura, Indústria e Comércio, auxilian- 
do na organização das repartições 
técnicas deste, principalmente dos 
laboratórios da Escola Superior de 
Agricultura e Medicina Veterinária, 

— Iniciada a construção do Obser- 
vatório Oficial do Estado de São 
Paulo. 



— Chega ao Brasil o protozoólogo 
alemão Max Harimann para se jun- 
tar em Manguinhos a Prowazek e 
Giemsa, aqui desde o ano anterior. 
Hartmann, junEo com os outros dois, 
tem grande influencia sobre estes 
primeiros anos da protozoologia no 
Instituto. 

— Henrique Beaurepaire Aragão, 
cientista do Grupo de Manguinhos, 
publica seus trabalhos sobre os es- 
porozoários do sangue e a divisão 
nuclear nas amebas. 

— Cardoso Fontes, pesquisador de 
Manguinhos. publica seus primeiros 
estudos sobre a filtrabilidade do ba- 
cilo da tuberculose, que mais tarde 
lhe renderão uma homenagem no I. B 
Congresso Internacional de Tu- 
berculose. Suas pesquisas, no entan- 
to, foram sempre contestadas, 

1910 — Artur Neiva, pesquisador 
de Manguinhos, demonstra definiti- 
vamente a existência de estirpes de 
plasmódios resistentes aos antimalá- 
ric05, principalmente a quinina. Além 
disso, descreve algumas novas espé- 
cies do mosquito transmissor. 

— Alberto Betim Pais Leme, for- 
mado pela Escola de Minas de Paris 
e posteriormente doutor honoris cau- 
sa pela Universidade de Paris, publi- 
ca seu trabalho Estudo Geológico de 
uma Parte do Distrito Federai . 

— Gomes de Faria, pesquisador de 
Manguinhos, descobre o Ancylosto- 
ma braziliense, principal causador da 
larva migrans cutânea, a chamada 
dermatose serpeante linear. 

— Alberto Lõfgren publica suas Afo- 
fas Botânicas e seu Mapa Botânico 
do Estado » do Ceará, relacionados 
com os esforços de combate à seca 
naquele estado. 



409 



Institucionalização 



Produção cientifica 



l n s ti tu c io n a I i z ac ão 



Produção científica 



1911 — Reforma do ensino que leva 
o nome de ministro Rivadávía Cor- 
reia. Rompe com a tradição e segue 
o modelo alemão, Elaborada por 
Hilário de Gouveia com colaboração 
de Francisco Pinheiro Guimarães, 
dava ampla liberdade às escolas e 
àbrta perspectivas para que estas se 
transformassem gradativamente em 
entidades privadas subvencionadas 
pelo estado. Cria o Conselho Supe- 
rior de Ensino, para fiscalizar o en- 
sino superior e secundário, 

— Chega ao Brasil Alfred Sehaeffer, 
químico alemão discípulo de Adolf 
von Baeyer, contratado para a insta- 
lação e direção do Laboratório de 
Análises do Estado em Belo Hori- 
zonte. Posteriormente encarregado, 
peta Escola de Engenharia de Belo 
Horizonte, de projetar e instalar o 
instituto de Química, que inicia as 
atividades em 1921. 



— As observações do Observatório 
Nacional em relação ao cometa de 
Haliey são publicadas nos Astrono* 
mische Nachrichten, vol, 186. n° 
4,443. 

— Prowazek, pelos seus trabalhos 
em Manguinhos e investigando a fau- 
na protozoológica dos arredores do 
Instituto, consegue triplicar o número 
conhecido de protozoários brasileiros 
de vida livre, No quinquénio se- 
guinte, A. A. da Cunha dá continui- 
dade a este trabalho* 



1910-1 1 — Novo levantamento mag- 
nético da bacia do São Francisco, 
chefiado por Domingos Costa, resul- 
tando em importante contribuição 
para a geografia de Minas Gerais e 
da Bahia. 



191 1 — Publicação de Flora der Um- 
gebung der Stadt São Paulo in Bra- 
silien, de Usteri, que foi professor 
da Escola Politécnica de São Paulo, 

— John Casper Branner publica The 
Minerais Associated with Diamonds 
and Carbonados trt the State of 
Bahia. 






Faculdade de Medicina de Belo 
Horizonte, Surgiu em função de 
imia proposta neste sentido apresen- 
Uida pela Associação Médieo-Cirúr- 
gteá de Minas em meados de 1910, 
equiparação em 1918. 

Escola Livre de Engenharia de 
Belo Horizonte. Iniciativa partiu da 
Sociedade Mineira de Agricultura, 
Houve auxilio financeiro do governo 
do estado. Em 1914 passou a Escola 
de Engenharia de Belo Horizonte. 

— Criados no Museu Nacional, em 
dezembro, dois novos laboratórios, 
o Laboratório de Química Analítica 
c o Laboratório de Química Vegetal. 



1912 — Retomando uma iniciativa 
de 1891 que previa a criação de 
uma Academia de Medicina, Cirur- 
gia e Farmácia, é criada cm São 
Paulo a Faculdade de Medicina e 
Cirurgia. Reconhecida em 1922 e 
equiparada em 193U Seu primeiro 
diretor é Arnaldo Vieira de Carva- 
lho, do Instituto Vacínogênico e di- 
retor clínico da Santa Casa, Este 
convida os estrangeiros Emílio 
Brumpt (Parasitologia), Alíonso Bo- 
vero (Anatomia) e outros, 

— Fundada a Universidade do Pa- 
raná, como iniciativa privada e 
com pequena ajuda do estado, valen- 
do-se da liberalização proporcionada 
pela Reforma Rivadávia, Era com- 
posta das faculdades de Medicina, 
Direito e Engenharia. A Reforma 
Maximiliano, de 1915, faz desapare- 
cer o título de universidade. 

— A Faculdade de Medicina do 
Paraná é estabelecida e dirigida por 
Vitor do Amaral. Ê reconhecida ofi- 
cialmente em 1922. 



1912 — Orville A, Derby. no Con- 
gresso Internacional de Geologia, em 
Estocolmo, dá noticia dos reconheci- 
mentos da geologia de Minas Gerais, 
principalmente das riquezas ferrífe- 
ras, despertando grande interesse, 

— Vem ao Brasil, para uma estada 
de seis meses, a convite de Oswaldo 
Cruz, o grande patologista alemão e 
mestre de Henrique da Rocha Lima, 
Herman Duerck. Sua permanência, 
no entanto, não deixa praticamente 
influência na formação dos patolo- 
gistas do Instituto, 

— Gaspar Viana descobre a cura 
da leishmaniose pelo tártaro emético. 

— Luís Felipe Gonzaga de Campos, 
da Comissão Geográfica e Geológica 
de São Paulo, publica seu Mapa Flo- 
restai do Brasil, para oferecer uma 
base para os primeiros estudos de 
criação de reservas florestais. 

— Publicados os estudos Os Gnats* 
ses do Rh de janeiro, de Alberto 
Betim Pais Leme, professor do Mu- 
seu Nacional. 



410 



411 



Institucionalização 



Produção científica 



1 nsti tuc ion alizaçâo 



Produção científica 



— Criação da Faculdade de Enge- 
nharia do Paraná, com cursos de en- 
genharia civil e agronomia. É equi- 
parada às universidades congéneres 
do país em 1920. O curso de agrono- 
mia 6 extinto em 19 IS. 

— Criada, no âmbito do Ministério 
da Agricultura, a Estação de Biolo- 
gia Marinha, mantida na praia Ver- 
melha, no Rio de Janeiro. 

— Carlos Chagas, do Instituto de 
Manguinhos, recebe o premio Schau- 
dinn, por seus trabalhos sobre a 
doença que leva o seu nome. 



— Publicado o Catálogo das Aves 
Amazônicas como resultado do tra- 
balho do Museu Paraense, sob coor* 
denacão de sua diretora, EmUe 
Sn et hl age, 



1913 — A convite do governo do 
estado, Dusên. botânico sueco, volta 
ao Paraná c. além de seus estudos, 
organiza excelente herbárío, que fica 
em Curitiba, mas não preservado pe- 
los sucessores. 

— Navarro de Andrade, botânico 
formado por Coimbra e especialista 
em silvicultura, introduz o eucalipto 
no Brasil e organiza em Rio Claro 
um arboretum com mais de cem es- 
pécies, difundindo seu plantio no 
pais, o que lhe Faz merecer uma me- 
dalha da American Genetic Assoei a- 
tion. 

— Amoroso Costa (1885 1928) apre- 
senta tese de docência na Escola Po- 
litécnica do Rio de Janeiro com o 
titulo Sobre a Formação das Estreias 
Duplas. 

— Henrique Aragão e Gaspar Viana, 
do Instituto Oswaldo Cruz, publi- 
cam trabalho com descrição clínica, 
estudo histopatológico do granulo- 
ma venéreo e sua cura com tártaro 
emético. 

— John Casper Branner publica tra- 
balho intitulado A Hydrocarbon 
Found In the Diamond and Carbona- 
do District of Bahia. 






1914 — Criada a Escola de Enge- 
nharia de Juiz de Fora, Minas Ge- 
rais, sendo oficializada pelo governo 
federal em janeiro de 1918. 

— Ao dia primeiro deste ano, o 
Brasil põe em prática as resoluções 
do .Congresso da Hora,, realizado em 
dezembro de 1912 em Paris por íni- 
ziativa de Baillaud e Ferrié, onde se 
fez representar por Nuno Alves da 
Silva, do Observatório Nacional. As 
resoluções se referem â adoção da 
hora fundamental do meridiano de 
Greenwich e ã adoçao de fusos ho- 
rários. 

— Realizado pelo O Estado de S* 
Paulo o primeiro inquérito sobre o 
ensino público paulista, de onde saí- 
ram muitos elementos para a' Refor- 
ma de 1920 da instrução pública em 
Sio Paulo. 



— Os pesquisadores do Instituto Os- 
waldo Cruz» César Guerreiro e As- 
trogildo Machado, descobrem pela 
primeira vez uma reaçãc capaz de 
diagnosticar a doença de Chagas e 
que passa a denominar-se Reação 
G uerrei ro- M achado . 

— Publicada pelo Serviço Geológico 
e Mineralógico, em português e in- 
glês, a monografia Fósseis Devonia- 
nos do Paraná, por J. M. Clark, 

— Lauro Pereira Travassos, pesqui- 
sador do Instituto Oswaldo Cruz e 
discípulo de Gomes de Faria, inicia 
suas publicações sobre vermes pa- 
rasitas, formando verdadeira escola 
de que fazem parte Herman, Leni, 
Teixeira de Freitas, Hugo Souza Lo- 
pes e. em São Paulo, Clemente Pe- 
reira, Zeferino Vaz, Paulo Artigas e 
outros. 

— Organizada a Expedição Científi- 
ca Roosevelt-Rondom 



1914 — Publicada em Bruxelas, em 
dois volumes, a obra de Sampaio 
Ferraz Instruções Meteorológicas. 

— Eusébio Paulo de Oliveira publi- 
ca seu trabalho sobre as jazidas de 
topázio. 

— Publicado pela Gáudio de Bruxe- 
las o trabalho Levantamento Magné- 
tico do Valle do Rio São Francisco, 
resultado da expedição chefiada por 
Domingos Costa em 1910-1 L 



412 



413 



Institucional i zaçao 



Produção científica 



— Instalada em Vassouras uma es- 
tação do Observatório Nacional des- 
tinada ao estudo das variações pe- 
riódicas e seculares do magnetismo 
terrestre, dirigida por Alíx de Le- 
mos- 



1915 — É extinta a Estação de Bio- 
logia Marinha, mantida pelo Minis- 
tério da Agricultura na praia Ver- 
melha. Parte do pessoal e material 
é transferida para Manguinhos, onde 
se dá continuidade aos trabalhos. 
Sua extinção se deu por não ter si- 
do incluída no orçamento federal 
a verba necessária a sua manuten- 
ção. 

— A Reforma Carlos Maximiliano 
autoriza o governo a agrupar em 
universidade a Escola Politécnica» a 
de Medicina e uma das faculdades 
de Direito do Rio de Janeiro* 

— Fundada a Sociedade de Physica 
e Chimíca no Rio de Janeiro, por 
Luís Osvaldo de Carvalho e alguns 
companheiros do Laboratório de 
Análises. Teve, no entanto, vida 
efémera , 

— O Serviço Geológico e Mineraló- 
gico passa por uma vigorosa refor- 
ma, passando a predominar, segundo 
o novo e rígido dispositivo regula- 
mentar, uma orientação utilitária, de 
geologia aplicada, 

<=— Inicio da publicação da Revista 
de Chimica e Physica Puras e Applí 
cadas, fundada por Luís Osvaldo de 
Carvalho, como órgão da Sociedade 
de Physica e Chimica, Apareceu re- 
gularmente em 1915 e 16, depois 
esporadicamente até extingui rse em 
I919 t tendo uma vez (1918) apareci- 
do com nome de Revista de Chimi- 
ca e Physica e de Sciencias Historí- 
co-Naturaes Puras e Âppliçadas. 



1915 — Heitor Murano, sob orien- 
tação de Vital Brasil, produz no Ins- 
tituto Butantã pela primeira vez um 
soro contra a peçonha dos escorpiões. 

— Navarro de Andrade publica 
Questões Florestais, sobre a contro- 
vertida influência da mata sobre o 
clima, 



414 



JiiKliiucíonaHzação 



Produção científica 



l'ili» 1'isndiida a Academia Brasi- 
Mni <l« ricncias com a denominação 
tMiMt<t<V" tli: Sociedade Brasileira de 

i i.» .. modificada para a atual 

■ ni pi.'l. 

I iiHtlrtdn, por Luís Osvaldo de 
i u-.iHm, ú Associação Brasileira de 
J «i HM iH ruiicúS- 

ISn ae gestão de Gama Cerqueira 
i*ni PJll,e recomendação do Conse- 
lho :;h|u rioi de Ensino, que julgava 
uiMiiivtuicníe curso exclusivo de 
iif]i>0it)íiigtfr, a Escola Livre de Odon- 
i.iKifr.i du Belo Horizonte passa a 
i min livre de Odontologia e Far- 
Irt4i!in, reconhecida em 1920 e in- 
r mjiurmlí) à Universidade em 1927. 

O laboratório de Química Ana- 
\\\u i\ r o Laboratório de Química 
\<j.HnJ. ;imbos do Museu Nacional, 
liHiilrin-sc em um único Laboratório 
ih < í Mímica, sob a chefia de Alfredo 
ilr Amírade, 



1916 — Amoroso Costa (1SS5-192S) 
publica na Revista Didâtica da Es» 
cola Politécnica seu primeiro artigo, 
intitulado "Um Problema sobre a 
Catenária", reproduzido em 1917 na 
obra La Mesure Rapide des Bases 
Gêodésiques, publicada em Paris por 
René Breuil e Chi Ed. Guíllaume. 

— Rocha Lima, do Instituto Man- 
guinhos, trabalhando no Instituto de 
Doenças Tropicais de Hamburgo e 
professor de Anatomia Patológica da 
Universidade da mesma cidade, apre- 
senta trabalho no Congresso de Me- 
dicina de Guerra em Varsóvia, identi- 
ficando a Rikettsia prowazek como 
agente causal do tifo exantemático 
europeu, 

— Navarro de Andrade, botânico 
paulista, publica, em colaboração 
com Octávio Vecchi f Les Bois Indi- 
giènes de São Paulo, em que mais 
de 150 essências florestais da vegeta- 
ção paulista são descritas e ilustra- 
das. 

— * O botânico Alberto J t Sampaio 
publica sua A Flora de Matto Gros- 
so, em homenagem aos trabalhos bo- 
tânicos da Comissão Rondon. 



i'M7 - Morre Oswaldo Cruz, Na 
tlfoBçSo do Instituto que leva o seu 
mune é substituído por Carlos Cha- 

Inicio da publicação da Revista 
iíti Sociedade Brasileira de Sciencias. 
Li ii 1^)20 passa a Revista de Scien- 
tias i\té 1922. Em 1926 reaparece 
iiimo Revista da Academia Brasileira 
dt- Ciências, até 1928. Em 1939 voL 
In d circular como Afiais da Acade- 
mia Brasileira de Ciências, em pu- 
Miuição trimestral. 



1917 — Início da previsão do tempo 
para o Distrito Federal e o estado 
do Rio de Janeiro a partir das obser- 
vações do Observatório Nacional. 

— Ferdinando Labouriau Filho, da 
Escola Politécnica do Rio de Janeiro, 
publica suas Observações Geológicas 
nas Cercanias do Distrito Federal. 



415 



Institucionalização 



1918 — Criado no Rio de faneiro o 
Instituto de Química, ideado, fun- 
dado, organizado e dirigido durante 
vinte anos por Mário Saraiva. O Ins- 
tituto sucede ao Laboratório de Fis- 
calização de Defesa da Manteiga. 
Até 1933 conta com doís chefes de 
laboratório: José Hasselmann e Luís 
Afonso de Faria. Desenvolveu-se co- 
mo renomado centro de pesquisas 
em química agrícola, 

— Inicio das atividades da Funda- 
ção Rockefeller, no Brasil, por con< 
vênio com o Instituto de Mangui- 
nhos, 

— Criado na Escola Politécnica de 
São Paulo o curso de Química, com 
quatro anos de duração, sem depen- 
der do Curso Preliminar da Escola, 



1918-19 — Início da publicação das 
Memórias do Instituto Butantã, logo 
após seguido dos Anexos das Me- 
marias do Instituto Butantã, O se- 
gundo volume só saiu em 1925, ten- 
do a partir de então circulação re- 
gular. 



Produção científica 

— Amoroso Costa apresenta à So 
ciedade Brasileira de Ciências, futu- 
ra Academia Brasileira de Ciências, 
um trabalho sobre a determinação do 
azimute por alturas iguais de duas 
estrelas, análogo ao método de Zin- 
ger, mas especialmente aplicável a 
pequenas latitudes. 



1918 — A convite de Carlos Chagas, 
novo diretor de Manguinhos, vem ao 
Brasil o patologista americano Bow- 
man C. Crowcll, do Hospital Belie- 
vue de Nova York, Sua vinda foi 
auspiciada pela Fundação Rockefel- 
ler. Permaneceu por cerca de cinco 
anos. 

— Teodoro Augusto Ramos ( 1 895- 
1935) defende perante a Congrega- 
ção da Escola Politécnica do Rio de 
faneiro a tese Sobre as Funções de 
Variáveis Reais. Segundo Oliveira 
Castro (1955), foí através deste tra- 
balho que a matemática do século 
XX teve entrada no país. 

— Amoroso Costa publica na Re- 
vista da Sociedade Brasileira de Ciên* 
cias um arligo "Sobre um Teorema 
de Cálculo integral", referente a um 
teorema de foaquim Gomes de Sousa 
(1829-63). 

— Eusébio Paulo de Oliveira publi- 
ca trabalho intitulado Rochas Petro- 
líferas do Brasil. 

— Pecegueiro do Amaral publica 
seu Resumo das Prelecções de Chi- 
mica Biológica, que teve várias re- 
edições. 



416 



Institucionalização 



Produção científica 



v* vt Criação do Instituto de Ve- 
hiAfii da Secretaria, da Agricul- 

* Ar São Paulo, incorporado a 

I a> uMiidc de Medicina Veterinária 
ila universidade de São Paulo, em 
rn i incluía um Departamento de 
rtiUMluIngis (Lauro Travassos) e 
*tini»>iniu (Alfonso Bovero). 

'Wli.is .Chagas, diretor do Insti- 
tui »» és Manguinhos, convida Miguel 

imf de Almeida para organizar 
ilrtl ínhoratorio de Fisiologia. Des- 
n (jilioru tório saíram nomes como 
llnifcs Martins, Mirio Vianna Dias, 
Mm*<v Moussatché, Tito Arcoverde 
>U Albuquerque Cavalcanti, António 
4tjguyt£ Xavier, Fernando Ubatuba 
p uuiuw. Miguel Oiório deixou Man- 
lltNitfKtâ em 1921 para voltar em 

■ 



1949 — Henrique Morize, diretor do 
Observatório Nacional, chefia co* 
missão do Brasil que, em Sobral, 
estuda o eclipse total do Sol. Partici- 
pam Domingos Costa, Lélio Gama e 
Àlíno de Matos- Nesta ocasião, a 
missão inglesa chefiada por Crom- 
melin estuda a deflexão da luz em 
campo gravitacioaal, prevista pela 
teoria da relatividade de Einstein, 
chegando a um desvio diferente do 
previsto. 

— Casper Branner edita o primeiro 
mapa geológico do Brasil. Ao mesmo 
tempo publica, no Bulletm of the 
Geologícal Society of America (voí. 
30, n + fl 2), seu artigo "Outlines of 
the Geology of Brazil to Accompany 
the Geologícal Map of Brazil". 

— Os professores Benjamin Leroy 
Millcr e (oseph T. Singewald Jr* pu^ 
blicam seu livro intitulado The Mine- 
rai Deposits of South America. 

— Amoroso Costa (1885*1928) publi- 
ca na Revista Didâtica da Escola Po- 
litécnica pequeno trabalho sobre "A 
Evidência em Matemática", baseado 
na filosofia matemática de Poincaré. 

— Teodoro Augusto Ramos (1S95- 
1935) apresenta à Escola Po! i técnica 
de São Paulo o irabalho Questões 
Sobre as Curvas Reversas, que lhe 
assegurou o cargo de professor subs- 
tituto. Com sua atuação* a Escola 
Politécnica de São Paulo tornou-se, 
na época, o principal centro irradian- 
te de matemática moderna no país. 

— Amoroso Cosia (1885-1928) pu- 
blica, na Revista Didâtica da Escola 
Politécnica, uma nota " Sobre Alguns 
Pontos da Teoria das Séries Diver- 
gentes". 



417 



institucionalização 

1920 — Criação da Universidade de 
Rio de Janeiro, pelo decreto 14,343 
de 7 de setembro de 1920, reunindo 
a Faculdade de Medicina, a Escola 
Politécnica e a Faculdade de Direi- 
to. Embora considerado como criação 
da primeira universidade no país, 
em quase nada alterou o funciona- 
mento das faculdades tradicionais. 

— Criação, por iniciativa do Con- 
gresso Nacional, de diversos cursos 
de Química Industrial, como entida- 
des didáticas independentes, mas 
anexos a instituições técnicas, com o 
fim de aproveitamento de docentes 
e laboratórios, com possível contra- 
tação de profissionais estrangeiros. 
Com duração de três anos, foram 
iniciados oito: Belém, Recife, Salva- 
dor, Belo Horizonte, Ouro Preto , 
Río de Janeiro, São Paulo e Porto 
Alegre. A maioria não consegue so- 
breviver além de 1930, ano em que 
lhes é cortada a subvenção Federal. 

— Criado o curso de Química In- 
dustrial, anexo à Escola de Eugenha- 
ria de Pernambuco. Estadu aluado 
em 1940, com sua transferência para 
a Escola Superior de Agricultura 
de Pernambuco. Desmembrado em 
1948, torna-se instituição indepen- 
dente como Escola de Química de 
Pernambuco que em 1949 é incorpo- 
rada ã Universidade de Recife. 

— Organização do curso de Quími- 
ca, anexo ã Escola de Engenharia de 
Porto Alegre, para que foi convida- 
do químico alemão Otto Rothe. 
Também contratado na Alemanha 
Erick Schirm. 

— Início do curso de Química In- 
dustrial e AgrícoJa junto à Escola 
Superior de Agricultura e Medicina 
Veterinária em Niterói, subordinada 
ao Ministério da Agricultura, poste- 
riormente transferido, junto com a 
Escola, para o Rio de Janeiro. 



Produção científica 

1920 — Publicado na Revista de 
Ciências, antes Revista da Sociedade 
Brasileira de Ciências, o artigo *0 
Princípio da Relatividade 11 , por Ro- 
berto Marinho, o primeiro a introdu- 
zir esta teoria no meio cientifico na- 
cional. Início de uma série de arti- 
gos em várias revistas como a Re* 
vista do Brasil e a Revista Brasileira 
de Engenharia. 

— Amoroso Costa (1885-1928) pu- 
blica, na Revista de Ciências, artigo 
intitulado "A FilosoFia Matemática 
de Poíncaré"\ 



1 920-21 — Publicação da Contribui- 
ção à Mineralogia do Pianalta da 
Borhorema, de Eusébio Paulo de 
Oliveira, 



I ristftucionalização 

Carlos Chagas convida José Car- 
neiro Felipe, formado na Escola de 
Minas de Ouro Preto, para dar 
,,ndo às atividades no campo da 
Ouímica e da Ffsico-Química em 
Mimguinhos. Apesar da ida de Bota- 
l,^o-Gonçalves para uma especializa- 
rão de dois anos em Química Orgã- 
h.l.i, na Alemanha, e a vinda de 
VrXtz Unger, do Instituto de Química 
I nrmacêutica de Berlim, não foi pos- 
; ,ivel dar impulso ao novo laborató- 
rio do Instituto. 

- inicio da publicação do Boletim 
tht Associação Brasiíeira de Phar- 
maceuticos, sob a rcdaioria-chefe de 
Uodolfo Albino Dias da Silva, Veio 
substituir a Revista de Phystca e 
rhimica. Em 1936 muda o título pa- 
ru Revista da Associação Brasileira 
de Farmacêuticos. Em 1940 passa a 

^ chamar Revista Brasileira de Par- 
macia, aparecendo mensalmente. 



I<>2 1 — Criado o curso de Química 
Industrial da Escota Politécnica de 
Jvio Paulo, como curso abreviado, 
nos moldes federais. Teve treze anos 
de existência, 

— Início das atividades do Instituto 
de Química da Escola de Engenha- 
ria de Belo Horizonte, organizado e 
dirigido até 1926 por Alfred Scha- 
dfer e depois por Otto Rothe. Fe- 
chado em 193L 

- Inaugurada a Escola de Química 
Industrial do Pará, anexa ao Museu 
Comercial do Pará, da Associação 
Comercial do Pará, Organizada e di- 
rigida ?or Paul Le Coime, diretor 
vlO Museu e ex-preparador do Insti- 
tuiu de Química da Universidade de 



Produção científica 



419 



418 



Institucionalização 

Nancy* Contratados como professo- 
res Charles Paris e Raymond Joannis 
e, em substituição, René Rougier, 
Georges Bret e André Caliier, Trans- 
formou -se rapidamente em auspicio- 
so centro de pesquisas, segundo 
RheínboldL Fechada em 1930 por 
corte da subvenção federal. 

— Uma reforma dá novo regulamen- 
to ao instituto de Química do Rio 
de Janeiro, possibilitando o desen- 
volvimento de pesquisas. 

— Fundada por Fonseca Costa, no 
âmbito do Ministério da Agricultura, 
Indústria e Comércio, a Estação Ex- 
perimental de Combustíveis e Miné- 
rios, inicialmente para realizar estu- 
dos sobre o carvão do SuL Transfor- 
mada em Instituto de Tecnologia em 
1933 e, um ano depois, em Instituto 
Nacional de Tecnologia — INT. 

— Extinção da Diretor ia de Meteo- 
rologia e Astronomia pela separa- 
ção dos dois institutos. Criação da 
Diretoría de Meteorologia. 

— Graças aos esforços de Henrique 
Morize, diretor do Observatório Na- 
cional, este é transferido para o 
morro de São Januário, local sugeri- 
do por ele e A. G. Paulo de Frontin. 



Produção científica 



1922 — Acirrados debates na Acade- 
mia Nacional de Medicina do Rio 
de Janeiro põem em dúvida a incU 
dêncía, sintomatologia e identifica- 
ção da doença de Chagas- Uma co- 
missão, nomeada para elaborar um 
parecer, confirma a originalidade e 
importância da descoberta de Carlos 
Chagas. 



1922 — Em comemoração ao Cente- 
nário da Independência do Brasil, o 
Clube de Engenharia do Rio de Ja- 
neiro edita, por especial empenho 
de Francisco Behring, uma carta 
geográfica do Brasil, em escala de 
1:1.000.000, composta de 52 folhas e 
impressa em Berlim. 

— Delgado de Carvalho publica sua 
Fisiografia do Brasil, 



420 



Institucionalização 



Produção científica 



Itcaltzada no Rio de Janeiro a 
> urvfVrcncia Interestadual de Ensino 
1'imuirio, convocada pelo governo fe- 
ital) para estudar a intervenção do 
i.icio no ensino primário, 

Healizado em novembro o L D 
1 "ii^resso Brasileiro de Química, no 
ItFtl de Janeiro, por ocasião do I 
< rnicnârio da Independência. Inicia- 
iívji de José de Freitas Machado, em 
■ 'operação com Paulo Ganns, pela 
! " iudade Nacional de Agricultura. 

Fundada a Sociedade Brasileira 
Ar Química» durante o l. Q Congres- 
iú (brasileiro de Química, no Rio de 
lunçiro. Seu presidente interino por 
• D Jiimação é Daniel Henninger, pro- 
kssor da Escola Politécnica. Consti- 
míJii em 1923, tendo como primeiro 
l'ri:si dente eíeito Freitas Machado. 

Lançada por Sampaio Ferraz a 
t(i'visia Mensal de Meteorologia, de 
vkíu efémera, por falta de verbas. 

Jnfcío da publicação dos Anais 
ittí Museu Paulista, 



— Eusébio Paulo de Oliveira publi- 
ca sua Geologia — Estratigráfica e 
Económica, 

— Chega ao Rio de Janeiro a Missão 
Biológica Belga, chefiada por Mas- 
sart, dela participando Bouiílenne, 
Ledoux, Brien e Navez, com o pro- 
pósito de completar a formação dos 
jovens naturalistas. Ficaram no Jar- 
dim Botânico, sob direção de Pache- 
co LeaOn onde colaboravam Lõf* 
gren, Ducke e Kuhlmann. 

— Publicação de Estudo Analítico 
das Águas Mimrais do Estado de 
Minas Gerais, por Oto Rothe. 

— Odoríco Rodrigues de Albuquer- 
que publica seus Reconhecimentos 
Geológicos na Amazónia. 



1922-23 — Philip von Luetzelburg, 
enviado em 1910 pela Academia de 
Munique e logo depois nomeado bo- 
tânico e fítogeografo da ínspetoria 
de Obras contra a Seca, de cuja se- 
ção de Botânica era chefe Lofgren, 
publica, em três volumes com mais 
de quinhentas páginas, obra intitu- 
lada Estudo Botânico do Nordeste, 
contendo a primeira classificação 
científica da caatinga, 

1923-24 — Gomes de Faria, do Ins- 
tituto Oswaldo Cruz, a partir dos 
primeiros estudos sérios sobre entero- 
bactérias, determina a etiologia da 
disenteria bacilar no Rio de Janeiro, 

— Aproveitando as séries pluviomé- 
trícas da ínspetoria Federal de Obras 
contra Secas, Delgado de Carvalho, 
junto com Arrojado Lisboa, elabora o 
Atlas Pluviomêtrico do Nordeste. 



421 



I n s i i t uciona liza ção 



Produção científica 



1924 — Criação da Associação Bra- 
sileira de Educação, no Rio de Ja- 
neiro, sob a presidência de Heitor 
Lira, com a finalidade de congregar 
educadores e iodos aqueles que se 
preocupam com os problemas edu- 
cacionais do país. Organizadora das 
Conferências Nacionais de Educa- 
ção, a partir de 1927. 

— Constituída pelo governo de São 
Paulo comissão para averiguar estra^ 
gos causados pela broca do café e 
identificar- lhe a origem. Participam 
Artur Neiva, Ângelo da Costa Lima 
e Edmundo Navarro de Andrade. 
No mesmo ano, a comissão é insti- 
tucionalizada como Serviço de De- 
fesa do Café, sendo Costa Lima 
substituído por Adalberto de Queirós 
Telles* Ainda no mesmo ano, trans- 
formada em Comissão de Estudo e 
Debelaçio da Praga Cafeeira, diri- 
gida por Artur Neiva. Dará origem, 
em 1927, ao Instituto Biológico de 
Defesa Agrícola e Animal, mais co- 
nhecido como Instituto Biológico de 
São Paulo. 

— Instalação da Biblioteca do Ins- 
tituto Agronómico do Estado de São 
Paulo» reputada como uma das me- 
lhores do estado» por Teodureto de 
Camargo. 

— Fundada a Sociedade de Farmá- 
cia e Química de São Paulo. 

1925 — Decretada a Reforma Rocha 
Vaz, que entre outras medidas trans- 
forma o Conselho Superior de Ensi- 
no de 1911 em Conselho Nacional 
do Ensino^ com atribuições de fisca- 
lização do ensino superior e secun- 
dário. 

— Afrânio do Amaral, do Instituto 
Bu tanta, organiza nos Estados Uni- 
dos e na América Central o Anti- 
venin Institute of America, a convi- 
te do governo americano. 



1924 — Os membros da comissão 
instituída pelo governo do Estado de 
São Paulo para averiguar estragos e 
identificar o parasita da broca do 
café, Artur Neiva, Angelo da Costa 
Lima e Edmundo Navarro de Andra- 
de, identificam o Hypothenemus 
hatnpei como agente causador da 
broca. 

— O geólogo Djalma Guimarães pu- 
blica seu trabalho Contribuição â 
Petrografia do Brasil* 

— Eusébio Paulo de Oliveira publi- 
ca Folhelhos Betuminosos e Origem 
do Carvão do Sul do Brasil. 



1925 — Eusébio Paulo de Oliveira, 
diretor do Serviço Geológico, pu- 
blica fazidas de Diamante do Salo- 
bro e Épocas Metalogênicas do Bra- 
sil 

— Sampaio Ferraz publica no Rio 
de laneiro seu trabalho sobre as 
Causas Prováveis das Secas do Nor* 
deste Brasileiro, 



422 



Institucionalização 



Produção cientifica 



— Criado, no Instituto Butantã. o 
Laboratório de Fisiologia, dirigido 
por Jaime Pereira, recém-chegado 
dos Estados Unidos e da Europa, 
onde publicou vários artigos. 

— Reforma do Museu Paulista, pelo 
decreto 3.87 1 r organizando o em três 
seções: História Natural, Zoologia 
e Botânica. 

— O Gabinete de Resistência de 
Materiais da Escola Politécnica de 
São Paulo é transformado em Gabi- 
nete de Resistência e Ensaios, am- 
pliando grandemente suas funções 
de pesquisa e, principalmente, aten- 
dendo à demanda de serviços técni- 
cos reclamados pela industria paulis- 
ta. Em 1931 passa a se denominar 
Laboratório de Ensaio de íMateriais* 

— Carlos Chagas, do instituto de 
Manguinhos, recebe o prémio Kum- 
mer t pela Universidade de Hambur- 
go, em função dos seus trabalhos 
sobre a doença de Chagas. 

— Visita de Albert Einstein ao 
Brasil, em viagem de retorno de 
Buenos Aires- Ficou no país uma se* 
mana, no mis de maio, visitando 
várias instituições (Museu Nacional, 
Academia Brasileira de Ciências, 
Observatório Nacional, Manguinhos, 
Hospital Nacional de Alienados, 
etc). Pronunciou duas conferências: 
uma no Clube de Engenharia e outro 
na Politécnica, 



— As Astronomische Nachrichten 
publicam as observações dos come- 
tas de Reid, Tempel e Ensor, feitas 
no Observatório Nacional por Do- 
mingos Costa . 

— O botânico alemão Schlechter 
(1872-1925) publica uma obra sobre 
a Flora de Orquidáceas do Rio Gran- 
de do Sul> editada em Dahlem, na 
Alemanha* 



1926 — Realizado c publicado por 
O Estado de S. Paulo o primeiro In- 
quérito sobre o Ensino (na verdade 
o segundo, considerando se o de 
1914). Organizado e dirigido por 
Fernando de Azevedo. 



1926 — Iniciado pelo Ministério da 
Agricultura, por autoria de Pio Cor- 
rei a, o Dicionário das Plantas Úteis 
no Brasil e das Exóticas Cultivadas, 
não tendo passado, no entanto, do 
terceiro volume. 



423 



Institucionalização 



Produção científica 



— ln(cio do curso de Engenheiros 
Químicos, da Escola Politécnica de 
São Paulo. Criado em dezembro do 
ano anlerior, pela fusão dos cursos 
anteriores de Químicos e de Enge- 
nheiros Industriais, - 

— Inaugurado o Instituto de Quími- 
ca Industrial de Porto Alegre, anexo 
â Escola de Engenhada, organizado 
por Qtto Rothe, Entre 1929 e 1931 
contra tam -se professores estrangeiros 
(Kemmer, Meyen, Fritz Zíirn, etc), 
que ficam pouco tempo. Após crise 
financeira, passa ao Estado em 1934. 

— Início da Revista de Agricultura, 
da Escola Superior de Agricultura 
Luiz de Queiroz, sob a direção de 
Nicolau Athanassoí, Salvador de To- 
ledo Pizza Jr. e Octávio Domingues. 



— Teodoro Ramos (1895-1935) pu- 
blica em Sio Paulo trabalho intitu- 
lado Integrais Definidas dm Funções 
Descontinuas. 

— Odorico Rodrigues de, Albuquer- 
que publica seus Estudos Geológicos 
e Mineralógicos Feitos na Bacia do 
Rio Doce. 

; — Eusébio Paulo de Oliveira, dire- 
tor do Serviço Geológico, publica 
Magmas Metaliferos-, Jazidas de Ouro 
da Passagem; Génese do Diamante 
Brasileiro e Minera! Resources of 
BrazíL 

— Lélio Gama, do Observatório Na- 
cional, publica no Rio de Janeiro, pe- 
la Leuzínger, seu livro Oscilações In- 
ternas do Eixo da Terra, Suposta Rí- 
gida. 



1927 — Criação do Instituto Bioló- 
gico de Defesa Agrícola e Animal 
do Estado de São Paulo, a partir da 
Comissão de Estudo e Debelação da 
Praga Cafeeira r ames Serviço de De- 
fesa do Café. Diretor: Artur Neiva, 
substituído em 1933 por Henrique 
da Rocha Lima, Em 1934 passa a 
Instituto complementar da Univer- 
sidade de São Paulo como Instituto 
Biológico. 

— Transferida para o Instituto Bio- 
lógico a seção de Botânica do Mu- 
jeu Paulista. 

— Instalação da seção de Química 
>i Tecnologia Agrícola no Instituto 
Agronómico do Estado de São Paulo. 

— Criada, por iniciativa de Alípio 
Leme de Oliveira, diretor do Obser- 
vatório Oficial do Estado de Sio 
Paulo, a Diretoria do Serviço de Me« 
teorologia e Astronómico do Estado 
de Sio Paulo, 



1927 — Domingos Costa publica no 
Rio de Janeiro, pela P, Americana, 
suas Medidas Micromêtricas de Es- 
trelas Duplas Efetuadas Durante os 
Anos de 1924 a 1926 na Equatorial 
de Cooke de 46 cm, incluídas no 
Reference Catalogue de Innes, 

— Alix de Lemos, do Observatório 
Nacional, publica no Rio de Janeiro, 
pela Imprensa Nacional, os Resutía* 
dos das Observações Realizadas no 
Observatório Magnético de Vassou- 
ras — 1915 a 1923. 

— Emílio Alves Teixeira, enquanto 
correspondente do Engineering and 
Mining Journal, publica "The Iron 
Ore Resources of Brazil". 

— Eusébio Paulo de Oliveira publi- 
ca pelo Serviço Geológico e Minera- 
lógico sua monografia Geologia e 
Recursos Minerais do Estado do Pa- 
ranâ. 



424 



Institucionalização 



Produção científica 



Realizado no Rio de lanei ro o 
Congresso do Ensino Superior» em 
homenagem ao centenário da criação 
dos cursos jurídicos no Brasil. 

Realizada em Curitiba a Primeí- 
iíj Conferência Nacional de Educa- 
cão, organizada pela Associação Bra- 
sileira de Educação. Ao todo foram 
1'cuJizadas* até 1937 sete conferências. 
Previstas para realização, de ano em 
ímo, em capitais estaduais diferen- 
tes. 

Reforma pedagógica em Minas 
tíerais (Francisco Campos e Mário 
i*i)sassanta). 

- Criada no Instituto Agronómico 
de Campinas a primeira seção dedi- 
t^tida especificamente à Genética. 

Chega a São Paulo, para ficar, o 
professor, pesquisador e conferencis- 
ta carioca André Dreyfus, para assu* 
Miír a cadeira de Histologia da Fa 
ruldade de Medicina, onde será gran- 
de propagandista da Genética mo- 
derna. 



— Henrique de Beaurepaire Aragão, 
pesquisador de Manguinbos, publica 
seu trabalho sobre a virose mixoma 
do coelho, que serviu de base para 
o combate bacteriológico do coelho 
selvagem na Austrália. 

— Rodolfo von lhering retoma a es- 
tudo da piscicultura e chega h des- 
coberta do Método R. v. lhering (in- 
seminação). Incentiva na Comissão 
Técnica de Piscicultura do Nordeste, 
hoje DNOCS, grupo de pesquisadores 
em seu novo método de trabalho, 



T 927-30 — Reforma do ensino do 
Hístrito Federal {Fernando de Aze- 
vedo). 



I*J28 — Inquérito promovido pela 
Associação Brasileira de Educação, 
inibi içado em 1929 sob o título: O 
froblema Universitário Brasileiro: 
Inquérito Promovido pela Seção de 
Ensino Técnico e Superior da As* 
socicçâo Brasileira de Educação. 
Tíira respondê-lo, convidado grande 
numero de intelectuais, cientistas e 
educadores. 



1928 — Carlos Bastos de Magarinos 
Torres, pesquisador do Instituto Os-, 
waído Cruz, verifica pela primeira 
vez a presença de inclusões oxi cro- 
máticas nos núcleos das células hepá- 
ticas, nos casos de febre amarela, e 
que | ocorrem |jã|nas | fases | iniciais da 
doença. 



425 



Institucionalização 



Produção científica 



— Henrique da Rocha Uma é con- 
vidado por Artur Neiva, diretor do 
recém^riado instituto Biológico de 
São Paulo, para chefiar a Divisão 
Animal deste. Com o afastamento de 
Neíva em 1933, Rocha Uma o subs- 
titui, permanecendo no cargo até 
1949, quando , aos 70 anos» aposen- 
tou -se. 

— Inicio e fim da publicação do Bo- 
letim da Sociedade de Chimica de 
São Paulo, que só chegou a cinco 
números naquele ano. 

— Iniciada a publicação em São 
Paulo do Boletim Astronómico e 
Geofísico, de periodicidade irregular. 



— Olympio da Fonseca, pesquisador 
de Manguinhos, apresenta trabalho 
no IV Congresso Brasileiro de Higie- 
ne na Bahia, refutando Noguchi, que 
dizia ser a Lept aspira icteroides o 
agente etiológico da febre amarela. 
Trabalho amplamente comentado no 
exterior, mas menosprezado no Bra- 
sil, inclusive por pesquisadores de 
Manguinhos. 

— Luís Caetano Ferraz publica seu 
Compêndio dos Minerais do Brasil, 
que veio substituir o Dicionário Geo- 
gráfico das Minas do Brasil, de 
Francisco Inácio Ferreira, publicado 
em 1885. 

— Publicado pela Leuzinger do Rio 
de lanei ro o trabalho Marés e Pro- 
blemas Correlatos, de Alix de Lemos, 
do Observatório Nacional. 



1928-38 — O geólogo Luís Flores de 
Morais Rego, do Instituto Astronô* 
mko e Geográfico, depois da Escola 
Politécnica de São Paulo, publica 
inúmeros trabalhos de geologia econó- 
mica, resultantes de suas pesquisas. 



1928-44 — O engenheiro de minas 
alemão, formado em Freyberg, Teo- 
dor Knecht, publica extenso material 
sobre a mineralogia de Sáo Paulo, 
resultante de suas atividades no Ins- 
tituto Geográfico e Astronómico de 
São Paulo. 



426 



Institucionalização 



Produção científica 



[ L )29 — O botânico Frederico Car- 
los Hoehne recebe o tftulo de doutor 
htmoris causa da Universidade de 
Gõttingen, Hoehne começou como 
liirdineiro-chefe do Museu Nacional. 
Nunca foi além do nível secundário 
de ensino. Publica entre 193 5-50 
mais de quinhentos artigos de divul- 
^içào e cem trabalhos, monografias 
ti interpretações científicas. Editou 
vários volumes de sua Flora Brasili- 
t-tj, que pretendia Fosse obra nos 
moldes da Flora Brasiiiensis. Hoehne 
fui também fundador e diretor do 
Instituto de Botânica do Estado de 
ttiio Paulo, 

— Aparece o primeiro número da 
He vista Brasileira de Chimica, órgio 
th Sociedade Brasileira de Chimica. 
iícdator-chefe, Mário Saraiva, e prin- 
cipal articula dor, José Custódio da 
,Sílva* Em 1931, muda para Revista 
tia Sociedade Brasileira de Chimica. 
Após anos de aparecimento irregular, 
desaparece, com a fjjsâo da Socieda- 
de e da Associação, em 1951, 

- O Observatório Oficial do Esta- 
úo de São Paulo passa a publicar 
tm AnnuariOy interrompendo a pu- 
hlicação entre 1938 e 1953, quando 
aparece sob nova forma. 



1929 — Lançado por Jayme Pereira 
o Manual de Farmacologia. 

— Publicados os Folhelhos Vârvkos 
do Sul do Brasil; Rochas das Ilhas 
Atlânticas e Gold in Brazil, da auto- 
ria de Eusébio Paulo de Oliveira. 

— Huascar Pereira publica seu Dic- 
cionârio das Plantas Úteis do Estado 
de São Pauto. 

— Publicado no Rio de Janeiro, pela 
Leuzinger, o Irabalho do ProL Lélio 
Gama intitulado Contribuições para 
o Estudo da Variação das latitudes, 
considerado contribuição importante 
para problema fundamental da astro- 
nomia moderna. No mesmo ano. pela 
mesma editora, saem Determinação 
da Latitude, analisando diversos mé- 
todos e detalhando minuciosamente 
O de Horrcbow-Talcott, considerado 
modelo, e Estudo sobre as Linhas 
Geodésicas* 

— Logo apôs sua morte, é publicado 
nos Anais da Academia Brasileira de 
Ciências, de Amoroso Costa, "Densi- 
dade Média, Centro de Gravidade e 
Gravitação Newtoniana em um Uni- 
verso de Massa Total Infinita", em 
que manifesta seu crescente interesse 
em assuntos de cosmogonia. 

— Publicado o trabalho A Teoria 
da Relatividade e as Raias Espectrais 
do Hidrogénio. 

1929-30 — Publicados os resultados 
da Missão Biológica Belga de 1922, 
sob o título de Une Misslon Biolo- 
gique Belge au Brésil, em dois volu- 
mes* o primeiro ainda sob a coorde- 
nação de Massart, chefe da Missão, 
o segundo por Bouíllenne. 

1929-31 — Publicados os dois vo- 
lumes d* Floralla Montium, do botâ- 
nico mineiro Álvaro da Silveira. 



427 



Institucionalização 



Produção científica 



— 1950 — 



1950 — Criado o Ministério da Edu- 
cação e Saúde, entregue a Francisco 
Campos, 

— O Observatório Oficial do Esta* 
do de Sâo Paulo passa à Escola Po- 
litécnica, com a denominação de Ins- 
tituto Astronómico c Geofísico. 

— Publicado o primeiro e único vo- 
lume dos Annaes do Observatório 
de São Paulo. 



1931 — Decretada a reforma que 
leva o nome do ministro Francisco 
Campos. Compõe-se de ires decretos: 
o primeiro, dando um novo estatuto 
às universidades brasileiras, elabora- 
do pela comissão de que participa- 
ram Carlos Chagas, Figueira de Melo 
e Teodoro Ramos. O segundo, reor- 
ganizando a Universidade do Rio de 
Janeiro enquanto modelo de ensino 
superior para o Brasil e prevendo a 
criação de uma Faculdade de Educa- 
ção, Ciências e Letras; o terceiro, 
criando o Conselho Nacional de Edu- 
cação, de amplas atribuições contro- 
ladoras e normativas. 



1930 — César Ferreira Pinto, pes- 
quisador do Instituto Oswaldo Cruz, 
publica seu Arthropodos Parasitas e 
Transmissores de Doenças. 

— Publicados, de Eusébio Paulo de 
Oliveira, os trabalhos Contribuições 
do Brasil à Mineralogia, à Petrogra- 
fia, a Púteobolânica e à Paleozoolo- 
gia e, também, Sobre a Origem- do 
Fusênio. 

— Sob os auspícios da Diretoría de 
Meteorologia, é publicado o traba- 
lho Memória sobre o Clima do Rio 
Grande do Sul, de L. Coussirat Araú- 
jo, primeiro a tentar uma interpreta- 
ção clímatográfica com a ajuda de 
revelações das cartas sinópticas. 

— Lélio Gama publica nas Astrono- 
tnisdie Nachrichten (r\. a 5.690-91) no- 
ta intitulada: "On the Computation 
of Mean Starfactors for the keduc- 
tion of Latitude Observatíons by 
Horrebow-Talcott Method" 



1931 — O Prof. Bruno von Frey- 
berg, do Instituto Geolôgíco-Mine- 
ralógico da Universidade de Erlan- 
gen, publica seus dois livros rela- 
tando suas observações de viagens 
ao Brasil: Ergebnisse geologischer 
Forschungen in Minas Gerais e Die 
Bodemchátzejdesl Siamês / Minas Ge- 
rais. 

— Eusébio Paulo de Oliveira publi- 
ca Meteoritos do Museu Nacional 
(...) e a Génese das fazidas de Ja- 
cutinga Aurífera. 

— Publicado, na revista Engineering 
and Mining Journal, artigo de Emí- 
lio Alves Teixeira intitulado "Man- 
ganese in Brazil". 



Institucionalização 

- Fechamento do Instituto de Quí- 
mica da Escola de Engenharia de 
Belo Horizonte. 

- O Laboratório de Química do 
Museu Nacional deixa de ser seção 
-uitònoma do mesmo, após 1 13 anos 
de existência. 

— O Instituto Astronómico e Geo- 
físico do Estado de São Paulo é 
hansferido da Escola Politécnica pa- 
>.i a Secretaria de Viação e Obras 
Publicas. 



428 



1933 — Fundada a Escola Paulista 
de Medicina, entidade privada, cria- 
da para ampliar a capacidade de 
formação de médicos em São Paulo, 
restrita por numerus clausus na Fa- 
culdade de Medicina, condição para 
o apoio da Rockefeller. Esta condi- 
ção, no entanto, também é mantida 
na nova escola. 

— Criada no âmbito do Ministério 
da Agricultura, a Diretoría Geral de 
Pesquisas Científicas, de curta du- 
ração. Extinta em 1934. 

— A Estação Experimental de Com- 
bustíveis e Minérios é transformada 
em Instituto de Tecnologia e subor- 
dinada à efémera Diretoría Geral de 
Pesquisas Científicas do Ministério 
da Agricultura. 

— O Instituto de Química do Rio 
de Janeiro passa a integrar a Dire- 
toría Geral de Pesquisas Científicas 
do Ministério da Agricultura, 



Produção científica 



1931-32 — O Boletim do Instituto de 
Engenharia de São Paulo publica 
as conferências de Teodoro Ramos 
(1895-1935) intituladas " Introdução à 
Mecânica dos Quanta' 1 . 



1932 —< Publicação» pelo Serviço 
Geológico e Mineralógico do Brasil, 
do Reconhecimento Geológico no 
Estado do Rio Grande do Sul, por 

P. Fr, Carvalho. 



1933 — - Publicados os trabalhos de 
Eusébio Paulo de Oliveira intitula- 
dos luzidas de Ouro de Morro Velho 
e Ouro das Laies* 

— Teodoro Ramos publica seu tra- 
balho Aplicação do Cálculo Vecto- 
rial ao Estudo do Movimento de um 
Ponto Material sobre uma Superfície 
Rugosa e Fixa em um Meio Resis- 
tente. 

— As lições de cálculo vetortal de 
Teodoro Ramos Í1B95-1935) são pu- 
blicados em Parts sob o título de 
Leçons sur te Calcut Vectoriel. 






429 



Institucionalização 



Produção científica 



Institucionalização 



Produção científica 



— A Escola Superior de Agricultu- 
ra e Medicina Veterinária desdo- 
bra-se em duas escolas autónomas: 
a Escola Nacional de Agronomia e a 
Escola Nacional de Veterinária, é 
extinto seu curso de Química Indus- 
trial e Agrícola, transformado em 
Escola Nacional de Química , que 
inicialmente pertence ao Departa- 
mento Nacional da Produção Mine- 
ral e em 1934 passa ao Ministério de 
Educação e Saúde, Organizada por 
Freitas Machado, Mário Saraiva e 
Carneiro Felipe. 

— Transformação e ampliação do 
Serviço Geológico e Mineralógico 
do Brasil em Departamento Nacio- 
nal da Produção Mineral, sob a dire- 
ção de Fleury da Rocha. 

— O Instituto Astronómico e Geo- 
físico do Estado de São Paulo, é 
transferido da Secretaria de Viação 
e Obras Públicas para a Secretaria 
de Agricultura, 

— Por desmembramento da Facul- 
dade de Medicina do Rio de Janeiro, 
a Escola de Odontologia passa a 
Faculdade Nacional de Odontologia. 

— Por ato da administração de lua- 
rez Távora no Ministério da Agricul- 
tura, a Diretoria de Meteorologia é 
desmembrada, ficando a maior parte 
sem destino até o ano seguinte. 

— Fundada a revista Química e In- 
dústria, por António Fúria , em São 
Paulo, Em 1952 mudou para Revista 
Mensal das Indústrias Brasileiras. 

— Início da publicação da Revista 
Pernambucana de Química, órgão do 
Sindicato dos Químicos de Pernam- 
buco. 



I'ur ulo do interventor Ar- 

fu th Níilles Oliveira é criada a 

,,, , | nl.irl' 'de São Paulo e. no seu 

M.i .1 I -'Acuidade de Filosofia, 

iii, r Leiras, segundo projero 

i .i -.'p.tiln pela comissão de que foi 

i.lm.i hrrtuindo de Azevedo, mas 

i mu IihIm > principais foram estabe- 

iil i |km júlio de Mesquita Filho, 

i imI ihiiuii: < o próprio interventor. 

,m de Teodoro Ramos na 

i |.u, p:ua recrutar professores 

,- . . jj I íicu Idade de Filosofia da 

t nkWu de São Paulo. Entre os 

MViilmkftt Luigí Fantappié, Gleb 
i , ..■In.. C Heinrich Rheinboldt 
.i.-m.ihca, Física e Química, res^ 

|m I IIS.ItllUHÍc). 

* i l« hora tório de Ensaio de Ma- 

mi,»:,, ux-Gabínete de Resistência 

Mjiirrtiiis, é desmembrado da Es* 

Li l'.>lhccnica de São Paulo e 

.u>iiii;tdo em Instituto de Pes- 

p|iri r. Tecnológicas — JPT\ fínan- 

► m,i -- administrativamente autâno- 
mi , Integrado como instituto anexo 

Universidade de São Paulo. 

Incorporação da Faculdade de 
(ttniiAcUi à Universidade de São 
IMiiln, com o nome de Faculdade de 

1 u rniite in e Bioquímica, 

Kt-organização do Instituto Bio- 
1.,1'hu tfç Defesa Agrícola e Animal 

i,l tt) 6,621 de Armando de Sal- 

|. olivciral, passando a instituição 

► nmpkmcntar da Universidade de 
>,in Paulo, logo após, com o nome 
noplilKado de Instituto Biológico. 

.\rri|>li;i funções e incorpora a defe- 
ri viiiuíiria animal, antes exercida 
i» l;i Diretoria de Indústria Animal, 
ti (tunopalmente define sua vocação 
\n\ líimno da pesquisa científica. 

CrisKla a Faculdade de Medicina 
v i ir riu riria da Universidade de São 



1934 — Luigi Fantappié, professor 
de Análise, convidado por Teodoro 
Ramos para a recém-criada Faculda- 
de de Filosofia, Ciências e Letras de 
São Paulo, pronuncia conferencia in- 
titulada *La Funcione Filosófica 
delia Matemática nelPAttuale Mo- 
mento Scientífieo'\ Fantappié regres- 
sa ã Itália em 1939, para assumir a 
cátedra de Análise Superior em Ro- 
ma. 

— Publicado nos Anate da Academia 
Brasileira de Ciências artigo do Proí. 
Lélio Gama intitulado "Sobre as 
Equações Diferenciais do Movi- 
mento dos Asteróides 1 *, 

— Luís Cintra do Prado apresenta 
tese para concurso da Politécnica de 
São Paulo sobre radioatividade, 

— Publicada pela Companhia Edi- 
tora Nacional a obra de Sampaio 
Ferraz Meteorologia Brasileira. 

— ^ Início dos estudos de raios cós- 
micos no Instituto Nacional de Tec- 
nologia do Rio de Janeiro, por Ber- 
nard Gross, 

— Henrique Penna, trabalhando no 
Serviço de Febre Amarela da Fun- 
dação Rock efe Her, descobre a leish- 
maniose visceral, antes conside- 
rada inexistente no Brasil. Sua con- 
firmação foi realizada por Comissão 
do Instituto Oswaldo Cruz chefiada 
por Evandro Chagas, com Aristides 
Marques da Cunha, Gustavo Men- 
des de Oliveira Castro e Leoberto 
Castro Ferreira e membro correspon- 
dente, o argentino Cecflio Romana. 
A Comissão foi financiada por Gui- 
lherme Guinle. 



430 



431 



I ns ti tu cion aiaaçâo 

— O Instituto Astronómico e Geo- 
físico do Estado de São Paulo é 
considerado instituto complementar 
da Universidade de São Paulo sem 
sair da Secretaria de Agricultura, no 
entanto. 

— O Instituto de Tecnologia {ex- 
Estação Experimental de Combustí- 
veis e Minérios) do Ministério da 
Agricultura é transferido para o Mi- 
nistério do Trabalho, Indústria e 
Comércio, criado em fins de 2930 e 
recebe seu nome definitivo: Institu- 
to Nacional de Tecnologia — INT, 

— Criação da Universidade Técnica 
Federal, unindo a Escola Politécnica, 
a Escola de Minas de Ouro Preto e 
a recém-criada Escola Nacional de 
Química. Extinta em 1937, incorpo- 
rando seus institutos à Universidade 
do Brasil. Nunca chegou realmente 
a existir, nem sequer teve reitor. 

— O Instituto de Química, com a 
nova denominação de Instituto de 
Química Agrícola (IQA) S devido à 
extinçlo da Diretoria Geral de Pes- 
quisas Científicas do Ministério da 
Agricultura, passa a integrar o De- 
partamento Nacional da Produção 
Mineral, menos a seção de Alimen- 
tação Animal, que passou para o 
Instituto de Biologia Animal, 

— Com a extinção da Diretoría 
Geral de Estatística, é criado o Ins- 
tituto Brasileiro de Estatística, com 
que os serviços estatísticos são defi- 
nitivamente estruturados em bases 
nacionais. 

— A maior parte da Diretoria de 
Meteorologia, desmembrada no ano 
anterior, é alocada no incipiente De- 
part amento de Aeronáutica Civil, do 
Ministério da Viação, 



432 



Produção científica 



Institucionalização 



Produção científica 



i i yynwaío francês Pierre Deffon- 

»*, convidado para integrar o 

uufki docente da recém-criada Fa- 
i uttÍJtXJfc de Filosofia, Ciências e Le- 
UA\ iniida e dirige a Associação dos 
'■irados Brasileiros. 

i 'iiiicLji-se no Rio de Janeiro a fíe» 
i'f»íw i/r Química Industrial, de pu- 
hl u m,;io mensal. 



r' - > Criada, pelo governo do Dis- 
li.* liderai, a Universidade do 
l*>\rniu Federal, segundo projeto 
iilr:ilrv.;ido por Anísio Teixeira. O 
itm liau central era sua Faculdade de 
♦ niK us. Seu reitor, AJrãnío Pcixoto 3 
l i -livrado à Europa para recrutar 
l-mJVssures, Fechada em 1938, sendo 
- us remanescentes absorvidos peia 
I iii nldade Nacional de Filosofia em 

I ''lindada a Escola Técnica do 
I "urrei to, para a formação de enge- 
nheiros militares especializados, e 
ju interiormente transformada em Jns- 
nfnío Militar de Engenharia, IME, 

O Instituto Astronómico e Geo- 
fMtíQ do Estado de São Paulo é ex- 
imiu na Secretaria de Agricultura e 
nijido novamente, com o respectivo 
mvrvo, na Secretaria de Viação. 

Criada na Escola Superior de 
Apicultura Luiz de Queiroz, em Pi- 
riii'ic:iba, uma cadeira especial para 
t ífneuca. Convidado para ocupá-la o 
Wiieticista alemão F. G. Brieger, as- 
sistido por Edgard Graner e J. T. A. 
i íurgel. 

[■"andada no Rio de faneiro, por 
<\ li. Líberalli, a Revista de Quími- 
ca e Farmácia, publicação mensal 
científica e de interesses profls&ío- 
Uiiis, i 



1935 — Para a seção de Química do 
Instituto Butantã, chega Karl Slotla. 
da Universidade de Breslau, conheci- 
do pelos trabalhos sobre progestero- 
na. Com seus assistentes K. Niesser 
e G, Szuska, isola sob forma crista- 
lina uma proteína tóxica do veneno 
da cascavel, a crotoxina. 

— Publicada a obra Á Bacia do Gu- 
ru pt ê Suas Minas de Ouro, da auto- 
ria de Miguel Arrojado Ribeiro Lis- 
boa. 



433 



institucionalização 



Produção científica 



1936 — O italiano Luígi Fantappte". 
convidado em 1934 por Teodoro Ra- 
mos para professor de Análise, na 
Faculdade de Filosofia, Ciências e 
Letras de São Paulo, funda o Jornal 
de Matemáticas Puras e Aplicadas, 
do quaJ só saiu o primeiro volume, 

— Início da publicação da Revista 
Brasiieira de Química (Ciência e 
Indústria) de Sao Paulo. 

— Início da publicação da revista 
Engenharia, Mineração e Metalurgia, 
tendo como seu principal fundador 
Othon Leo nardos, responsável quase 
único, durante muito tempo, por sua 
sobrevivência, 



1937 — Fundada a Academia Na- 
cional de Farmácia, 

— Criado o Conselho Nacional de 
Geografia, grandemente incentivado 
pelo geógrafo f rime es Pierre Deffon^ 
taines, já então professor da Univer- 
sidade do Dislrito Federal 

— Criado por Carlos Chagas Filho, 
junto à cadeira de Física Biológica 
da Faculdade de Medicina da Uni- 
versidade do Rio de Janeiro, um 
Laboratório de Biofísica, núcleo ini- 
cial do que será a partir de J 945 o 
Instituto de Biofísica. 



3 936 — L. F, Morais Rego publica 
no Anuário da Escola Poíitécnica de 
Sao Paulo artigo intitulado "O Sys- 
tema de Santa Catharina em São 
Paulo". 

— Primeiro curso no Brasil sobre 
física-maremática, pelo Prof Gleb 
WaEaghin, na Faculdade de Filoso- 
fia, Ciências e Letras da Universida 
de de São Paulo. 

— Chega ao Brasil o geômetra ita- 
liano Giacomo Albanese, por suges- 
tão de Luigi Faniappié, impressio- 
nado com o rela ti y o desinteresse dos 
brasileiros por assuntos de geometria 
pura. 

— Publicado o trabalho Os Pórfiros 
de Castro, de Eusébio Paulo de Oli- 



1936-43 — VEktor Leinz, docente da 
Universidade de Rostok e formado 
em Heídelberg, trazido ao Brasil, por 
Djalma Guimarães, publica inúmeros 
trabalhos, como resultado de suas 
pesquisas de petrografia e mineralo- 
gia. 

1957 — Início dos estudos dos die- 
létricos, no Instítuio Nacional de 
Tecnologia, por Bem ar d Gross e Plí- 
nio Sussekind da Rocha. 

— Os Rendiconti delia Reate Acca* 
demia dei Lincei (vol. 24, p. 81) pu- 
blicam artigo intitulado "Sulla Fun- 
zione Delta di Dirac 1 ', de Mário 
Sehenberg, considerado um dos pri- 
meiros resultados tangíveis do impul 
so dado com s criação da Faculdade 
de Filosofia, Ciências e Letras da 
Universidade de Sao Paulo. 

— Lélio Gama publica nos Anais 
da Academia Brasileira de Ciências 
artigo intitulado "Contribuição à 
Teoria dos Limites* 1 . 



434 



Institucionalização 



Produção científica 



— Jaguaribe de Matos publica suas 
fdêias sobre a Fisiografia Sul* Ameri- 
cana (Evolução das Ideias) , com 
duas cartas geográficas. 

— O geólogo Alberto Ribeiro Lame- 
go publica seu trabalho Teoria do 
Protognéis. 

— - Paulino Franco de Carvalho, do 
Serviço Geológico, publica seu tra- 
balho Recursos Minerais do Rio 
Grande do Sul 

— O Prof. Paulo Ferraz Mesquita 
determina a latitude do Observatório 
da Escola Politécnica de Sáo Paulo. 
Este pequeno observatório é manti- 
do graças ao apoio de Teodoro Ra* 
mos. 



1'HW — O Instituto de Química 
Aj-ucola passa a integrar o Centro 
N:n ional de Ensino e Pesquisas 
Agronómicas. 

C) Serviço de Meteorologia sai do 
l apartamento de Aeronáutica Civil, 
ilo Ministério da Viação, e volta ao 
M mistério da Agricultura. 

A antiga. Comissão Geográfica e 
teológica de São Paulo passa a de- 
iinminíir-se instituto Geográfico e 
< ! co lógico, com a finalidade de es- 
íiulíjr todas as questões relativas à 
wo^iafia do Estado, 

O Instituto Brasileiro de Estatís- 
\W\\ é transformado em Instituto 
Kitisileiro de Geografia e Estatística, 
nbinngendo o Conselho Nacional 
ilr Geografia e o Conselho Nacio- 
lutl de Estatística, órgãos colegiais de 
direção. Para isto contribuíram Má- 
rio Augusto Teixeira de Freitas e 
\0$é Carlos Macedo Soares, nomea^ 
ilo seu presidente, 



1938 — O geólogo Alberto Ribeiro 
Lamego publica seus trabalhos Es- 
carpas do Rio de Janeiro e O Ma- 
viço de Itatiaia. 

— Adalberto Serra publica no Rio 
de Janeiro, pelo Serviço de Meteo- 
rologia, seu Secondarv Circulai ion 
of Sputhern Brazil. 

— Ettore O nora to. primeiro ocupan- 
te da cadeira de Mineralogia e Pe- 
trografia da Faculdade de Filoso- 
fia, Ciências e Leiras de São Paulo, 
publica suas Pesquisas Rõntgenogrâ- 
ficas sobre a teucita. 

— Ângelo Moreira da Costa Lima 
publica seu tratado ínsetos do Bra- 
sil, de doze volumes, tendo sido pla- 
nejados quinze ao todo, em que 
engloba sua vasta obra de entomolo- 
gia agrícola, Iniciando sua carreira 
em 1913, em Manguínhos, teve tra- 
balhando em seu laboratório César 
Ferreira Pinto, Gustavo Mendes de 
Oliveira Castro, Charles Hathaway, 



435 



Institucionalização 

— Criado o Departamento de Botâ- 
nica do Estado de São Paulo, poste- 
riormente transformado em Instituto 
de Botânica, cujo fundador e diretor 
foi o botânico Hoehne. 



1939 — Criação da Faculdade Na- 
cional de Filosofia da Universidade 
do Brasil (aluai UFRf), já prevista 
na Reforma Francisco Campos de 
193K absorvendo as instalações e al- 
guns professores que restaram da 
Universidade do Distrito Federal, fe- 
chada em 1938. 

— Desmembrada do Museu Paulista 
a seção de Zoologia, que passa a 
constituir o Departamento de Zoolo- 
gia da Secretaria da Agricultura do 
Estado de São Paulo. Com esta re- 
forma, o Museu restringe seu campo 
à Etnografia e à História, perdendo 
sua principal atividade em ciências 
naturais, 



Produção científica 

Fábio Leoni Werneck, Octávio Man- 
gabeira Filho, Herman Lent P Hugo 
de Souza Lopes e outros. 

— Alberto J> Sampaio publica sua 
Phytogeograpkia do Brasil, de papel 
didático apreciável. 

— Djalma Guimarães, do Serviço 
Geológico, publica sua Metalogêne- 
se a Teoria Migratória dos Ele- 
mentos, com novas concepções so- 
bre a formação das grandes massas 
graníticas, e resumida em Das Pro- 
blem Granitbildung, publicada no 
mesmo ano, 

— Lélio Gama publica nos Comptes 
Rendas da Academia de Ciências de 
Paris dais trabalhos: í4 Sur FAddivité 
du Con tingent" e "Sur rAddivité de 
1'Accumulatír, 



193845 — O geólogo Luciano Ja- 
quês de Morais, então diretor do 
DNPM e posteriormente professor 
da USP, desenvolve intenso trabalho 
de pesquisa em geologia económica, 
com inúmeras publicações sobre 
ocorrências de minerais. 



1939 — Adalberto Serra publica no 
Rio de Janeiro, pelo Serviço de Me- 
teorologia, sua La Circalation Gênê- 
raíe de VAmêrique du Sud< 

— Gleb Wataghin, auxiliado por 
Marcelo Damy de Souza Santos e 
Paulus A. Pompeia, descobre os cha- 
mados sh o wer s penetrantes, 

— Loureiro Fernandes, do Museu 
Paranaense, publica notas acerca de 
hematô-aniropologia dos caingangues 
de Palmas. 









1 n sti tu cionalteaçao 

Regresso ã Itália de Luigí Fan- 
inppié, professor de Análise da USP, 
p:na assumir a cátedra de Análise 
Superior 'em Roma. 



1940 — O Instituto Astronómico e 
Geofísico do Estado de São Paulo 
è transferido da Secretaria de Via- 
ção para a de Educação. 

— Fundada no Rio de Janeiro a As- 
sociação Química do Brasil, com 
numerosas seções regionais. Após 
certa rivalidade com a Sociedade 
Brasileira de Química, fundem : se as 
duas na Associação Brasileira de 
Química, em 1951. 



Produção científica 

— Carlos Chagas Filho publica os 
seus St adies on the Pr o perues of the 
Eletric Celt of Etectrophorus Elec- 
tricus, em livro de homenagem aos 
Profs. Álvaro e Miguel Ozono de 
Almeida, como resultado de seus tra- 
balhos com o poraquê, ou peixe dé- 
trico, do Amazonas. O trabalho é o 
ponto inicial de estudos sistemáticos 
sobre os aspectos histológicos, físico- 
químicos e bioquímicos do fenóme- 
no, envolvendo um número crescen- 
te de pesquisadores, 

— Publicado nos Rendicõnti delia 
Reale Accadcmia dei Lincei artigo 
de Ornar Catundar da Universidade 
de Sào Paulo, intitulado "Un Teore- 
ma sugrinsiemi che si Ríconnette 
alia Teoria dei Funzionalí Analitici". 

1939-44 — Evaristo Pena Scorza, 
chefe da seção de Petrografia do De- 
partamento Nacional da Produção 
Mineral, desenvolve intenso trabalho 
de pesquisa nesta área, resultando 
em grande número de publicações. 

1940 — Publicados nos Anais da 
Academia Brasileira de Ciências 
(XII, ns« 2 e 4) dois artigos de Joa- 
quim Costa Ribeiro, da Faculdade 
Nacional de Filosofia, sobre radíoa- 
tividade em minerais brasileiros. 

— Wataghin, Marcelo Damy e Pau- 
lus Pompeia publicam na Phystcal 
Review (vol 57) artigo intitulado 
"Simultaneous Penetrating Particles 
ín the Cosmic Radiations". 

— Wataghin, Marcelo Damy e Pau- 
lus Pompeia publicam nos Anais da 
Academia Brasileira de Ciências 
(XI I, n.* 3229) artigo intitulado "Pe- 
netrat-Cosmic Ray Showers''. 

— Mário Sehenberg publica trabalho 
sobre a teoria dos showers em cas- 
cata* , 



436 



437 



Institucionalização 



Produção científica 

— Publicado o trabalho Estrias Gla- 
ciais em Granodiorito Súbposto ao 
Gonduana de Santa Catarina, de 
Paulino Franco de Carvalho. 

— ]. R. Coyle, meteorologista da Pa- 
ri aír do Brasil , publica sua Análise 
Prática das Condições Meteorológicas 
Peculiares à Costa Oriental da Ame* 
rica do Sul. 

— Elaborado por Emmanuel de Mar- 
lonne um dos mais importantes tra- 
balhos de geomorfologia do Brasil 
tropical atlântico, graças ao trabalho 
de cartografia iniciado a partir de 
1889 pela Comissão Geográfica e 
Geológica de Sao Paulo, por inicia- 
tiva de Orville Derby. 

— Salomão Serebreníck apresenta 
ao IX Congresso Brasileiro de Geo- 
grafia sua Classificação Meteorológi- 
ca dos Climas do Brasil. 

— Lucas funot apresenta ao IX Con- 
gresso Brasileiro de Geografia traba- 
lho intitulado Estudos da Tempera- 
tura da Cidade de São Paulo. 

— F. E. Magarino Torres e Sam- 
paio Ferraz submetem ao IX Con- 
gresso Brasileiro de Geografia sua 
Contribuição para o Estudo do Re- 
gime das Chuvas no Nordeste. 

— Motivados pelos estudos sobro 
dieléiricos de Bernard Gross e Plínio 
Sussekind da Rocha no Instituto Na- 
cional de Tecnologia, Abraão de Mo- 
rais e Mário Schenberg publicam nos 
Anais da Academia Brasileira de 
Ciências o artigo "Sobre a Equação 
dos Dielélncos Reais", 



Institucionalização 

N4I — Contratação de Fritz Feigl 
(Mia o Laboratório de Produção Mi- 
neral do Ministério da Agricultura 
Jo Rio de Janeiro. 

— Inicio da publicação do Boletim 
da Academia Nacional de Farmácia. 

— Realizado no Rio de Janeiro o 
Simpósio Internacional sobre Raios 
Cósmicos, promovido pela Academia 
ílrasileira de Ciências, aproveitando 
a presença no pafs de missão cientf 
liça americana para estudar o assun- 
to na América Latina, Participam 
A. H. Compton, D. Hughes, N. Hill- 
berry, W. P. lesse e E. D. Wollan. 

— Inaugurado o novo Observatório 
Oficial do Estado de São Paulo, cuja 
construção tinha sido iniciada em 
1932. 



1941-42 — Dois decretos-leis efeti- 
vam a encampação dos departamen- 
tos ou serviços meteorológicos esta- 
duais, unificando-os sob responsabi- 
lidade do governo central. 



Produção científica 

1941 — A Academia Brasileira de 
Ciência publica um volume contendo 
todos os trabalhos apresentados ao 
Simpósio sobre Raios Cósmicos, en- 
tre os quais o de Wataghin ("Pro- 
duetion of Mesotrons m Cosmic 
Rays' 1 ), o de Schenberg e Occhialiní, 
sobre a componente ultramoie da ra- 
diação cósmica; o de Y, Monteux, 
M. Damy, P. Pompeia e Ribeiro Sa- 
boya, "Círculos Eletrônícos Especiais 
Projetados". 

— Lélio Gama, motivado pelos estu- 
dos sobre dielétricos realizados por 
Bernard Gross e Plínio Sussekind da 
Rocha, publica nos Anais da Acade- 
mia Brasileira de Ciências um tra- 
balho com título "Sobre a Integral 
Imprópria (. , .)". 

— Publicação de Ensaio do Catálogo 
dou Moluscos do Brasil* de F. L. de 
Morretes, pelo Museu Paranaense, 

— Paul F, Kerr, Prof de Mineralo- 
gia da Universidade de Colúmbía, 
publica, em colaboração com Sidney 
Hh Bali, seu trabalho Diamante Var* 



— Adalberto Serra e Leandro Ra tis- 
bonna publicam, pelo Serviço de 
Meteorologia do Rio de Janeiro, O 
Clima do Rio de Janeiro. Do pri- 
meiro aparece também A Turbulên- 
cia no BrasiL 

— Mário Schenberg, da Faculdade 
de Filosofia, Ciências e Letras da 
Universidade de São Paulo, traba- 
lhando nos Estados Unidos com G. 
Gamow, publica junto com este, ria 
Physical Review (voL 59), artigo in- 
titulado "Neulrino Theory of Stellar 
Collapse", dando origem ao que fi- 
cou conhecido como processo URCA. 



438 



439 



Institurionalizaçn** 



Produção cientíFfca 



— Gleb Wâtaghin, auxiliado por Os- 
car Sala, estuda a produção local de 
showers penetrantes e descobre o 
efeito de altitude. 

— Publicado nos Atti delia Reate 
Accademia d f Itália o trabalho "Sui 
Sistemi di Equazíoni alie Variazioni 
Totali in Piu Funzionali Tncogniti/", 
de Ornar Catunda. da Universidade 
de São Paulo. 

— Em consequência dos estudos so- 
bre dielétricos, Berna rd Gross, do 
Instituto Nacional de Tecnologia, pu- 
blica nos Anais da Academia Brasi- 
leira de Ciências um artigo * Sobre 
uma Transformação Integral que 
interessa à Eletro técnica' 1 . 

— Ocehialini, Yolande Monteux e 
Marcelo Damy de Souza Santos, da 
Faculdade de Filosofia, Ciências e 
Letras da Universidade de São Pau- 
lo, estudam a influência de um eclip- 
se solar sobre a radiação cósmica* 
obtendo resultados interessantes. 

— Em colaboração com o ProL Luigi 
Sobrero, da Universidade de Roma, 
Joaquim Costa Ribeiro, da Faculdade 
Nacional de Filosofia, publica nos 
Anais da Academia Brasileira de 
Ciências ''Sobre um Aparelho de 
Polarização Autocolimador e Suas 
Aplicações à FotoeUstieidade". 

— Publicado nos Anais da Acade* 
mia Brasileira de Ciências a trabalho 
"Princípio de uma Teoria das Fun- 
ções de Green JÍ , por Mário Schen- 

berg< 

— Os Anais da Academia Brasileira 
de Ciências publicam uma nota de 
Leopoldo NachbinV aluno da Escola 
Nacional de Engenharia, intitulada 
" Sobre a Permutabilidade entre as 
Operações de Passagem ao Limite e 
de Integração de Equações Diferen- 
çais", apresentada ã Academia por 
Gabrielle Mammana. 



Institucionalização 



440 



1942 — Início da publicação dos 
Anais da Associação Química do 
Brasil, trimestral, que, ao contrário 
da Revista da Sociedade Brasileira 
de Química, só publica trabalhos ori- 
ginais, principalmente os apresenta- 
dos nos congressos organizados pela 
Associação, Com a fusão desta com 
a Sociedade em 1951, desaparece a 
revista. 



Produção científica 

1941-43 — Mário Schenberg publica 
nos Anais da Academia Brasileira de 
Ciências a primeira (1941) e a se- 
gunda (1943) parte do trabalho inti- 
tulado *' Sobre uma Extensão do Cál- 
culo Espinoríar. 

194144 — Lélio Gama publica na 
Revista Brasileira de Estatística uma 
"Introdução à Teoria dos Conjun- 
tos", resultado de seus cursos e se- 
minados na extinta Universidade do 
Distrito Federal (1935-38). 

1942 — Publicado, nos Proceedmgs 
of the Eigkth American Scientific 
Congres$ f o trabalho de Sampaio 
Ferraz, intitulado "Suggestions for 
the Expia na tion of Probable Connec- 
tions between Solar Ac ti vi ty and 
Rainfall Variation in South-Eastern 
Brasil". 

— Paul F. Kerr publica seu trabalho 
Quartzo Brasileiro, além da Origem 
cio Quartzo da Fazenda Pacu, em 
colaboração com A. I, Eríchsen e 
Diamante em Diamantina, em cola- 
boração com A. I. Erxhsen e f* M. 
A. Lisboa. 

Adalberto Serra publica, pelo Ser- 
viço de Meteorologia do Rio de Ja- 
neiro, dois trabalhos: A Formação de 
Trovoadas e Normais de Nuvem. Em 
colaboração com Leandro Ratisbon- 
na, publica pelo mesmo Serviço O 
trabalho Massas de Ar da America 
do SuL De ambos saem no mesmo 
ano As Ondas de Frio da Bacia Ama- 
zônica e o artigo "Os Regimes de 
Chuvas da América do Sul", publi- 
cado na Revista Meteorológica de 
Montevideo. 

— José Carlos Junqueira SchmJdí 
publica» na Revista Brasileira de 
Geografia seu ensaio sobre "O Cli- 
ma do Amazonas" . 



441 



Institucionalização 



Produção cientifica 



Institucionalização 



Produção cientifica 



— Teodoro Amálío da Fonseca Vaz 
publica seu trabalho intitulado A La- 
terhaçao das Rochas Ricas em Alu- 
minossiUcatos. 

— Tito Enéas Leme Lopes e Lafayet- 
te Rodrigues Pereira, da Faculdade 
de Medicina do Rio de Janeiro, rea- 
lizam estudos sobre as propriedades 
áticas da albumina desnaturada. 

— Cândido da Silva Dtas, da Uni- 
versidade de São Paulo, publica tese 
sob título Sobre a Regularidade dos 
Funcionais Definidos no Campo das 
Funções Localmente Analíticas. 

— Mário Schenberg, a partir de seu 
trabalho com G, Gamow e S> Chan- 
draseekhar, publica, em co-autoria 
com este último, artigo em The As- 
trophysical fournal (voL 96) intitula- 
do On the Evaíualion of Main Se- 
quence Siars. 

— Berna rd Gross e L. F, Dennard 
descobrem o " congelamento'' da ele- 
tricídade nos dielétrjcos. 

— Publicado nos Anais da Acade- 
mia Brasileira de Ciências artigo inti- 
tulado "A Existência de um Teorema 
de Oscilação para uma Particular 
Equação Diferencial de Terceira Or- 
dem, Autovalores*", de J\ Abdelhay, 
formado por Mammana, 

— O botânico Melo Barreto publi- 
ca Regiões Fitogcogrãjicas de Minas 
Gerais. 



1943 — O Instituto de Química 
Agrícola (IQA) passa a integrar o 
Serviço Nacional de Pesquisas Agro- 
nómicas, subordinado ao Centro Na- 
cional de Ensino e Pesquisas Agro- 
nómicas. 



1943 — Olhon Leo nardos, em cola- 
boração de A. T. Oliveira, publica no 
Rio de Janeiro sua Geologia no 
Brasii 

— Publicada a obra póstuma de 
Adalberto Beiim Pais Leme, intitu- 
lada História Física da Terra, 

— Cândido da Silva Dias, da Uni- 
versidade de São Paul o , publica nos 
Anais da Academia Brasileira de 
Ciências dois trabalhos: "Sobre o 
Conceito de Funcional Analítico" e 
"Aplicação da Teoria dos Funcionais 
Analíticos ao Estudo de Sua Solu* 
cio de uma Equação Diferencial de 
Ordem Infinita". 

— Manguinhos, pela primeira vez no 
Brasil, produz a penicilina» em esta- 
do bruto, um ano após a chegada 
aqui das notícias que davam conta 
dos "milagres" do novo medicamen- 
to, descoberto em 1927 por Fleming. 

— ProL Gíeb Wataghin, da Facul- 
dade de Filosofia, Ciências e Letras 
da Universidade de Sáo Paulo» pu- 
blica trabalho sobre a mecânica esta* 
tística e os processos observados na 
radiação cósmica. 

— [oaquim Costa Ribeiro, do Depar* 
t amento de Física da Faculdade Na- 
cional de Filosofia, demonstra a pos- 
sibilidade da obtenção de eletretos 
pela solidificação da cera de carnaú- 
ba na ausência de campo elêtrico 
exterior, 



442 



443 



I n st itu cionalízação 



Produção científica 

1944 — William Durmm fohnston 
Jr. ( do U.S. Geological Survey T publi- 
ca vários artigos, entre os quais 
"Cristal de Rocha em Cristalina", 
"Os Pegmatitos Berilo-Tanlalí faros 
da Paraíba e Rio Grande do Norte % 
além do "Tungsténio na Paraíba e 
Rio Grande do Norte", este último 
em colaboração com F. M- Vascos 
oelos. 

~— Joaquim Costa Ribeiro descobre 
o "efeito termodielétrko", que pos- 
teriormente receberia o seu nome. 
Este efeito foi deduzido de seu tra- 
balho com eletretos resultantes da 
solidificação da cera de carnaúba, 
mas revela-se fenómeno Físico de 
caráter muito mais gerai, observável 
em dielétricos sujeitos a mudanças 
de estado físico em que uma fase é 
sólida. 

— Gleb Wataghin, do Departamento 
de Física da Faculdade de Filosofia, 
Ciências e Letras da USP, publica 
trabalho sobre relatividade e inde- 
terminação suplementar, 

— Ornar Catunda, da Universidade 
de São Paulo, apresenta tese intitu- 
lada Sobre os Fundamentos da Teo- 
ria dos Funcionais Analíticos, 

— Mário Schenberg publica nos 
Anais da Academia Brasileira de 
Ciências o trabalho intitulado "Sobre 
um Princípio Variacional de Dinâ- 
mica", 

— William T, Pecora, do Serviço 
Geológico dos Estados Unidos, pu- 
blica seu estudo sobre as j az idas de 
Níquel e Cobalto de São fosé do To- 
cantins, 

— Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa 
publica trabalho intitulado Minérios 
de Manganês e de Fano de Urucutn. 



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Institucionalização 



(945 — Criado por Paulo de Assis 
Ribeiro, ne Fundação Getúlio Var- 
gas, no Rio de Janeiro, um Núcleo 
Técnico Científico de Matemática, 
sob direção de Lélio Gama. Sob 
seus auspícios» é criada a revista 
Sttmma Brasiltensis Mathematicae, 
sob a direção de Lélio Gama. Com a 
extinção em 1946 do Núcleo, a revis- 
ta passou a ser patrocinada pelo Ins- 
tituto Brasileiro de Educação, Ciên- 
cia e Cultura. 

— Fundação da Sociedade Matemá- 
tica de São Paulo, tendo como pri- 
meiro presidente Ornar Catunda. 

- O Laboratório de Biofísica, cria- 
do por Carlos Chagas Filho junto ã 
cadeira de Biofísica da Universidade 
do Brasil (ex-Universidade do Rio 
de Janeiro), ganha autonomia e se 
transforma em Instituto de Biofísica. 



Produção cientifica 

— Júlio Muniz, pesquisador do Ins- 
tituto Oswaldo Cruz, descobre uma 
nova reaçáo diagnostica para identi- 
ficação da doença de Chagas, mais 
prática que a antiga reação Guerrei- 
ro-M achado. 

— A + Pacheco Leão e colaboradores, 
a partir de suas pesquisas sobre a 
atividade eiétrica cortical, descobrem 
uma onda de depressão dessa ativi- 
dade, após excitação, que recebe o 
nome "Leâo-wave' 3 . 

— Leite Lopes publica nos Anais da 
Academia Brasileira de Ciências, jun- 
to com J. M |auch, o artigo "Scalar 
Meson Theory of Nuclear Forces 3 '. 

— Publicação de Mamíferos da 
Amazónia, de El adio da Cruz Lima, 



1945 — Mário Schenberg publica nos 
Anais da Academia Brasileira de 
Ciências um trabalho de título "So- 
bre a Invariante Integral de Car- 
tan**- 

— António Couceiro, da Faculdade 
de Medicina do Rio de Janeiro, apli- 
ca a técnica de auto-radiografía de 
Lacassagne ã pesquisa sobre a fixa- 
ção do radiofósforo pelos tecidos 
ósseo e dentário. 

— Publicado, na Revista do Depar- 
tamento de Física da Universidade 
de São Paulo, artigo de Lattes e Wa- 
taghin, intitulado "Estatística de Par- 
tículas e Núcleons e Sua Relação 
com o Problema da Abundância de 
Elementos e Seus Isótopos " (n,* 4, 
tomo XVH). 

— Adalberto Serra publica na Revis* 
ta Brasileira de Geografia seu artigo 
"Meteorologia do Nordeste", 



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institucionalização Produção científica 

— Lucas funot publica nos Arquivos 
da Higiene e Saúde Pública de São 
Paulo seu artigo "As Chuvas da Ci- 
dade de São Paulo", 

— Aparece no Physicaí Revíew (67, 
60) artigo de José Leite Lopes inti- 
tulado "The Influence of the Recoil 
of Heavy Partícles on the Nuclear 
Poteniial Energy" e outro, assinado 
junto com Mário Scbenberg, intitu- 
lado f The Radiation Field of a Point 
Electron" (67 , 132). 

— Leite Lopes publica nos Anais da 
Academia Brasileira de Ciências (17, 
273) artigo Intitulado "Notas sobre a 
Energia Potencial de Dêuteron". 

— Publicado no Rio de Janeiro, pela 
Agir Editora, o livro de Costa Ri- 
beiro Sobre o Fenómeno Termodie- 
lêtrico. 

— Joaquim Costa Ribeiro e Jaime 
Tiomno, da Faculdade Nacional de 
Filosofia, formulam uma teoria fenó- 
meno lógtc a sobre as leis que regem 
o efeito termodielé tricô* descoberto 
pelo primeiro em 1944 ( permitindo 
demonstrar-lhe a hereditariedade. 



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